Miriam Karout/AP
Miriam Karout/AP

Moradores encontram trecho esquecido do Muro de Berlim

Com cerca de 20 metros, pedaço do antigo paredão fica no centro da cidade e foi integrado ao patrimônio histórico. Veja fotos e saiba como visitar outras partes do Muro

Melissa Eddy, NYT

15 Agosto 2018 | 19h52

BERLIM - Quando um grupo de moradores se deparou com um trecho de cerca de 20 metros de concreto coberto de pichações e videiras, durante uma caminhada por um terreno coberto de vegetação em pleno centro de Berlim, ninguém sabia ao certo do que se tratava.

"Começamos a debater e alguém sugeriu que talvez fosse parte do Muro de Berlim", disse Ephraim Gothe, conselheiro municipal de Desenvolvimento Urbano no distrito de Mitte, um dos bairros centrais da capital alemã, que guiava um grupo durante um passeio em junho.

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Ele alertou as autoridades, levando à confirmação de que o grupo havia descoberto uma parte original do perímetro externo de defesa do paredão - que impedia que os alemães orientais se aproximassem da barreira principal, perto da fronteira de Chausseestrasse. A descoberta foi revelada ao mundo nesta quarta-feira, dois dias depois do aniversário de 57 anos do início da construção do Muro, em 13 de agosto de 1961. 

O pedaço de muro passou despercebido por quase três décadas, em grande parte obscurecido pela construção da nova sede do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha, o BND, disse Gesine Beutin, porta-voz da Fundação do Muro de Berlim. "Ainda está coberto, embora esteja cercado por novas casas e as pessoas possam vê-lo de suas janelas", disse Gothe.

As autoridades de Berlim acrescentaram o pedaço recém-descoberto do antigo Muro à lista de monumentos da cidade sob proteção histórica. A peça recém-descoberta não fazia parte da barreira no lado oeste, a seção mais comumente associada ao Muro de Berlim, com seu pé em forma de L e um tubo circular no topo. Em vez disso, é uma barreira menor e mais fina, o que também ajudou a explicar por que passou tantos anos sem ser notada.

"Nossos especialistas puderam confirmar sua autenticidade com base nos materiais usados ​​para construí-lo e suas medições", disse Beutin. “Além disso, havia postes metálicos salientes que eram usados ​​como postes de iluminação e pedras que pareciam com os do caminho que atravessava a faixa da morte." Há planos para descobrir o Rio Panke, canalizado no subsolo, e transformar a área em um parque, no qual a peça recém-descoberta da parede poderia ser integrada, disse Gothe.

História

O muro caiu em 9 de novembro de 1989, e enquanto os moradores de Berlim se precipitavam para derrubar uma barreira que definia suas vidas e dividia suas famílias, os historiadores esperavam preservar algumas peças para a posteridade. Com o passar dos anos, à medida que as gerações mudam e as pessoas mais jovens acham cada vez mais difícil imaginar um mundo em que não poderiam se deslocar livremente de Berlim a Praga e Viena, os poucos remanescentes do Muro de Berlim adquiriram uma importância cada vez maior.

"Quando o muro caiu, todos em Berlim só queriam que ele sumisse - não podiam mais olhar para ele", disse Beutin. “Demorou um pouco até podermos dizer que era importante preservar partes da história. Precisamos de lugares e objetos onde possamos manter as memórias vivas. ”

Passeios

Visitar pedaços remanescentes do Muro de Berlim é um dos principais programas turísticos na capital alemã. Pelas ruas do centro, o antigo traçado do paredão está marcado por um caminho de tijolinhos aparentes que interrompe o calçamento. A East Side Gallery, um trecho de 1,3 quilômetro de extensão do paredão preservado é hoje uma galeria de grafite a céu aberto na margem do Rio Spree. O Memorial do Muro guarda trechos remanescentes, esculturas exposições ligadas à história da Guerra Fria e documentos.

Para fazer os passeios, compre um tour guiado de bicicleta da Berlin on Bike - é o jeito mais berlinense possível de desbravar a cidade. Se não for o caso de pedalar, ou se você quiser fazer um passeio na linha turistão mesmo, o Trabi Safari é um tour guiado em antigos Trabants, os carros produzidos na Alemanha Oriental durante a Guerra Fria. / COLABOROU REDAÇÃO

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