Bahiatursa/Divulgação
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Mosaico de azuis e breus acima e abaixo da terra

Guarde fôlego para encarar percursos que levam às mais escondidas recompensas: de poços transparentes no interior de grutas a deslumbrantes quedas d'água

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2012 | 15h38

Os olhos custarão a acreditar que existe tal universo oculto abaixo dos pés. Mas é assim mesmo: a exuberância da Chapada Diamantina se estende aos subterrâneos. Grutas e cavernas encantam na região de Iraquara e Seabra, 75 quilômetros ao norte de Lençóis. Uma das maiores concentrações por quilômetro quadrado da América Latina, com mais de 200 catalogadas.

 

O ponto alto das visitas a grutas e cavernas – a diferença é que as primeiras têm entrada e saída – é quando o guia apaga completamente a luz da lanterna. Abrir os olhos no silêncio e escuro absolutos representa o momento mais marcante da experiência.

 

Pelo fácil acesso de carro e boa infraestrutura, a Gruta da Lapa Doce é uma das mais visitadas. Terceira maior do Brasil, tem 17 quilômetros mapeados, mas apenas 850 metros estão abertos ao público. Impressiona pela amplitude de seus salões – de até 60 metros de largura em alguns pontos – e por suas formações. Turistas de todas as idades se divertem procurando formas de animais e de personagens nas sombras das estalagmites iluminadas. A visita tem duração de uma hora e custa R$ 15.

 

Preciosas.Perto dali, após um almoço no delicioso restaurante Casa de Farinha, aceite o convite do proprietário Ofer Mauhnoom para conhecer a Gruta da Fumacinha, que também está em sua propriedade. Debaixo da caatinga baiana, é uma das mais incríveis formações de estalactites brancas preservadas.

 

Não muito longe repousa outro tesouro subterrâneo, a Gruta da Torrinha, contemplada em três roteiros de visitação, com duração de até 4 horas. Formações raras, como as estalactites de cristal transparente e as agulhas de gipsita de 60 centímetros de comprimento, datam de até 1,7 bilhão de anos. Aviso: quem tem alguma restrição a espaços apertados não deve se aventurar nas duas últimas atrações.

 

Diversão das mais molhadas, a flutuação pelos 170 metros da Gruta da Pratinha vale cada centavo dos R$ 20 que custa. Isso porque na saída – de máscara e snorkel – você verá azuis inimagináveis, especialmente por volta das 10 horas, quando o sol ilumina a água com perfeição, permitindo até 50 metros de visibilidade. Na parte externa, os peixes próximos à lagoa não deixam nada a dever aos dos rios de Bonito, no Mato Grosso do Sul.

 

A Lagoa da Pratinha tem uma cor que lembra o mar das Ilhas Maldivas, sendo tranquilamente possível passar o dia todo por ali. Por R$ 10, você se joga da tirolesa de 12 metros de altura e garante adrenalina e boas risadas. Não se esqueça de gritar: metade da emoção está em soltar a voz.

 

Amantes de adrenalina não devem perder o cave jumping (bungee jumping na boca da caverna) na Gruta do Lapão, com mais de 40 metros de altura, um dos únicos do tipo no mundo. As agências de Lençóis vendem a atração, com preço sob consulta.

 

Mágicos. Se Iraquara tem a maior concentração de grutas, as cidades de Nova Redenção e Itaetê, ao leste, foram contempladas com tesouros mais misteriosos. A transparência do Poço Encantado é tamanha que confunde os olhos e até 65 metros de profundidade. De abril a setembro, entre 9h30 e 14 horas, a luz do sol entra por uma fenda na rocha e faz deste o lugar mais mágico da Chapada Diamantina.

 

Após mais de três anos interditado pelo Ibama – que constatou a construção ilegal de uma escada em seu interior –, o poço reabriu para visitas há um ano. Para chegar até lá é preciso percorrer cerca de 40 quilômetros desde Andaraí, de carro ou van, já que muitas estradas são de terra e não há linha de ônibus regular. O ingresso custa R$ 20. Por se tratar de área protegida, o banho não é permitido.

 

Para não ter de se contentar apenas com o refresco para os olhos, a opção perfeita é o Poço Azul, em Nova Redenção. Cada grão de poeira da longa estrada vale a pena quando se mergulha na água, com colete e máscara, claro. Após descer uma íngreme escadaria, o turista se espanta com a imensidão turquesa de 21 metros de profundidade, onde cientistas encontraram a ossada pré-histórica de uma preguiça gigante. Ali também há feixe de luz para tornar o ambiente mais encantador, das 13h15 às 14h30. 

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