Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Nas areias de Caraíva, sem trânsito nem salto

O trajeto de volta a Porto Seguro guarda cenários irretocáveis. Programe-se: vai ser difícil resistir a uma extensão das férias

CARAÍVA, O Estado de S.Paulo

12 Março 2013 | 02h11

A volta de Prado a Porto Seguro pode ser uma agradável extensão da viagem para quem programar algumas paradas pelo caminho. Comece por Caraíva, onde as ruas de areia fofa são inimigas das malas de rodinha e das sandálias de salto. Melhor apostar na combinação mochila e Havaianas - se for preciso, os burro-táxis são, com o perdão do trocadilho, uma mão na roda. Por R$ 20, eles levam os desavisados até a porta das respectivas pousadas.

Alma do vilarejo, de cerca de mil habitantes, o Rio Caraíva é passagem obrigatória. Na canoa só atravessam pessoas: carros, motos e outras preocupações ficam na margem de lá, a 90 quilômetros de Porto Seguro. Tal restrição ajuda a definir esse lugar onde a luz elétrica chegou há cinco anos, sob discussões de que o progresso alteraria um modo de vida naturalmente tranquilo.

Até agora, tudo bem. Só há um momento em que a calmaria se quebra: à noite. O arrasta-pé vai até o amanhecer nas duas casas principais, o Forró do Ouriço e o Forró do Pelé. Se não estiver a fim de agito, o melhor é não se hospedar muito perto do rio.

Sol e mar. Na praia de areia fofa - deixe para caminhar na maré baixa - há dois polos principais. O Bar da Praia (casasdapraiacaraiva.com.br) concentra a turma da paquera, embalada por um som à la Ibiza. Na barra do rio, sob tendas feitas de canga, banhistas se alternam entre a água salgada e a doce - em geral, mais quentinha e menos agitada.

O ponto de intersecção fica atrás do rio. As mesas do Boteco do Pará (botecodoparacaraiva.com.br) são disputadas, especialmente ao pôr do sol. No cardápio, cerveja gelada (R$ 7) e pastéis no ponto (vá no de arraia e no de queijo canastra com doce de leite, por R$ 4,50).

Por aí. Resista à tentação de ficar estirado na areia diariamente e invista em dois passeios. A começar pela Praia do Espelho, a 10 quilômetros. Há três formas de chegar lá: de carro (táxis cobram desde R$ 250); barco (leva 1 hora e custa R$ 60); ou saindo cedo para caminhar, voltando de barco no fim da tarde.

Foi o que fiz. O percurso de três horas guarda uma beleza ímpar que inclui as lagoas escuras da Praia do Satu - um ótimo ponto para se refrescar e descansar. A chegada ao Espelho é fascinante. Mas o desafio é arrumar um lugar para ficar sem pagar consumação mínima abusiva, de até R$ 150 por pessoa. Vá direto à Pousada Enseada do Espelho (enseadadoespelho.com.br): água de coco a R$ 4 e um excelente e farto nhoque de aipim com frutos do mar (R$ 54) dão direito a sombra e ducha.

O segundo passeio tem como destino a Ponta do Corumbau. O buggy parte de Caraíva, atravessa o Parque Nacional Monte Pascoal e chega até as margens do Rio Corumbau. Ali, paga-se R$ 8 para cruzar de canoa - basta uma caminhada curta para alcançar o destino. Na maré baixa, surge uma esplêndida faixa de areia que pode alcançar 2 quilômetros de extensão. Mais fotogênico, impossível. O buggy fechado custa R$ 150. /FELIPE MORTARA

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