Felipe Mortara
Felipe Mortara

Na terra ou no mar, a ordem é não ficar parado

Mergulho, trilha, pôr do sol... há muito o que fazer em Fernando de Noronha

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

27 Abril 2015 | 23h55

Por mais que “lagartixar” ao sol seja a alma de uma viagem de praia – ainda mais numa espécie de Disneylândia litorânea –, Noronha tem um leque de atrações que vão além da preguiça nas areias. Como dois terços da ilha estão em área protegida, para acessar a maior parte delas é necessário apresentar o comprovante de entrada no parque nacional, à venda na sede do ICMBio, no Boldró, ou na Praça Flamboyant, na Vila dos Remédios (R$ 75 para brasileiros e R$ 150 para estrangeiros).  

Ilha Tour  

O mais popular dos passeios de Noronha é também o mais necessário e um dos mais acessíveis. Por uma média de R$ 130 (sem almoço) por pessoa, um guia o busca logo cedo num 4X4, em sua pousada, com destino às principais praias. Sem dúvida, o melhor jeito de ter uma ideia geral da ilha e das distâncias para escolher seu cantinho preferido – e retornar com calma. No roteiro, Sancho, Baía dos Porcos, Leão e Sueste, com parada para banhos e snorkeling. Desde R$ 100 na Costa Blue; R$ 130 na Atalaia

Mergulho 

Sem exageros, Noronha é a meca brasileira do mergulho. O batismo permite que não iniciados desçam a até 12 metros de profundidade, por cerca de 30 minutos, em pontos abrigados como Ressurreta e Ilha do Meio (em média R$ 400, com um mergulho). Já os iniciados têm muito o que aproveitar, em pontos como Pedras Secas, Trinta Réis e Caverna da Sapata. As principais operadoras são Atlantis, Noronha Divers e Águas Claras.

Barco 

Tudo ganha novos contornos no tour que zarpa do Porto de Santo Antônio logo cedo e passa pelas ilhas Rasa, Sela Gineta e do Meio. Navegando apenas pelo Mar de Dentro, segue até a Ponta da Sapata, um dos extremos da ilha, passando pelas praias do Boldró, do Bode, do Americano e Baía dos Porcos. Com um tico de sorte avista-se golfinhos-rotadores. Na volta, parada para banho e snorkeling no Sancho. Muitas operadoras servem almoços a bordo, geralmente churrasco de peixe. Entre as principais, Happy Days (R$ 100) e Na Onda (R$ 160). 

Pôr do sol

Na sua rotina pode até passar batido, mas em Noronha é ritual. O astro desce por trás do Morro Dois Irmãos duas vezes por ano, em fevereiro e outubro, mas o show rola diariamente. As ruínas do Fortinho do Boldró são o ponto oficial, com direito a aplauso – o acesso é gratuito. A navegação ao entardecer também é ótima opção para ver o sol descer no mar. Em média, R$ 150. 

Trilhas 

Não tão famosas quanto o fundo do mar, as trilhas de Noronha levam aonde os barcos não alcançam. As mais frequentadas são as do Atalaia, de 2 ou 4 horas, com parada para snorkeling nas piscinas naturais da praia homônima. Por ser um berçário de tubarões –, não há registro de ataques na ilha – a área é restrita a 200 visitantes por dia. Para ambos os percursos é preciso reservar pessoalmente e com antecedência na sede do ICMBio, no Boldró, mas só o longo requer guia (R$ 100). 

A Trilha do Golfinho é mais tranquila e autoguiada, além de permitir a cadeirantes conhecer o mirante da baía onde os golfinhos-rotadores pernoitam e dão show cedinho (sem guia, acesso incluído na entrada do parque).  Os mais destemidos terão um desafio pleno na Trilha do Capim-açu, que ziguezagueia por 8 quilômetros pelo lado sudoeste do parque e leva 6 horas até a redentora Praia do Leão. Melhor para quem tem mais preparo físico. Só com guia; desde R$ 150 por pessoa. 

Projeto Tamar

Muito além de tudo o que você precisa saber sobre as tartarugas, a sede do Projeto Tamar, no Boldró, representa para Noronha um polo onde a ideia de preservação é difundida para os visitantes. Recém-chegados ou não se reúnem por lá diariamente, às 20 horas, para acompanhar palestras com temas que mudam a cada dia sobre a biodiversidade da ilha, de tartarugas (claro) a tubarões e aves.

Descanso merecido para bolsos variados

Basta um pouco de bom senso para perceber que estar em Noronha já é um privilégio. Por se tratar de um destino essencialmente ao ar livre ou subaquático, o lugar em que o viajante menos deveria passar tempo é no quarto da pousada. Isso no melhor dos mundos, claro. Em caso de chuva – comum na baixa temporada – este pode acabar sendo seu refúgio. Do plebeu ao monarca, as opções de acomodação são tão variadas quanto os preços. Em comum, todas prezam por um café da manhã realmente farto e caprichado. Muitas oferecem Wi-Fi, ainda que o sinal na ilha seja instável.

Como quase tudo em Noronha, a hospedagem é cara. Talvez até seja o que impulsione os preços altos praticados por toda a parte. As acomodações mais simples são quartos em casas de moradores transformadas em pousadas, como a do Eli, com estrutura razoável e diárias desde R$ 309 por casal, e a do Bita, desde R$ 385. No continente, dificilmente cobrariam esses valores. 

Entre as menos caras, vale pesquisar para encontrar o melhor custo-benefício, como a Mar Atlântico. Confortáveis, os quartos custam desde R$ 399 e ostentam em suas paredes xilogravuras exclusivas do mestre cordelista J. Borges. Na mesa, um café da manhã que dá vontade de passar o dia comendo – prove a crepioca (mistura de crepe e tapioca) e o bolo de macaxeira. 

Na mesma linha, a Pousada da Villa oferece estrutura correta por R$ 511, apesar da localização na Vila do Trinta, a 15 minutos a pé da Vila dos Remédios. Já o Hotel Dolphin, no rol dos mais antigos da ilha, garante uma convidativa piscina a partir de R$ 498 por dia. 

Em grande estilo. De alguma maneira, Noronha parece ter encontrado no conforto a redenção para seu isolamento. Localizada na Vila do Vai Quem Sabe sem número, a poucos passos da Praia do Sueste, a Pousada Maravilha é perfeita para casais apaixonados. Com uma média de cinco funcionários para cada um dos oito quartos, preza pelo atendimento exclusivo para justificar diárias a partir de R$ 2.025. 

Quase sinônimo de sofisticação, a Zé Maria concilia luxo e despojamento. A vista da piscina para o Morro do Pico é marca registrada do local, cujos restaurante e festa de réveillon são referências na ilha. Na baixa, as diárias começam em R$ 738. 

Sem a autenticidade nem a paisagem do Zé Maria, a Triboju se esmera com suítes temáticas e decoração africana para oferecer uma experiência distinta – a rede na varanda do bangalô luxo (R$1.528). Sob o mote do ecologicamente correto, a Teju-açu foi erguida com madeira de reflorestamento, mas encanta no charme sóbrio de seus bangalôs (desde R$ 1.389) e na complexidade de sua gastronomia.

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