No cume mais alto da Europa

Para chegar ao ponto mais alto da Europa, a partir de Interlaken, é possível combinar passeios e paradas em marcha lenta, até onde os pés - e o fôlego, comprometido pelo ar rarefeito - aguentarem. Ainda bem que os suíços facilitaram o trabalho de chegar a Jungfrau, a montanha gelada considerada o topo do continente, a 4.158 metros de altitude.

INTERLAKEN, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2012 | 03h09

Há boa infraestrutura para qualquer que seja a forma de acesso escolhida. Quem está preparado para um hiking pesado segue até a estação de Kleine Scheidegg, 2.061 metros acima do nível do mar, de onde parte a linha Jungfraubahn. Mas só ela - e alpinistas - chegam ao topo do Jungfrau, o cume de gelo dos Alpes Suíços.

O trilho de 9 quilômetros abre caminhos improváveis, cortando as rochas que formam os montes Eiger e Mönch, que ladeiam Jungfrau. O trajeto é quase todo na vertical e à baixa temperatura; portanto, vale levar agasalhos mesmo durante o verão (e não se esqueça dos óculos escuros).

Desde Interlaken, o trajeto até Jungfrau leva quase 2h30, com duas paradas obrigatórias. O trem parte da estação Interlaken Ost, no centro da cidade, e tem dois caminhos distintos: Lauterbrunner, cidadezinha que vê o Lago Thun, ou Grindelwald, vilarejo debruçado sobre o Lago Brienz. Por um trajeto ou por outro, o visual das montanhas coloridas de verde, num bucólico cenário de embalagem de chocolate. Ao fundo, montanhas rebrilhando de branco e gelo, cegando a vista, dão a certeza de que a Suíça é um cenário natural quase inacreditável.

Antes de chegar ao topo, em Eigergletscher, o visitante pode se aventurar de tirolesa ou no teleférico que acompanha a descida escarpada do Eiger. E esta é apenas uma das opções de teleférico do passeio - por quase todo percurso, observam-se cabines sobrevoando as montanhas.

Em qualquer época do ano, chegar ao topo do Jungfrau é, literalmente, de tirar o fôlego. Além da bela paisagem, a falta de oxigênio acima dos 4 mil metros de altitude faz com que qualquer caminhadinha vire uma maratona.

O observatório Sphinx Terrace, ao lado de loja de souvenirs, salas de exposição e cinco restaurantes concentram (e aquecem) os turistas que chegam de trem. É lá de cima que partem aventureiros e esportistas montanha abaixo - mesmo em alto verão, o gelo permite a prática de esqui e snowboard na geleira Aletsch, com 23 quilômetros de extensão, o maior rio de gelo da Europa. Venta forte e intermitentemente.

O passeio pela Jungfraujoch, a estrada de ferro mais alta da Europa, é também um dos mais caros - o que se aplica a todo turismo feito na Suíça, que está fora da zona do euro e recebe em francos suíços. Prepare-se para gastar a partir de 190 francos suíços (R$ 383) por pessoa, ida e volta. O valor garante também a entrada no observatório e no Palácio de Gelo, construído 20 metros abaixo da superfície da geleira, com esculturas divertidas, amplos salões e caminhos gelados e escorregadios

Em agosto, a ferrovia, idealizada em 1894 por Adolf Guyer Zeller, comemora seu centenário. Numa época em que não havia teleféricos, a única maneira de alcançar grandes alturas era por meio de trilhos. Foram construídos 7,5 quilômetros de túneis por dentro do Eiger e do Mönsch. Houve festa em Interlaken quando os operários abriram caminho entre as rochas glaciais, em fevereiro de 1912. /O.F.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.