Múltiplos encantos

Há duas maneiras rápidas de se chegar a Fernando de Noronha: pela Trip ou pela Gol. Os voos partem de duas cidades: Natal e Recife. Ao chegar ao arquipélago há dois tipos de atração: a terra e o mar.

FERNANDO GABEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , FERNANDO DE NORONHA, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2012 | 03h07

A partir daí, esqueça o dualismo: as possibilidades se multiplicam. Ainda no avião, a visão do arquipélago, com suas 17 praias, revela que Noronha está no meio do Oceano Atlântico.

Todo mundo leu sobre isso. Mas a visão em baixa altitude torna a ideia mais concreta. Em terra, o sopro dos ventos alísios, o silêncio entrecortado pelo choque das ondas nas pedras reforçam a certeza de que estamos numa estreita faixa do oceano: 10 quilômetros de extensão por 3,5 de largura.

Uma estrada federal corta a ilha: a Transnoronha. Fora dela, não há salvação, exceto se alugamos um bugre, o estilo de táxi mais comum em Noronha.

Com ruas secundárias dominadas por grandes crateras, alguns se lembram da chegada ao aeroporto. Por cada dia, o governo de Pernambuco cobra uma taxa de R$ 43,20 ao turista. Para onde vai o dinheiro?

Quando se está pisando no topo de uma grande montanha submarina, no cone de um vulcão que deu origem a Noronha, a dimensão de tempo se altera. O arquipélago deveria estar fazendo aniversário de 12 milhões de anos. Foi mais ou menos por aí que os magmas vulcânicos, através de explosões, romperam a superfície da terra, a 4 mil metros de profundidade, e criaram essa novidade no oceano.

Em muitos momentos, o turista vai se encontrar com a história vulcânica nas rochas e falésias de Noronha. Por exemplo, nos pequenos buracos na pedra, por onde deve ter saído a fumaça das explosões. Mas o que certamente vai seduzi-lo será as praias de areias brancas, o mar e história humana de Noronha.

O arquipélago vive um ponto de mutação. Noronha, que já foi usado como presídio, ocupado pelos militares, se tornou um Parque Nacional Marinho que domina 70% de sua área.

Após algum tempo nas mãos do Ibama, o Parque passará a ser explorado por uma empresa, a Eco Noronha, que já administra o Parque Nacional do Iguaçu.

A fase atual é a da dominação da ilha pela indústria do turismo. Isso a torna mais cara, mas aumenta as possibilidade de explorá-la.

No passado, o mar de Noronha era oferecido para passeios de barco entrecortados por banhos de mar. Ate hoje existem e custam R$ 120 reais e duram toda a manhã.

Nos últimos anos, cresceu a oferta de mergulhos e, hoje, três grandes empresas trabalham no ramo: Atlantis, Águas Claras e Noronha Divers.

Ser batizado, em Noronha, significa fazer o primeiro mergulho, acompanhado de um instrutor. O preço é R$ 270 e, para quem quiser, o mergulho pode resultar num vídeo. Algumas empresas, junto com o vídeo, oferecem uma coleção de fotos submarinas.

Nos últimos meses, novas empresas surgiram oferecendo outras abordagens para explorar o fundo de mar. Uma delas é ser transportado lentamente por um barco e, usando snorkel, explorar regiões com boa visibilidade.

A outra é o redondo barco russo Navi, do Projeto Natureza Viva, construído para monitorar o fundo do oceano em busca de minas. Hoje, o modelo é usado no turismo. O observatório é uma circunferência de vidro, em torno da qual sentam os turistas.

A viagem nesse barco custa R$ 150, dura 40 minutos. A visibilidade costuma ser boa quando ele se afasta do porto. No entanto, não consegue, dada a espessura do vidro, transmitir as cores verdadeiras do mar. Não possibilita fotos nítidas e, às vezes, provoca enjoos.

As alternativas na terra são muitas, assim como uma terceira via se abre aos poucos: a exploração da costa, da interface entre o mar e a terra.

De um modo geral, as ruínas históricas de Noronha não são um grande atrativo. Foram se deteriorando com o tempo e servem apenas de pano de fundo para a pose dos turistas.

A ilha foi fortificada em dez pontos por um engenheiro português, no século 18. Mas nela encontram-se vestígios também da 2.ª Guerra Mundial, sobretudo no que restou do Hotel Esmeralda, usado pelos soldados norte-americanos.

Há vestígios dos franceses que construíram uma sede da Aeropostal, antecessora da Air France. O objetivo era apoiar as travessias aéreas em hidroaviões.

Quem quiser uma visão essencial da fauna, tem três grandes opções: o projeto Tamar, que zela pela preservação das tartarugas, o Golfinho Rotador e o Museu do Tubarão.

Mas as aves marinhas não deixarão de seduzir e deixá-lo intrigado. Por isso é preciso planejar a visita e, em alguns casos, saber que é preciso voltar.

A ilha tem uma boa estrutura de pousadas. A mais cara delas, a Maravilha, tem diária a R$ 2.200 por casal, na alta temporada. Mas há preços mais acessíveis e uma pousada média custa em torno de R$ 300 por casal. Fiquei numa delas, a Beco de Noronha. Gostei.

Destaco quatro restaurantes: Mergulhão, Maravilha, na própria pousada, Varanda e Xica da Silva. Há ainda três restaurantes com comida a quilo. Os preços são mais baixos, mas nem tanto: é recomendável chegar cedo, com a comida ainda fresca.

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