Filipe Araujo/ESTADAO
Filipe Araujo/ESTADAO

No caminho de ‘Santiágua’

Mergulhadores do País Basco decidiram abrir o novo Caminho de Santiago com uma rota pelo fundo do mar. De quebra, a viagem também conscientiza sobre a poluição dos oceanos

Sabela Uría, EFE

19 de setembro de 2019 | 06h00

Peregrinos chegam a Santiago de Compostela por diferentes meios – andando, a cavalo, de bicicleta e até velejando. Mas recorrer a uma viagem subaquática e, de passagem, conscientizar o mundo sobre a poluição do mar, é algo inédito até hoje. 

A logística torna-se complicada pela necessidade da ajuda de especialistas e de diferentes materiais e veículos. Em vez das tradicionais placas rodoviárias, os indicativos do trajeto são enormes monólitos de 50 quilos no fundo do mar. 

Mergulhadores do País Basco (norte da Espanha) decidiram abrir esse novo Caminho de Santiago  pelas veneradas águas do Mar Cantábrico

Adolfo Rodríguez explica que a ideia do já chamado “Caminho de Santiágua” surgiu há quatro anos, quando percorreu do modo mais convencional essa rota histórica de peregrinação e ficou marcado por sua magia e pelas experiências que viveu nela. 

“Queria voltar a Santiago de Compostela, mas queria fazer isso de uma maneira diferente e única”, relata Rodríguez, que compartilhou a ideia com três companheiros – Deva Prendes, Nekane Fernández e Iker Yraogoitia. Há dois anos e meio, os quatro começaram a dar corpo “a essa loucura”. 

A rota subaquática tem 21 etapas assinaladas por monólitos de orientação colocados no fundo do mar em sete lugares emblemáticos da costa cantábrica: Hondarribia, San Sebastián, Getxo, Santander, Gijón, Ribadeo e La Coruña

Pelo “Caminho de Santiágua”, os mergulhadores pretendem dar “uma gota” de contribuição na luta contra os microplásticos, a pesca predatória que cria desertos marinhos e o derramamento de petróleo, e dessa maneira tentar conscientizar a população e educar as novas gerações. 

 “É preciso tratar o mar com respeito”, diz Rodríguez, que descreve o Mar Cantábrico como “um pouco selvagem”, mas com encantos que muita gente desconhece. Com o projeto, ele espera afastar a fama que o Cantábrico tem de “frio, escuro e feio”. 

Os curiosos peregrinos contam com o apoio dos governos regionais basco e cantábrico. “Também estamos tendo apoio de cidades como Getxo e outras, que querem que o ‘Santiágua’ passe por suas águas”, diz o mergulhador. Ele espera que em 2021 o novo caminho esteja funcionando, com seus diferentes pontos de imersão, e que “todos os mergulhadores do mundo conheçam esse mar maravilhoso”. 

O mais estranho da iniciativa poderá ser cruzar com os mergulhadores peregrinos na Praça do Obradoiro, em Santiago de Compostela.

TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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