Mosquitos e tenistas

Após a inequívoca demonstração de desinteresse de chineses e americanos pelo futuro ambiental do planeta, mr. Miles decidiu desarquivar velhos planos e, na companhia de investidores ingleses, seguiu para Nuuk, na Groenlândia, onde pretende adquirir, por preço irrelevante, um trecho da gélida costa local. Nosso excêntrico correspondente acredita que, com o aquecimento global em progressão geométrica, ainda construirá um resort de veraneio na região.

Mr. Miles, miles@estadao.com.br, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2009 | 02h54

A seguir, a correspondência da semana:

Prezado mr. Miles: vou passar as férias de janeiro com minha família na Costa Rica para conhecer a região dos vulcões e, mais tarde, descansar alguns dias no litoral caribenho, na região de Limón. O senhor saberia me dizer se os mosquitos nesta área vão nos permitir aproveitar a praia?

Rosana Soares Wunsch,

por e-mail

"Unfortunately, my dear, não existem praias remotas sem mosquitos em regiões tropicais. Em Limón, however, os repelentes realmente repelem e os inseticidas ainda cumprem sua missão original. Você deve ser paulistana, I presume. E, neste caso, julgo compreender a natureza de seu atormentamento.

Amigos residentes nessa grande metrópole contam-me que a convivência com esses nasty insects tornou-se absolutamente impossível. Alguns, como my good fellow Nelson Freitag, asseguram-me que os mosquitos passaram por uma mutação genética e já usam as substâncias ativas dos compostos criados para exterminá-los em banhos revitalizantes. Is it true?

Ouço, ainda, que o grande hit da temporada de calor que já começou são raquetes de tênis de procedência chinesa que têm o condão de eletrocutar muriçocas, carapanãs e borrachudos. O engenheiro Rafael Voltberg, com quem me correspondo há anos, pratica, todos os dias, horas de forehands, backhands e drop shots contra nuvens de agressivos mosquitos que infestam sua casa. Segundo me conta, está até recuperando o velho estilo, anos depois de ter abandonado o lawn tennis.

Oh, my God!

As coisas devem andar realmente difíceis por aí? In the other hand, fico imaginando que há um possível lado positivo nesta situação. Com o uso das raquetes popularizando-se da maneira como me relatam, não é de se duvidar que, em 15 ou 20 anos, desponte em São Paulo uma geração de campeões sem precedentes desde que my fellow Guga deixou as quadras. Don"t you agree?

Digressões à parte, my dear Rosana, aposto que você terá férias esplêndidas na Costa Rica. Trata-se de um lugar deslumbrante, com um povo de inequívoca vocação hospitaleira. Quando estive em Limón pela última vez, optei por ficar nas Praias de Puerto Viejo de Talamanca. E posso lhe dizer que foi uma lovely choice.

Mosquitos? Sim: lembro-me deles. Pareciam-me tão relaxados quanto eu mesmo. Nada que se compare à inesquecível experiência que vivi, nos anos 40 do século passado, quando visitei, pela primeira vez, a Beautiful Island (que vocês chamam de Ilhabela), no litoral de São Paulo.

Unfortunately, durou pouco minha estada. Apenas, se bem me lembro, o tempo necessário para ser almoçado por borrachudos em um dia de mormaço. Um desconforto que se transformou em pânico quando, ao refugiar-me dentro do mar, descobri que the little bastards eram exímios mergulhadores. E não havia raquetes naquele tempo."

* Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. steve em 132 países e 7 territórios ultramarinos

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