Corey Rich/Divulgação
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Neve: o quente da estação

As temperaturas até são baixas, mas o clima nos resorts de esqui e snowboard da América do Norte é dos mais animados e as novidades, fresquinhas, fresquinhas. Escolha a sua

Mônica Nobrega / SOUTH LAKE TAHOE, O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2014 | 16h30

 

Quando me dei conta, o desânimo que havia sentido de manhã bem cedo, movido a dores nos pés e pernas provocadas pelo peso das botas de esqui, tinha virado empolgação. Aquela ali, que deslizava morrinho abaixo com um mínimo de leveza e despreocupação, era eu mesma. E até cantava junto o refrão de Modern Love, que vazava na voz de David Bowie dos alto-falantes de Heavenly.

A estação de esqui no Estado de Nevada, na divisa com a Califórnia e na margem sul do belíssimo Lago Tahoe, foi minha segunda tentativa de esquiar – a primeira ocorreu no dia anterior, em Mt. Rose, menorzinha e simpática. Por causa da infinita paciência dos instrutores, fez-se a mágica: caí de amores pela brincadeira de deslizar na montanha.

Para quem sofre do mesmo mal de amor, é hora de planejar. A temporada de neve nos Estados Unidos e no Canadá, cujos detalhes estão nesta e nas próximas páginas, começa em novembro e vai até meados de abril.

Heavenly foi uma deliciosa surpresa desde que coloquei os pés para dentro da gôndola que leva do centrinho comercial Heavenly Village ao meio da montanha, onde está o restaurante-base. À medida que a cabine ganha altura, o lago fica mais distante e parece crescer. As coníferas passam do verde ao branco.

No desembarque, a gôndola entrega o visitante a um ambiente com trilha sonora para agradar à juventude empolgada que compõe a massa de frequentadores de Heavenly: Lily Allen, One Direction, Pharrel Williams. Dali, a moçada já sai esquiando rumo aos teleféricos. Eu, ainda sem esquis, precisei da ajuda do instrutor Roy Ranne para chegar à área da escola de esqui e snowboard.

Não fui a mais desajeitada da turma por muito tempo. “Você quer esquiar hoje? Então você vai esquiar”, incentivou Roy. Depois de duas horas de aulas, convidou o grupo à primeira descida de verdade. Uma pista para iniciantes com altura e extensão suficientes para precisar de uma carona do teleférico Big Easy. Fora o quase tombo na complexa tarefa de saltar da cadeira do teleférico com esquis conectados aos pés, de repente lá estava eu, cantando Bowie.

Sorte dos experts. Espalhadas pela montanha de até 3 mil metros de altitude, Heavenly tem 97 pistas, das quais 20% são para iniciantes e outros 35% para os experts. Estes são os mais sortudos: é preciso subir lá no alto (e descer esquiando) para admirar a paisagem mais bonita: a divisão que a montanha impõe ao relevo, deixando o lago a oeste e o deserto a leste. Aos pés da montanha, a novidade prometida para a temporada 2014/2015 é a inauguração de um hotel-cassino Hard Rock, com 539 quartos e 500 máquinas caça-níqueis.

Na Heavenly Village e nos hotéis da cidade, a três quarteirões dali, há uma boa seleção gastronômica. Já o almoço no Tamarack Lodge, lá no alto, é mesmo de fast food: hambúrguer, pizza, macarrão, sopa e um bufê de saladas honesto. Depois de comer, ainda encaramos o tubbing, descida em boia por tobogãs esculpidos na neve (US$ 30 o passe para 1 hora).

Nesta temporada, de 21 de novembro a 19 de abril, Heavenly terá novamente DJ circulando pelas pistas. Diariamente, às 15h30 começa a festa Unbuckle no Tamarack, com dançarinas, drinques pela metade do preço e a pista de dança tomada por um público que nem parece que acabou de suar o fleece por horas. O pessoal desamarra (“unbuckle”) as botas e arrasa no rebolado.

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