Márcio Pomárico/AE
Márcio Pomárico/AE

Na imensidão do Himalaia, pedidos coloridos a Buda

Cercadas por picos nevados, Ladakh e Leh guardam mosteiros seculares

Rachel Verano, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2009 | 02h53

O enorme Airbus mais parece uma pluma sobrevoando a imensidão do Himalaia. Pela janela, um mar de picos nevados cortando as nuvens. Alguns estão bem acima da rota traçada pelo avião, a 6 mil e poucos metros de altura. De repente, uma curva descortina a pista desafiadoramente espremida entre as montanhas e o Mosteiro Spituk, aos pés do aeroporto. Dá as boas-vindas num rasante. Leh, Ladakh, 3.500 metros de altitude, 4 graus negativos no outono. Céu de brigadeiro. Militares e monges na paisagem.

Cercado pelas regiões de Jammu e Caxemira, o Ladakh é um recanto pacífico em meio à turbulência do extremo norte da Índia (daí a presença constante de militares). Entre hinduístas e muçulmanos que se estranham há décadas, ostenta as coloridas bandeirinhas de oração budista. Oficialmente, faz parte da Índia. Mas poderia ficar no Tibete.

 

A semelhança não é apenas religiosa. Que o digam os rostos redondos e os olhos puxados da população. Os vales banhados pelo Rio Indo. A cozinha e o artesanato, ambos inspirados no outro lado da fronteira. E os retratos do Dalai Lama espalhados por todo canto - uma vez por ano, aliás, ele faz um retiro por aqui, vindo de Dharamsala, onde mora desde o exílio.

 

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SIMPLICIDADE

Neste Tibete indiano, o dia começa antes das 7 horas com a puja, as orações e as oferendas dos monges. Dois dos melhores mosteiros para estar nessa hora são o Matho, erguido no alto de uma colina (onde o canto dos religiosos ecoa pela amplidão do vale), e o Thiksey, a 17 quilômetros da capital, Leh, que guarda a mais famosa estátua de Buda da região, com 14 metros de altura. Mas há outros tantos que merecem uma visita. Shey, com seu Buda do século 17; Hemis, onde crianças e adolescentes aprendem os ofícios dos monges; Stakna, enfeitado por coloridíssimos painéis de origem butanesa.

O dia a dia no Ladakh é feito de coisas simples. De conversas com monges, de visitas a mosteiros, de pequenas e fascinantes descobertas. Como a tribo Drokpa, cujas características arianas levaram antropólogos a crer que esse povo que adorna os cabelos com flores artificiais e objetos de prata é descendente direto das tropas invasoras de Alexandre, o Grande.

A região é também uma das melhores do país para a prática de trekking, mas as estradas levam aos mesmos lugares encantadores: o Vale de Nubra, onde os peludos iaques fazer parte da paisagem; Bago, a antiga capital, com ruínas declaradas Patrimônio da Humanidade; Likir, famosa pelo mosteiro do século 11 recheado de belíssimos murais; Lamayuru, onde está o mais antigo mosteiro do Ladakh (erguido no século 10º), em meio a uma paisagem lunar.

DO ALTO

Kardung La, estrada que ostenta o título de mais alta do mundo, está a exatos 5.602 metros de altitude e a 39 quilômetros de Leh. O percurso, raramente percorrido em menos de duas horas, serpenteia montanha acima em uma pista estreita, sempre coberta por neve.

Lá no alto, o vento uiva, sacode com força as bandeirinhas com orações budistas, penduradas no abismo. E reforça a sensação de paz, eterna naquele trecho da Índia.

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