Paulo Liebert/AE
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No Brasil, desbrave o sertão pelo Velho Chico

Esqueça as praias paradisíacas com seus coqueirais, areia branquinha e barcos no horizonte. Esqueça as ondas, esqueça o mar. Aventure-se por outros caminhos: siga para o sertão, para a caatinga, para uma região onde histórias do cangaço ainda são lembradas. Carne de sol, buchada, farinha, mandioca. Vaqueiro, violeiro, cantador. Cordel e mamulengo. Vá pelo rio. Mais precisamente, pelo São Francisco.

PAULO LIEBERT , CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2012 | 03h09

Surpreenda-se ao navegar por um dos maiores cânions do mundo, entre formações rochosas de mais de 60 milhões de anos que sobem das águas cristalinas do São Francisco e que chegam a 50 metros de altura. Cenário de filme e novela, o Cânion do Xingó, em pleno semiárido nordestino, é um vale profundo com 65 quilômetros de extensão, profundidade de até 170 metros e largura variável entre 50 e 300 metros. É a imensidão na divisa de Sergipe e Alagoas.

Antes de 1995, o leito do rio não era navegável nesse trecho. O vale foi inundado com a construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Xingó, o que permitiu a navegação com catamarãs e escunas em passeios que hoje partem de Canindé de São Francisco, a 200 quilômetros da capital Aracaju.

A cidade é o portal de entrada do chamado Complexo Turístico do Xingó. Ali, os amantes do ecoturismo podem caminhar por trilhas onde Lampião e seu bando passaram e conhecer pinturas rupestres que datam de 9 mil anos.

Se você pretende fazer outros passeios além da travessia do cânion, programe ao menos um pernoite. A viagem de Aracaju a Canindé de São Francisco dura cerca de três horas, por estrada asfaltada em boas condições.

A travessia do cânion dura mais três horas. Uma hora de ida, uma de parada e outra para retornar. O catamarã sai do píer do restaurante Karranca's e, durante o trajeto, é possível ver várias ilhas e formações rochosas, como a Pedra do Gavião, o Morro do Macaco e a Pedra do Japonês.

A embarcação segue direto até a chamada Gruta do Talhado, ponto alto da travessia. O local recebeu esse nome por seus paredões que parecem ter sido talhados à mão. Na verdade, não se trata exatamente de uma caverna, mas de um trecho mais estreito do cânion. Um barquinho leva os turistas mais perto - dá para encostar a mão nos paredões e perceber ainda melhor a beleza e grandiosidade do local.

Se você é do tipo que prefere um passeio mais contemplativo, tranquilo, então é melhor que saiba de antemão: apesar de toda a segurança, orientações e boa infraestrutura, a embarcação leva muita gente, o ambiente é agitado, com música a bordo e um guia que fala ao microfone sobre o cânion e suas atrações. As paradas são todas programadas - na Gruta do Talhado, ponto de parada para mergulho, o banho só é permitido em uma área previamente demarcada, próxima à embarcação. Na volta, o almoço no Karranca's, na beira do rio, com ampla variedade no bufê, custa R$ 30.

Escapadas. Outro passeio fluvial a partir de Canindé leva ao casario do século 19 de Piranhas, na margem alagoana do rio. Depois, o barco segue até o acesso da Rota do Cangaço - uma trilha de 700 metros que leva à Grota de Angico. Foi lá que ocorreu o combate onde morreram Lampião, Maria Bonita e seu bando, em 1938.

Ainda em Canindé, vale a pena dar uma passadinha no Museu Arqueológico de Xingó, que reúne de esqueletos humanos a pinturas rupestres, e revela os aspectos culturais dos antigos habitantes da região. No museu encontra-se grande parte do material resgatado do Sítio Arqueológico do Justino, que foi alagado pela construção da barragem.

Um passeio interessante leva à Fazenda Mundo Novo, na estrada que segue para Paulo Afonso. Trata-se do primeiro parque temático da caatinga no Brasil, com sete trilhas diferentes. Entre formações de arenito e pinturas rupestres, é possível conhecer também um dos refúgios onde se escondia Lampião.

 

O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA EMSETUR E DA AVIANCA

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