Epitácio Pessoa/ AE
Epitácio Pessoa/ AE

Na estrada, mesmo com a alta do dólar

Apesar da instabilidade da moeda americana, ainda não é o caso de desistir das férias no exterior; basta fazer ajustes e tomar cuidado para não trazer dívidas na bagagem de volta

Bruna Tiussu, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h10

Eis que o dólar alcança a casa dos R$ 2 - na semana passada, a moeda chegou a ser cotada a R$ 2,09 - levando por água abaixo toda aquela certeza de que este é o momento ideal de fazer as malas e conhecer o mundo.

Ok, nada mais natural que haja um susto inicial. Porém, segundo o próprio mercado aponta, a busca por pacotes internacionais segue no mesmo ritmo aquecido. Ao invés de abrir mão da Disney em família ou do esqui em Bariloche, o viajante tem optado por medidas capazes de readequar a viagem ao orçamento (leia mais na pág. 16). Que tal procurar passagens promocionais? Ou pegar leve na lista de compras?

Para ajudar a salvar as tão sonhadas férias - e seu bolso -, respondemos às principais dúvidas que assombram os turistas em época de dólar vulnerável.

1. É hora de abrir mão da viagem ao exterior?

Depende do seu orçamento, claro. Mas vale lembrar que, apesar do susto de ver o dólar na casa dos R$ 2, o cenário está longe de ser alarmante - basta comparar com a cotação no fim de 2008, quando a moeda americana chegou a valer R$ 2,43. Na CVC, maior operadora de viagem do País, a venda de destinos internacionais segue aquecida. A empresa, que não alterou preços e parcela em 10 vezes, constatou em pesquisa com clientes que o dólar até pouco acima dos R$ 2 ainda é visto como atrativo para ir ao exterior. O site de reserva de hospedagem hoteis.com dá desconto de 11% para compensar a alta da moeda americana.

2. Dá para manter os planos sem estourar o cartão de crédito?

A primeira dica é não comprar toda a quantia de dólar que levará na viagem de uma só vez. "O turista não tem de ser especulador. Com a moeda vulnerável, vale mais comprar aos poucos, sem desespero", explica Samy Dana, professor da Escola de Economia da FGV-SP. Outra sugestão é ficar de olho em promoções de passagens em sites de busca, reservar a hospedagem com três meses de antecedência (o que, na verdade, deve sempre ser feito) e diminuir deslocamentos internos. Apesar do interesse por viagens ao exterior seguir no ritmo esperado também na Queensberry, nota-se que pacotes de menor duração têm ganhado a preferência. "Os clientes mantêm o destino escolhido e diminuem o tempo de permanência, optam por pacotes de 15 em vez de 20 dias. O que é uma ótima medida para manter a qualidade da viagem sem estourar o orçamento", diz Eby Piaskowy, diretora de marketing da operadora.

3. Lá fora, é melhor usar cartão de crédito ou dinheiro?

O ideal é levar dinheiro. Ou cartão pré-pago, que usa o câmbio do dia em que é carregado - e você só gasta o que nele depositar. Além da taxa de 6,38% de IOF, o cartão de crédito opera com câmbio próprio, normalmente mais alto, e o valor gasto é atrelado à cotação do dia do vencimento da fatura: na volta, o susto pode ser grande.

4. Um pacote internacional já parcelado pode sofrer reajuste?

Não. O viajante deve estar atento para que o contrato de compra de um pacote para destinos estrangeiros seja feito em moeda nacional, mesmo que o preço apresentado durante a consulta seja fornecido em dólares. O agente de viagem tem de fazer a conversão de acordo com o câmbio do dia da compra: este será o valor a ser negociado, com pagamento à vista ou em determinado número de parcelas fixas.

5.Algum impacto pode ser sentido em destino nacionais?

Não dá para apontar aumento no preço de pacotes, passagens ou hotéis no Brasil que estejam relacionados com a alta do dólar. Mas basta uma rápida pesquisa para perceber que viajar pelo País continua caro. "A Amazônia é sempre cara, independentemente da época ou cotação da moeda americana, tanto que é mais procurada por estrangeiros. Mesmo hoje, com dólar mais alto, um brasileiro vai para a Europa gastando o mesmo", aponta Eby Piaskowy.

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