Paulo de Tarso/Divulgação
Paulo de Tarso/Divulgação

Na estrada, com vento no rosto

Conhecer destinos e explorar vários quilômetros de uma região no comando de uma bicicleta nunca esteve tão na moda entre os brasileiros. Os motivos que fazem um viajante optar pelo cicloturismo vão desde a sensação de liberdade exacerbada - quantos de fato conseguem trocar o carro pela bike no dia a dia? - até o contato imediato e sem intermediários com a paisagem do entorno. Tudo isso com toques de vida saudável e, sim, descanso.

BRUNA TIUSSU, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2012 | 03h09

Enquanto aqui no Brasil ainda engatinhamos no assunto - o primeiro grupo a organizar viagens de bike em São Paulo, o Sampa Bikers, surgiu há 19 anos - famílias inteiras no exterior carregam o hábito de longa data. Não à toa. Basta uma primeira experiência lá fora para sentir a diferença. Ou melhor, para invejar a estrutura das rotas demarcadas para quem curte pedalar.

Com paisagens deslumbrantes e trilhas sinalizadas - são 245 quilômetros de estrada de terra e apenas 75 de asfalto -, a Travessia dos Andes está entre as favoritas na América do Sul. Feita em nove dias, é de nível avançado, mesmo que o trajeto, ora chileno, ora argentino, evite altitudes exageradas.

Velho mundo. Entre os países europeus, a Alemanha é considerada o melhor destino para pedalar. São quilômetros e quilômetros de ciclovias nas cidades, além de estradas com espaço e sinalização para bikes. No sul, a mais popular é a Rota Romântica, que inclui paradas nos lúdicos castelos do rei Ludovico. Atravessando os Alpes, a Via Claudia, estrada construída para ligar Roma às províncias do norte, é outra muito procurada. São 250 quilômetros saindo de Füssen até Merano, na Itália.

Com paisagens completamente diferentes, outras opções de caminhos incluem a região da Toscana, na Itália, a Provença, no sul da França, e o Alentejo, em Portugal. Nesses roteiros, entre vilarejos que mais parecem saídos de livros de contos de fadas e recepções calorosas dos moradores, os viajantes contam com caminhos seguros e, sobretudo, com o respeito dedicado aos cicloturistas.

"Nestes países existem caminhos separados só para as bikes, com sinalizações perfeitas. E mesmo quando é preciso pedalar nas estradas secundárias, as menores, os carros dão espaço, olham as bicicletas como um meio de transporte como qualquer outro", conta Paulo de Tarso, presidente do Sampa Bikers.

Terras brasileiras. Ainda que deixando a desejar nos parâmetros de segurança e respeito ao cicloturista, o País já abriga uma variedade de roteiros que se espalham das serras do Rio Grande do Sul às praias do Nordeste (foto; leia mais ao lado). E vale reconhecer: algum empenho em melhorar as condições de viagem para quem se aventura sobre duas rodas se faz notar por aqui, sim.

Como ressalva, é importante destacar que, mesmo com guia especializado e carro de apoio - que carrega a bagagem e fica de prontidão para dar carona caso o fôlego se esgote totalmente -, as viagens são indicadas para quem já tem a bicicleta como hobby. Afinal, você não vai querer correr o risco de transformar suas férias em dias de sacrifício, vai?

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