Nem o céu é o limite para as taxas que vêm por aí

Nosso viajante manifestou-se 'very proud', pela quantidade de correspondências que recebeu pela coluna anterior, quando recomendou a todos uma visita a Medellín

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2016 | 00h15

O viajante inglês ficou ainda mais satisfeito ao ver que os outros eleitores também escolheram o país de Macondo e Garcia Márquez como um modelo de lugar a visitar. A junção de montanhas alpinas e águas caribenhas é uma bênção. “E sempre é possível encontrar Wagner Moura vestido de Pablo Escobar”, terminou.

A seguir, a pergunta da semana:

E essa agora, Mr. Miles? Já não chega o preço da passagem, vamos ter de pagar também pelas malas embarcadas? Matilde Simoneschi, por e-mail

Well, my dear: odeio fazer o papel de profeta do demônio, mas tempos atrás – só os meus seguidores mais assíduos vão lembrar –, arrisquei alguns palpites baseados na velocíssima queda na qualidade das companhias aéreas e nas soluções que certamente já andavam na cabeça dos gênios de plantão para oferecer melhores resultados aos acionistas. Shame on them

Colocar preço na bagagem– independentemente dos limites outrora aceitos – pareceu-me uma solução óbvia. ‘Querem bagagem?’, perguntam os fabricantes de tarifas. ‘Então comprem no destino!’ Ninguém escapa, na ida, na volta, de jeito nenhum.

Vou refrescar a memória de vocês. Aguardem porque, unfortunately, chegará o dia! Assim que o rendimento advindo do novo custo das malas for absorvido pelo sistema, é bom viajar de avião com uma sacola de moeda no bolso. Parece-me óbvio que a próxima taxação atingirá os assentos: para que reclinem, I presume, o passageiro terá de pagar uma taxa simbólica... Digamos que US$ 5 em voo local, e US$ 15 em voo internacional. Vocês acham que isso é um devaneio? Claro que os preços podem variar – exclusivamente para cima – conforme o grau de inclinação da poltrona. 

Mas de que vai adiantar você reclinar o assento se não houver luz de leitura? Well: não sejamos parciais. É claro que a luz continuará existindo. A diferença é que, nas aeronaves do futuro, você terá de pagar uma taxa para iluminar seu livro ou suas palavras-cruzadas. Porque, by the way, não haverá revistas de bordo e sequer catálogos do duty-free se você não se dispuser a pagar por eles.

Be aware, my dear: eles estão se preparando. Cobertor e travesseiro? Ora, levem de casa, mas, of course, sabendo que vão pagar por eles como bagagem, isn’t it? Comida de bordo? Só nos trechos que superarem as 15 horas de voo. Você, claro, poderá levar seu farnel, mas, again, pagará por ele como bagagem.

Safadinhos esses burocratas, don’t you agree? Safadinhos, mas corretos. Soube por um amigo de um amigo que já está em prova o taxímetro que haverá nas portas do banheiros. Tudo muito justo: ninguém gasta mais do que usa. However, se você estiver em um daqueles dias em que a kidney pie (N. da R.: torta de rim, prato muito preparado por tias inglesas como a de Mr. Miles) está vencida, é melhor levar o seu cartão de crédito sem limites. Do you know what I mean?

Enfim, my friends, lamentavelmente a tendência é piorar. Assentos de plástico, máscaras de oxigênio em poucos lugares, apenas para os de mais sorte etc. O objetivo geral é diminuir a dimensão do passageiros, de modo que ainda caibam mais fileiras na aeronave.

E eu ia esquecendo como vai ficar mais barato viajar quando o custo de utilização de finger dos aeroportos for repassado aos viajantes. Nesse caso, para que seu périplo não fique ainda mais caro, você precisará escolher voos estacionados em posições remotas. Será uma longa caminhada porque ninguém vai querer os ônibus que deverão deixar de existir. A sorte é que, dado o custo das bagagens, você poderá chegar sem nada na mão para atrapalhar.

O mais triste, I must say, é que, como a mentalidade não muda, a tendência é que caminhamos para viagens cada vez mais desconfortáveis. Mas isso poderá ser evitado. No futuro, apenas as cinco classes mais econômicas é que vão passar por esse inferno de Dante. Disseram-me que, se tudo correr bem, os passageiros da primeira classe talvez até ganhem uma barra de cereal.”

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 312 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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