Marcos Müller/Estadão
Marcos Müller/Estadão

Na neve com um pimpolho

Nosso correspondente recebeu dezenas de mensagens de apoio à coluna da semana passada que versou sobre o tema "Planos de Pilhagem". Ele leu o que chamou de "uma história mais triste do que a outra" e manda sua solidariedade aos leitores que fizeram contato. Mr. Miles, porém, não recebeu nenhuma manifestação de repúdio ou remorso de qualquer dos planos de fidelidade das companhias aéreas. Ele supõe que, como no caso dos passageiros, ninguém se deu ao trabalho de ouvir suas observações.

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2013 | 02h14

A seguir, a carta da semana:

Olá, mr. Miles. Meu filho de 4 anos nos pediu (a mim e ao meu marido) para conhecer a neve. Pensamos em viajar em agosto, provavelmente na segunda quinzena, aqui na América do Sul. Gostaria da sua opinião sobre destinos interessantes. Mas nosso desejo é ficar o tempo todo na neve e não apenas visitar parques turísticos. Tatiana Grell, por e-mail

"Dear Tatiana, sua pergunta teria respostas mais ou menos óbvias há alguns anos. Com o aquecimento global, however, nem todas as neves caem onde costumavam cair. Minha primeira observação diz respeito à idade de seu rebento. Com quatro anos de idade - e por mais precoce que ele seja -, estão definitivamente excluídos todos os programas com um pouco mais de ação. Heliskiing, for instance: seu filho ainda não me parece preparado para saltar de um helicóptero e descer montanhas sem qualquer tipo de pista, I presume. Aliás, se vocês optarem por uma estação de esqui - que são, presumivelmente, os únicos lugares onde deve haver neve -, ao pimpolho só restará a alternativa de fazer aulas para iniciantes. Não o conheço e, as you know, não tive filhos. Ouso dizer, nevertheless, que se o menino não gostar dessa atividade repetitiva e disciplinada, talvez ele desenvolva uma terrível aversão pelas neves no futuro.

É claro que sempre restam opções como fazer um boneco de neve ou (a que mais recomendo) enfrentar suaves inclinações a bordo de um pequeno trenó de plástico, desses que são vendidos em qualquer estação de esqui do gênero.

Você deve ter reparado, dear Tatiana, que não mencionei o que você chama de 'destinos interessantes'. Well: na verdade não entendi bem o significado dessa questão. Você fala em não 'apenas visitar parques turísticos'. Estações de esqui, por definição, são sempre lugares turísticos de inverno. Levam a vantagem de possuir uma estrutura mínima de apoio a meninos pequenos como o seu: restaurantes, piscinas cobertas, áreas de lazer (inclusive, my God, essas lamentáveis plataformas para jogos eletrônicos) e outras.

Se for esse o conceito que você busca, temos Valle Nevado, Portillo e Termas de Chillán, no Chile, e Las Leñas, na Argentina. São, todas elas, grandes transatlânticos (alguns menores) encalhados nas altitudes andinas que, por isso mesmo, têm maior possibilidade de receber uma boa cobertura de neve. Portillo, onde estive algumas vezes com meu amigo, o antigo cáften paraguaio (hoje magnata chileno), don Jaime Acuña Ibañez de Saavedra, é a mais familiar das estações de esqui da América Latina. Pequena, com boa comida e muito aconchegante. Valle Nevado e Las Leñas são maiores e mais modernas, mas menos aconchegantes. Chillán tem suas termas com - a meu ver disgusting - águas sulfurosas, mas concordo que minha opinião deriva do fato de que tenho muito boa saúde: os velhinhos dizem que aquelas águas são um bálsamo para suas dores. E tem também um cassino em que, I'm sorry to say, seu infante não será admitido.

Por fim, devo supor que você já saiba tudo sobre Bariloche, que não é uma estação de esqui, mas uma cidade que tem uma estação de esqui. Se não souber, basta perguntar para qualquer vizinho ou amigo: os brasileiros peregrinam para lá muito antes de haver um papa argentino."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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