Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Na mansidão de Atins, nova 'Jericoacoara' do pedaço

O tempo costuma ser um ótimo indicador do quanto um lugar consegue tirar o visitante da sua rotina, em geral estressante e que clama constantemente por descanso. Quando um lugar consegue suprimir, ainda que por alguns dias, a noção das horas e fazer esquecer o dia da semana, eis um canto digno para tirar férias. Poucas agências de turismo em Barreirinhas vão dizer isso, mas faço questão: Atins é o lugar mais relaxante dos Lençóis Maranhenses.

Felipe Mortara/BARREIRINHAS, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2013 | 02h15

Podem argumentar que "não há nada o que fazer lá". Ainda que fosse verdade, o que não é definitivamente o caso, seria um ótimo motivo. Povoado pacato com ruas de areia fofa na barra do Rio Preguiças, Atins se aproveita da localização privilegiada para se fazer único. Dizem que será a próxima Jericoacoara e, a julgar pelo preço dos terrenos e a quantidade de estrangeiros por lá, não é algo difícil de acreditar.

Encravada entre a água doce e salgada, possui praias calmas ideais para praticar ou aprender kitesurfe - pergunte por instrutores. Um curso de 10 horas custa cerca de R$ 1 mil. Não bastasse isso, as atrações clássicas do parque nacional também estão incluídas nos tours locais. Quando cansar de tomar sol na gostosa praia salobra de Atins, contrate um dos passeios de jipe até as Lagoas Verde (o nome já diz tudo) ou do Mário, cercada por vegetação intensa .

Há cerca de um mês, os moradores descobriram uma novidade, batizada de Lagoa da Capivara (não, não tem bicho nenhum ali). Olha, se me pedissem a ingrata tarefa de ranquear as mais belas dos Lençóis, certamente estas águas verdes e de visibilidade de mais de 10 metros seriam as favoritas.

Para visitar essas preciosidades naturais, hospedagens cobram R$ 50 por pessoa pelo serviço com jardineira e guia. Entre as mais indicadas estão o caprichado Rancho do Buna (ranchodobuna.com.br), com diárias desde R$ 110, e a Pousada Irmão Atins, onde o simpático Irmão - apelido mais divertido da viagem - cobra R$ 120 por um quarto gostoso, com rede na varanda e banheiro forrado de conchinhas.

Indescritível. A apenas cinco quilômetros do centrinho, na área chamada Canto do Atins, esconde-se a maior joia da região. Uma lagoa? Uma praia? Não, um camarão. Ou melhor, vários camarões, grandes, aromáticos, saborosos, grelhados na brasa. A graça está na textura que soa quase inédita ao paladar, misturando uma crocância incrível por fora e uma suculência farta por dentro.

A antiquíssima receita - um segredo de família - veio da mãe de Antonio e Luzia, que deu fama mundo afora aos crustáceos do Canto do Atins. Na minha mesa, havia franceses e alemães que souberam do lugar pelos guias Lonely Planet e Routard. O Restaurante da Luzia (restaurantedaluzia.blogspot.com.br) atrai turistas há mais de 15 anos - há oito, Antonio e sua mulher Magnólia, que trabalhava na cozinha de Luzia, abriram o Canto dos Lençóis (98-9146-7742), logo ao lado, servindo a mesma iguaria. Concorrência fraternal pode.

O preço, R$ 30 por pessoa, inclui arroz, feijão e uma farofa, tudo delicioso. Leve dinheiro ou cheque - ali não há nem eletricidade, quanto mais cartão de crédito. Talvez o único senão seja o transporte, já que as pousadas cobram até R$ 150 por grupo para levar e buscar de 4x4. Mas tudo é negociável. O acesso até Atins desde Barreirinhas pode ser feito por barco ou jardineira, ambos a R$ 50 por pessoa.

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