Cleiton Thiele/Divulgação
Cleiton Thiele/Divulgação

Não se preocupe com a ceia

MÔNICA NOBREGA , FELIPE MORTARA, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2014 | 02h06

Viajante de última hora, pode respirar aliviado. Apesar de faltar pouco, ainda dá tempo de planejar o fim de ano longe de casa sem estourar (muito) o orçamento. O atípico ano de 2014, com Copa do Mundo de futebol e eleições que mudaram o ritmo dos últimos meses, deu sua ajuda: muita gente ainda não garantiu a viagem de Natal e réveillon.

"Muitos deixaram para fazer suas reservas depois das eleições", afirma Edmar Bull, vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav). Segundo ele, ainda restam cerca de 30% de pacotes para as datas festivas disponíveis nas agências de viagem do País. E, ao contrário do que se poderia esperar, nem todos os preços estão nas alturas. Mesmo no caso das viagens ao exterior, mais afetadas pela alta do dólar, que está em seu maior patamar desde 2008, acima dos R$ 2,50.

"A oferta está maior do que a demanda", afirma o executivo. "E as empresas aéreas diversificaram os aeroportos no País, agora partem de mais capitais, o que também ajuda a baixar preços. Para os Estados Unidos, por exemplo, há voos partindo do País todo."

Esse movimento é explicado pelas concessões de aeroportos brasileiros feitos à iniciativa privada nos últimos dois anos, que fomentaram a disputa por novos voos internacionais.

"Está aumentando a inserção brasileira no tráfego internacional", diz Adalberto Sebeliano, consultor técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). A companhia aérea portuguesa TAP, por exemplo, em 2009 operava 57 frequências semanais para oito cidades brasileiras. Hoje, são 82 voos a cada semana, para 12 cidades pelo Brasil, do Sul ao Nordeste.

Na prática, significa que ainda é possível encontrar um pacote de 7 noites para o réveillon em Paris, saindo do Brasil em 27 de dezembro, por US$ 2.556 por pessoa (cerca de R$ 6.450), valor oferecido pela Soft Travel (softtravel.com.br), que inclui aéreo, hospedagem e cruzeiro pelo Rio Sena com almoço e bebidas.

Se for o caso de uma viagem a dois, pode sair mais em conta que um pacote nacional com o mesmo número de noites - caso do oferecido pelo resort Costão do Santinho (costao.com.br), em Florianópolis, cujos preços começam em R$ 21.293 para o casal, sem o aéreo desde São Paulo.

A diferença é que, além da infraestrutura do resort e de incluir todas as refeições, o pacote do Costão do Santinho prevê esportes, lazer, atividades e festas de réveillon a semana inteira, bem à moda brasileira. Em Paris, você vai caminhar para lá e para cá pela Champs Elysées (talvez com neve); e, se, à meia-noite do dia 31 de dezembro, um único fogo de artifício pipocar no céu, terá sido por obra de um turista gaiato. Não há festa pública na capital francesa.

Passagem aérea. A questão, portanto, é calibrar expectativas e orçamento. As companhias aéreas têm dado sinais de que ainda restam muitos lugares à venda. A Gol fez feirão de passagens nos quatro últimos fins de semana, dois deles incluindo os feriados de Natal e réveillon. A TAM fez duas promoções no período, uma delas para viajar no fim do ano.

As empresas não confirmam futuras promoções com antecedência, mas o movimento do mercado mostra que elas devem ocorrer, sim. É questão de ficar atento aos sites das companhias - e seguir nas redes sociais. O site melhoresdestinos.com.br é especializado em vasculhar promoções de passagens aéreas. Outra medida decisiva para quem precisa economizar é ter flexibilidade de datas e horários. Voos nos miolos dos feriados custam menos.

Vale ainda prestar atenção às promoções de milhas reduzidas para alguns trechos, que também têm ocorrido nas últimas semanas. Para quem pretende viajar a destinos brasileiros, os feriados de fim de ano são uma boa justificativa para usar os pontos acumulados nos programas de fidelidade.

Expectativas. Após uma década de crescimento, nos últimos dois anos o mercado interno de turismo deu uma leve desacelerada. Mas, mesmo em um ano em que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) não deve alcançar 1%, o vice-presidente da Abav, Edmar Bull, tem expectativa positiva para o fim do ano. "Estamos esperançosos de que o crescimento do turismo chegue a 5,5%", diz.

Já o presidente da Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa), Marco Ferraz, afirma que "se fecharmos estáveis em relação a 2013, já estaremos supercontentes". Mas mostra algum otimismo para a alta temporada. "No começo de 2015, a demanda reprimida poderá ter uma vazão." É o caso, portanto, de acelerar a decisão de passar o ano-novo em casa ou passar janeiro na estrada. / COLABOROU CLAUDIA MÜLLER, ESPECIAL PARA O ESTADO

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