Nanda Gonzague|The New York Times
Nanda Gonzague|The New York Times

Montpellier vai fazer você se apaixonar

'Você vai voltar', dizem os moradores para os turistas. Descubra a cidade francesa e tire a prova dos nove

Evelin Fomin, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2009 | 02h15

MONTPELLIER - A cidade que se orgulha de seus 300 dias de sol não esconde a falta de modéstia e repete, como um mantra, que é totalmente irresistível. "Você vai voltar a Montpellier", profetizam os simpáticos moradores. A capital da região de Languedoc-Roussillon, que também gosta de lembrar que somente 20% de sua população nasceu ali, é mesmo pura hospitalidade.

A cerca de três horas de Paris ou Barcelona (via TGV) - e a apenas 11 quilômetros do Mediterrâneo -, Montpellier se acostumou a servir de rota mercantil e de ponto de encontro desde a sua fundação, no século 5º. Estava predestinada, portanto, a ser uma cidade acolhedora.

O lugar foi ainda o destino de pensadores, filósofos e cientistas, interessados na Faculdade de Medicina - criada no século 13. Dali saíram personalidades tão distintas quanto Nostradamus e Rabelais. Essa vocação universitária foi mantida e hoje a cidade recebe 80 mil estudantes do mundo todo, garantia de noites animadas.

Nos últimos 30 anos, Montpellier cresceu a ponto de se tornar a oitava maior área urbana da França, com 250 mil habitantes. O notável é que esse desenvolvimento foi orientado por projetos que mantiveram a harmonia com o centro antigo, conservando o bem mais precioso da cidade: a qualidade de vida.

Assim como Paris, a capital de Languedoc-Roussillon precisa ser descoberta a pé ou de vélo. A jornada pode começar na Place de La Comedie, movimentada na medida certa. Só não se mexa antes de tomar um café nos arredores, de frente para a Opéra Comedie, inspirada na parisiense Opéra Garnier, e a fonte Três Graças.

A 500 metros dali, na outra extremidade da Esplanade Charles de Gaulle - ladeada por árvores e jardins bem cuidados -, está o Palácio das Convenções, onde funciona a Ópera Berlioz. Mas deixe para caminhar até lá quando for alugar sua bicicleta ou chegar a hora de visitar o Musée Fabre.

Repare na quantidade de pessoas que circulam na cidade antiga. O visual fashion e colorido faz um bom contraste com o cinza da arquitetura. Siga essa gente e não se preocupe em se perder pelas ruazinhas repletas de ateliês e butiques. Talvez você note, no asfalto, minibrasões de bronze com o símbolo do Caminho de Santiago de Compostela, que passa por ali.

Siga para a Rue de la Croix D'Or - a primeira travessa à esquerda da Rue de la Loge - e deleite-se com as vitrines a partir da Coqueline Boutique (nº 6), multimarcas como Dior, Chloé e Yves Saint Laurent. Por dentro, o detalhe que não deixa o passeio ser apenas consumo: abóbadas em arco lembram construções medievais.

Continue a caminhada pela Rue de l'Argenterie e pare na Pinto Epicerie Fine (nº 14), empório que funciona desde 1957. Compre um Délice des Trois Grâces, chocolate que reproduz o sabor do pão de especiarias, um clássico da região.

Agora você pode se dedicar à Rue de l'Ancien Courrier, paraíso das grifes de luxo. Depois, uma parada na Rue Saint Guilhem. Ali funciona a Puig Guilde des Fromages (nº 23) - experimente o queijo comté, maturado por até 22 meses, que tem o selo de denominação de origem (AOC) desde 1952.

Agora siga mais ao leste até a Place Jean Jaurès, onde fica o Café Joseph, o mais antigo da cidade e point para ver jogos, dançar e interagir. Ali perto, prepare-se para um tour de bicicleta. Na Place et Halle Castellane há uma estação de Vélo Magg, sistema que começou a funcionar em 2007. Um pouco pesadas, mas em bom estado, as bicicletas são ótimas para circular nas ciclovias da cidade. Cansou? Pegue um trem e economize as pedaladas da volta.

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*Viagem feita a convite da Atout France, do CRT de Languedoc-Roussillon e da Air France.

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