Paulo Saldaña/Estadão
Paulo Saldaña/Estadão

Nas curvas da primeira região vinícola demarcada no mundo

As margens dos 207 quilômetros do Rio Douro em Portugal guardam algumas das melhores experiências que uma viagem em busca de sabores e paisagens pode oferecer. Este é um dos principais destinos do enoturismo no mundo. Cenário imbatível da combinação de natureza e trabalho árduo de agricultores ao longo dos séculos.

Paulo Saldaña, Douro /O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2013 | 02h11

Avistar do alto de um do morro o Vale do Douro já é uma recompensa. Os picos desenhados por vinhas, construções seculares e o rio definem o charme rústico do lugar. O Douro é a primeira região vinícola demarcada do mundo. Foi o Marquês de Pombal que, em 1756, fez a demarcação e impôs regras de produção e qualidade.

É possível ver algumas plantações de laranja, castanheiras e oliveiras, mas são as vinhas que dominam a paisagem. São mais de 80 vinícolas entre a foz do rio, no Porto, e a fronteira com a Espanha. Com o cuidado de agendar antes, é possível visitar praticamente todas elas. Algumas têm hotel, como a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo.

Visitamos a Quinta do Crasto, na margem direita, entre a Régua e o Pinhão, a menos de 1 hora de carro do Porto. As primeiras referências dessa área datam de 1615. A vinícola reúne o que há de melhor no Douro. De quase todo lugar se vê o rio e os recortes que ele faz nas montanhas. As vinhas são extremamente bem cuidadas, é possível passear e roubar umas uvas do pé. Na vindima, dá para acompanhar a chegada das frutas, a seleção manual e a pisa feita pelos funcionários nos lagares.

Crasto tem planos de expansão mas, por enquanto, mantém quatro quartos elegantes e confortáveis. Um clima tão acolhedor que você não quer nem deixar a toalha em cima da cama ao ir embora.

Come-se ali mesmo, ao lado do centenário casarão principal, onde a família Roquete, dona da quinta desde o início do século 20, fica quando está por lá. Da cozinha saem delícias como bacalhau com natas ou lula com batatas ao murro. Os pratos chegam à mesa em travessas grandes, como se faz em casa. E, claro, bons vinhos não faltam.

A Quinta do Crasto protagoniza, ao lado de outras vinhas da região, o sucesso das excelentes produções de vinho de mesa do Douro. Até quem não é especialista no assunto percebe as qualidades de rótulos como o Vinha da Ponte e o Reserva Vinhas Velhas. Esse último, produzido a partir de uvas de vinhas com idade média de 70 anos.

Para quem está de passagem, é possível um almoço com degustação de vinhos. Sai por 80 e, dizem por lá, a vista para o Douro é cortesia (quintadocrasto.pt).

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