Nas garrafas, o melhor da paisagem

Apreciados no mundo inteiro, vinhos locais são intensos e variados, carregados de luz, nobreza e história

Luiz Horta, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2009 | 02h47

Se os vinhos são uma forma de engarrafar a paisagem, basta olhar a Toscana para saber a qualidade dos que são lá produzidos. Como as colinas e a arquitetura da região, eles são cheios de história, intensos e variados, com muita luz, foco e tons definidos. Orgulhosos de sua linhagem, que vai até os nomes renascentistas e nobres de Frescobaldi, Ricasoli e Antinori, eles pedem paciência e atenção. São os famosos Chianti, Nobile de Montepulciano e Brunello de Montalcino, além dos modernos supertoscanos.

 

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Esse é o país da sangiovese, uva de pele fina, que resulta em menos taninos, menos cor e ótima acidez. Um bom produtor consegue extrair dela vinhos elegantes, bons para acompanhar comida. Os melhores mostram aroma de amoras e tendem a durar consideravelmente, ganhando complexidade com o tempo. Dos vinhos da região (em geral cortes em que a sangiovese predomina ou mesmo monovarietais, algo que só recentemente a legislação permitiu) os mais famosos e, curiosamente, mais amigáveis e fáceis de consumir (e com preço cabível, diante do valor dos supertoscanos), são os da região de Chianti Classico.

 

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O vinho foi inventado pelo barão de Ricasoli, cujo centenário se comemora agora. Ele criou a fórmula (com 70% de sangiovese e 30% de outras uvas autóctones) que domou os vinhos e tornou-os quase um símbolo da vinicultura italiana no mundo. Fórmula que se desvirtuou ao longo dos anos, em que predominaram os chianti vulgares e comerciais. No fim dos anos 80 houve uma reação dos produtores sérios e a denominação de origem Chianti Classico retomou sua qualidade. A promessa da casa Ricasoli para as comemorações do centenário é revelar os escritos originais do barão, nos quais se pode acompanhar o nascimento de um estilo de vinho e de toda uma região.

MODO DE USAR

Os vinicultores - e isso vale para o mundo todo - são gente hospitaleira. Como o vinho é festivo, ligado à boa mesa e ao prazer, seria um oxímoro se os produtores mantivessem as portas fechadas aos visitantes. Mas é preciso respeitar as regras.

Como as vinícolas costumam ser afastadas dos centros urbanos, os vinicultores valorizam os viajantes que se dispõem a sacrificar uma parte de seu dia de atividades turísticas tradicionais (como vistoriar museus e lojas) para passar algumas horas aprendendo o processo de vinificação e visitando vinhedos. Eles sabem que esse tipo de turista está em busca de algo mais que vinho grátis. Quer entender o terroir, ver a bebida em contexto, nascendo.

A recompensa costuma ser uma degustação de alguns vinhos top com produtos locais, queijos, pães e embutidos. Mas lembre-se que aquilo é o trabalho do seu anfitrião. Ele gosta de visitas, mas precisa trabalhar. E as vinícolas familiares são pequenas, não podem atender excursões inteiras.

Planeje umas poucas que queira visitar, mande um e-mail ou tente o telefone. Agende e respeite escrupulosamente o horário marcado. Algumas cobram pelo tour. Entenda: eles vendem vinho, não são uma utilidade pública. As taxas são modestas, geralmente cobrem a pequena despesa que terão com você, incluindo uma ou outra taça de vinho.

As maiores e mais sofisticadas, muitas vezes situadas em prédios históricos, castelos ou abadias (os registros sobre vinhos na região datam do século 13 e a produção era predominantemente ligada às ordens religiosas), têm restaurantes. Neste caso, a relação comercial é mais clara e fácil. E há o interesse adicional pelos edifícios em que se situam.

PARA CONHECER

linkBadia a Coltibuono: com sede numa milenar abadia cisterciense, é um respeitável produtor de Chianti Classico. A família Stucchi Prinetti mantém um hotel, um charmoso restaurante e oferece cursos de cozinha, visitas guiadas (5 euros ou R$ 15 por pessoa, para grupos de até cem visitantes) e degustações. Site: www.coltibuono.com.

linkCastello di Brolio: do barão de Ricasoli. A vinícola oferece três tipos de visitas - a mais interessante, do ponto de vista dos vinhos, chama-se Descoberta e Experimentação, dura 90 minutos e custa 25 euros (R$ 75), com degustação. Site: www.ricasoli.it.

linkAntinori: um dos nomes mais famosos da moderna Itália vinícola, o marquês de Antinori tem propriedades em toda a região. Cada uma delas conta com programa e horários de visita especiais. Site: www.antinori.it.  

linkConzorcio del Vino Chianti Classico: www.chianticlassico.com

Conzorcio del Vino Nobile de Montepulciano: www.consorziovinonobile.it

Conzorcio del Vino Brunello de Montalcino: www.consorziobrunellodimontalcino.it

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