Andrew Milligan/ Reuters
Andrew Milligan/ Reuters

Mr. Miles como guia? 'Who knows?'

O homem mais viajado do mundo aceitaria apresentar a sua terra natal, a Escócia, para turistas?

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2018 | 03h00

Quem conhece nosso correspondente há muitos anos sabe como ele sempre foi infenso a novas tecnologias. Só trocou a caneta tinteiro pela máquina de escrever muitos anos depois do surgimento dos laptops. Costumava chamar os telefones celulares de besouros infernais e dizia que, no future, “os homens nasceriam com dedos finos como as patas de um gafanhoto e a boca próxima da orelha, para facilitar o uso dessas engenhocas”. Pois bem: Mr. Miles está cada dia mais moderninho e acaba de criar seu próprio perfil no Instagram. “Dizia-me Winston (N.da.R.: Churchill, grande estadista inglês) que ‘os que nunca mudam de opinião não são capazes de mudar coisa alguma’. Therefore, rendo-me ao fato de que as pessoas, nowadays, gostam mais de olhar suas telinhas do que as pessoas que mais amam. Garanto, however, que aos emojis não me rendo jamais!” Em tempo: o Instagram de Mr. Miles é @mrmilesoficial

A seguir, a pergunta da semana:

Prezado Mr. Miles: acompanho o senhor desde o início de sua coluna no Estadão e não perco uma. Como o homem mais viajado do mundo, e um legítimo lorde inglês com tanto a nos mostrar nunca pensou em levar um grupo a visitar suas origens? Pergunto porque estou viciada na série Outlander e adoraria participar de uma expedição pela Escócia. E como sonhar não custa nada, quem sabe capitaneada pelo homem mais viajado do mundo?

Marcela Camargo, Curitiba, PR

Well, my dear: eis uma ideia que nunca me havia ocorrido. Why not? É de conhecimento geral o fato de que adoro contar histórias e relembrar passagens dessa minha intense jornada como viajante. A Escócia, by the way, continua sendo parte de nossas ilhas, por mais teimosos que sejam alguns separatistas provincianos. Ou seja: a sua história também é a nossa – com ligeira diferença de versões, of course. Sua bebida nacional, o uisguebeatha, hoje chamado simplesmente de whisky, é, de forma indesmentível, um prazer universal – compartilhado, besides, por mim e pela minha querida mascote Trashie.

A Escócia, as well, tem lindos castelos, inclusive o de Balmoral (foto), onde já estive dezenas de vezes aconselhando informalmente minha querida rainha Elizabeth II. E lagos, que alguns dizem abrigar monstros pré-históricos, sobretudo depois de terem feito várias degustações nas destilarias das Highlands. Há, é claro, aqueles senhores que se vestem com saias coloridas. Não é de meu gosto pessoal, mas há longas tradições que justificam tal anomalia vestimentar.

Em uma viagem como essa talvez eu pudesse contar aos meus seguidores (reais, of course) que, geologicamente, a parte norte das Highlands pertence ao continente americano – enquanto o lado sul é legitimamente europeu. Mas esses são apenas detalhes divertidos que eu contaria caso isso ocorresse. No momento, I’m sorry to say, essa ideia não passa de uma simpática brincadeira. 

Anyway, há algumas coisas que me preocupam em tal empreitada. For instance: qual seria a minha reação se, ao conduzir a plateia, alguém ousasse prestar atenção ao telefone celular? Tenho medo de tornar-me truculento ou ofender-me mortalmente. E explico: nada me soa tão desrespeitoso quanto dar atenção a uma pessoa ausente, enquanto outra – presente – lhe dirige a palavra. Também tenho aquela velha superstição, I’m afraid: não gosto de ser fotografado. Em outra ocasião, volto a lhes contar a razão dessa ‘crendeirice’, que muitos de vocês já conhecem. 

Se, apesar de tudo isso, alguém quiser os préstimos de conhecimento desse viandante, estou às ordens. Com mais uma pequena ressalva: Mr. Miles não carrega guarda-chuvas ou placas coloridas para ordenar seu rebanho. Unfortunately, muitos falsos profetas começaram assim.” 

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS. SIGA-O NO INSTAGRAM:  @MRMILESOFICIAL

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