Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Na Cordilheira de Tilarán, um dia de imersão na natureza

Passeios entre mirantes e fincas de produção de alimentos orgânicos

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 00h56

Com o fim de tarde chegou a neblina. Em dez minutos tinha ficado impossível ver qualquer coisa a mais de 5 metros de distância. O típico bosque nuboso da Costa Rica é uma floresta com muita nebulosidade entre as árvores, por causa da altíssima umidade. Caminhar por aqui é, literalmente, pisar nas nuvens. 

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Estamos no alto da Cordilheira de Tilarán, na localidade de Zapotal, a 1.500 metros de altitude no município de Miramar. As estradas até aqui são sinuosas – como boa parte das rodovias costa-riquenhas –, com precipícios e mirantes naturais para ver o horizonte e o mar. 

O lodge Colinas Verdes abriga os hóspedes em cabanas muito simples, a US$ 60 por noite, para dois, com café. Tem piscina e canopy. A falta de aquecimento nos quartos foi um problema à noite, quando a temperatura desceu abaixo dos 10 graus. Um pijama quentinho é item de primeira necessidade. Também não há sinal de celular e Wi-Fi.

Mas os passeios, de US$ 10 a US$ 20 por pessoa, compensam. Colado à reserva biológica Alberto Manuel Brenes, o lodge abriga ou recebe variadas espécies de pássaros. Com um manual de ornitologia em mãos, o guia aponta pardais e quetzales coloridos enquanto conduz o grupo por uma trilha. Mostra espécies de epífitas, plantas características do bosque nuboso que usam as árvores maiores como apoio. É possível pedalar e cavalgar. 

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No campo. Foi um dia dedicado ao turismo rural. Começou bem cedo na Finca Betty (506-2639-8604), onde se faz desde a ordenha das vacas até o preparo de queijo, devidamente degustado. Caminha-se entre as criações de galinhas e porcos, os canteiros de ervas comestíveis e ornamentais, as hortênsias, a lagoa de tratamento das águas já usadas para evitar poluição, o biodigestor, sistema que transforma excrementos animais em energia limpa na forma de gás. 

Ziguezagueando entre montanhas, durante a tarde vamos a outra vila, Cedral, onde os sitiantes se reuniram para estruturar um tour comunitário com o tema sustentabilidade. 

É uma iniciativa ainda bastante rudimentar, mas com bons momentos. Como não há pacotes estruturados, contratar o passeio demanda entrar em contato com a Câmara de Turismo de Montes de Oro (506-8829-0619; info@turismomontesdeoro.com), que ajuda a arrumar transporte e contatar os produtores rurais para agendamento das visitas. 

O casal Ana Íris e Alex Dias tem função de liderança no lugar. Ela mostra o criadouro de morcegos na finca e opera o gostoso restaurante onde são servidos pratos com gallo pinto, carne a escolher entre boi, frango, porco e pescado, banana com queijo e salada, tudo caseiro e, dizem, orgânico. Ele apresenta o projeto de certificação da agricultura orgânica que coordena junto com os governos da província e do país. Visitas e almoço custam de US$ 15 a US$ 20 por pessoa (aadp0860@hotmail.com).

Para o café, vamos à finca El Bueyerito, que processa grãos plantados por 50 sitiantes em terras que ficam acima de 1 mil metros de altitude, condição para que, na Costa Rica, o café seja classificado como gourmet. Na última propriedade visitada no dia, os turistas são convidados a operar o arado manual, enquanto um enorme tacho cozinha caldo de cana para fazer o miel de caña, o melado. Do panelão sai também uma mistura de melado, leite em pó e amendoim. Pode chamar de sobremesa. 

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