Luca Bruno/AP
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Navios gigantescos de cruzeiros são proibidos de navegar em Veneza

País declarou canais da cidade como 'monumento nacional'; proibição entrará em vigor em 1º de agosto

Frances D'Emilio, AP

13 de julho de 2021 | 16h36

Declarando os canais de Veneza um "monumento nacional", a Itália está proibindo os gigantescos cruzeiros de navegar na cidade da lagoa, que deve ser declarada patrimônio mundial pelas Nações Unidas no final deste mês. O ministro da Cultura, Dario Franceschini, disse que a proibição foi adotada com urgência em uma reunião de gabinete na terça-feira e entrará em vigor em 1º de agosto.

Ela se aplica à bacia da lagoa perto da Praça de São Marcos e do Canal Giudecca, que é uma importante artéria marinha em Veneza. Franceschini disse que o governo decidiu agir rapidamente "para evitar o risco concreto" de que a agência cultural da ONU, Unesco, inclua Veneza em sua lista de "patrimônio mundial em perigo" após o início da reunião no final desta semana em Pequim. O decreto também "estabelece um princípio inquebrável, ao declarar os canais urbanos da Bacia de São Marcos, do Canal de São Marcos e do Canal de Giudecca um monumento nacional", acrescentou o ministro.

Antes que a pandemia de coronavírus reduzisse severamente as viagens internacionais, navios de cruzeiro descarregando milhares de excursionistas sobrecarregaram Veneza e seu delicado ambiente marinho. Ambientalistas e órgãos de patrimônios culturais lutam há décadas com interesses comerciais, já que a indústria de cruzeiros é uma importante fonte de receita para a cidade.

A decisão do governo foi "aguardada pela Unesco e por todos aqueles que estiveram em Veneza e ficaram incomodados com o enorme tamanho desses navios que passam pelo lugar mais frágil e bonito do mundo", disse Franceschini aos jornalistas. A Unesco recomendou, no mês passado, colocar Veneza na lista da agência de locais do Patrimônio Mundial em Perigo. Não houve nenhum comentário imediato da agência cultural da ONU. O governo italiano, no início deste ano, decidiu por uma proibição, mas sem definir rapidamente uma data para seu início.

Mas agora o governo "impôs uma forte aceleração" para implementar a medida dada à iminente revisão da Unesco, disse Franceschini em comunicado. Outro ímpeto foi o aparecimento, no início de junho, de um navio de cruzeiros de  92 mil toneladas abrindo caminho pelo Canal de Giudecca pela primeira vez desde a chegada da pandemia no início de 2020, que efetivamente suspendeu o turismo de massa em Veneza.

A proibição se aplica a navios com peso superior a 25 mil toneladas ou mais de 180 metros (530 pés) ou com outras características que os tornariam muito poluentes ou opressores para o meio ambiente de Veneza. O escritório do premier italiano Mario Draghi especificou que os navios que não têm nenhuma dessas características e, portanto, "são considerados sustentáveis" para o ambiente veneziano, podem continuar a atracar na cidade.

O escritório do premier observou que os navios permitidos geralmente têm cerca de 200 passageiros em comparação com as milhares de pessoas que navios de cruzeiro carregam. Com apenas algumas horas de parada em Veneza, os passageiros dos grandes transatlânticos tendem a se aglomerar em torno de locais turísticos clássicos como a Praça de São Marcos. Não são permitidos carros na Veneza histórica, que consiste em vielas estreitas e muitas pontes ligando as passagens. Durante a alta temporada turística, que ocupa boa parte do ano em Veneza, percorrer a cidade como um pedestre é um desafio assustador.

O decreto do Conselho de Ministros também estabelece mecanismos de compensação para as empresas de navegação e outras afetadas pela proibição. Até que uma área de atracação mais adequada possa ser estabelecida em outras águas fora do coração de Veneza, o governo aprovou a criação de pelo menos quatro locais de atracação temporários perto do porto industrial de Marghera, localizado no noroeste do Mar Adriático.

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