Na rua, grafite vira peça de museu

Tours com mapa e audioguia orientam a visitação a desenhos nos muros de bairros turísticos de Lisboa

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2009 | 02h22

Um dia, o macaco com a banana pintado pelo norueguês Dolk dormiu na rua e acordou em um museu. E sem sair do lugar onde foi criado, um muro no Bairro Alto, em Lisboa. Em outra parede, ali por perto, ocorreu o mesmo com a professora e o aluno enfezados assinados pelo artista Above. São, hoje, considerados obra em exposição.

O museu em questão é, na verdade, um circuito ao ar livre. Recebeu o sugestivo nome de Efêmero pela natureza da arte ali exposta: são cerca de 50 grafites criados por artistas de fama internacional e outros nem tanto. Foi instituído formalmente em setembro, mas todos os trabalhos já existiam antes dessa data e estavam espalhados pelas paredes para quem quisesse ver. O Museu Efêmero simplesmente organizou a visita, reuniu informações a respeito dos artistas, criou um mapa e um audioguia para serem baixados na internet e colocou o grafite definitivamente na rota das artes em Lisboa.

O Bairro Alto ainda tem muitos sobradinhos e crianças jogando bola nas ruas, mas esses moradores antigos convivem com um número crescente de lojas descoladas de roupas, livros usados, discos e material de pintura. Cafés e restaurantes também se multiplicam, o que faz da região uma espécie de Vila Madalena em terra lusa. O grafite é bastante comum pelas fachadas. O vandalismo das pichações, também.

 

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"O que fizemos foi destacar os trabalhos que consideramos arte para incentivar as pessoas a apreciarem os seus detalhes", diz Marta Guimarães, da agência Leo Burnett, que idealizou o museu sob encomenda da Fundação Pampero, ligada a uma marca de bebidas e criada há 60 anos com o objetivo de ajudar artistas em início de carreira.

A mostra ao ar livre vai durar o tempo que o sol, a chuva e as reformas dos imóveis permitirem. Renovar ou não as obras ou aumentar o acervo depende exclusivamente da vontade de cada artista.

Expansão

Mas, quatro meses depois de ser criado, o museu já ganhou a primeira expansão. Duas "filiais" foram inauguradas em 29 de fevereiro na própria capital portuguesa, nos bairros São Bento e Amoreiras. O esquema é o mesmo: o audioguia e o mapa de localização das obras estão na internet para serem baixados gratuitamente. E a ideia pode ganhar espaço em outras cidades portuguesas. Porto, Setúbal, Faro e Coimbra são os possíveis endereços.

São Bento e Amoreiras ficam bem perto do Bairro Alto, na direção oeste, e ambos contam com outras atrações além de arte de rua pelos muros. No São Bento está a Casa Museu Amália Rodrigues, aberta em 2002 em homenagem à maior fadista portuguesa. No prédio revestido de azulejos do século 18 e recentemente restaurado há retratos da estrela, suas roupas e joias preferidas e condecorações cedidas por políticos.

Habitada por famílias ricas, Amoreiras tem uma das principais atrações turísticas de Lisboa. O Aqueduto das Águas Livres começou a ser construído em 1731, resistiu intacto ao terremoto que assolou a região 24 anos depois do início das obras e distribuiu água aos portugueses até meados dos anos 1960. O Museu da Água organiza visitas guiadas entre abril e outubro para mostrar detalhes realmente impressionantes, como um arco de 64 metros.

 

linkMuseu Efêmero: http://www.museuefemero.blogspot.com/ 

linkCasa Museu Amália Rodrigues: Rua de São Bento, 193

linkMuseu da Água: http://www.museudaagua.epal.pt/

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