Bruna Toni|Estadão
Bruna Toni|Estadão

Museu do Amanhã já prepara programação para os Jogos do Rio

Atração completa três meses com novidades e decide entrar de vez no debate sobre a poluição ambiental que marcou o seu início

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

15 Março 2016 | 06h00

RIO DE JANEIRO - Mais novo entre os museus da cidade do Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã completa três meses de existência nesta quinta-feira fazendo o que se espera de um caçula, com perdão do estereótipo: ousando e, ao mesmo tempo, encarando seus próprios dilemas e contradições. Sem perder o direito de ser paparicado – no caso, pelo público, que continua a formar filas para entrar no local. Desde a inauguração, foram 254 mil visitantes. 

O restaurante está prestes a ser aberto, com cozinha da Fazenda Culinária. A exposição temporária sobre Santos Dumont estreia em 26 de abril. Enquanto isso, o acúmulo de lixo no entorno do prédio projetado pelo arquiteto Santiago Calatrava, tanto o trazido pelas águas da poluída Baía de Guanabara quanto os detritos que são deixados pelos visitantes, viraram mais um desafio a ser encarado pelo projeto, controverso desde o início.

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A requalificação da histórica e abandonada zona portuária do Rio, chamada de operação Porto Maravilha, deu à cidade novos marcos como o próprio Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio (MAR), ambos na Praça Mauá, mas incluiu a remoção de antigos moradores – contra a vontade deles. Tudo feito de olho nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em agosto e setembro. Para eles, o Museu do Amanhã já se prepara. “Vai ter programação na praça, coordenada pela prefeitura. Nós vamos interagir, discutir alguns passaportes que darão acesso a todos os museus, além de atrações específicas aqui dentro”, conta o diretor do Museu do Amanhã, Ricardo Piquet. 

Hoje, o ingresso custa R$ 10 – mais caro que os R$ 6 da época da inauguração. Às terças-feiras, a entrada é gratuita e não há quase filas pela manhã. 

Dilemas. “Vou filosofar sobre o que?”, perguntou o garoto de cerca de 15 anos ao amigo, diante da proposta de um jogo interativo de refletir sobre qual tipo de ser humano ele era. Segundo o diretor Ricardo Piquet, a ideia de chamar o espaço de Museu do Amanhã, e não do Futuro, teve como objetivo não confundir com uma visão futurista de equipamentos e tecnologia, mas mostrar que “esse amanhã é muito próximo”.

As questões colocadas ali começam em uma viagem de 360 graus pelo Cosmo – ponto alto da visita –, passam pela vida animal e chegam aos dias atuais, abalados pela ação humana. O fim é uma série provocativa de jogos que podem levar o visitante a destruir o mundo a qualquer instante. 

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Quanto ao lixo, Piquet diz que o assunto “não tem a ver com o museu e tem”. “Não foi provocado pelo museu, mas está no nosso cenário, é nossa casa, e a gente vai ter de se envolver de alguma forma com a solução.” Segundo o diretor, o enfrentamento será via educação. “Nem a Olimpíada foi suficiente para mudar isso. Nosso papel será de debater e cobrar medidas de mudança desse cenário antes do amanhã.” 

Por isso, não estranhe se for recebido por uma escultura de lixo, provável primeira instalação do museu para debater o tema. “Estamos pensando em como devolver isso para o cidadão, mostrar ‘olha, isso aqui foi jogado por pessoas que vieram visitar e não tiveram cuidado com o amanhã’”, diz Piquet. 

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