Heitor Reali e Silvia Reali
Heitor Reali e Silvia Reali

Confira passeios de carro por cidades medievais francesas

No curso do Rio Tarn, castelos, jardins e charmosos hotéis

Heitor Reali e Silvia Reali / TEXTOS E FOTOS, Especiais para O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2015 | 05h00

CORDES-SUR-CIEL - O que vale agora é alugar um carro e tomar a estrada que segue os meandros do Rio Tarn para conhecer as cidades medievais fortificadas como Cordes-sur-ciel, Penne, Bruniquel, Puycelsi, Castelnau-de-Montmiral, só para citar algumas. Muitas, que enriqueceram com a comercialização das tintas ou do couro, hoje vivem do turismo, e oferecem charmosos hotéis para os que desejam conhecer os diferentes atrativos de cada uma delas.

A primeira parada é no Chateau de Mayragues, localizado a 25 quilômetros do centro de Albi, às margens do rio, o que interfere no microclima das velhas videiras ali plantadas em 1609. Os tintos produzidos caracterizam-se pelo tom vermelho-carmim com aromas complexos como de frutas em calda, cassis e especiarias. Os brancos, doces ou secos, são perolados.

O castelo todo em pedra foi construído entre os séculos 12 e 17, e os dois quartos de hóspedes ficam no antigo solário com vista para as videiras. Pertence a Alan Geddes, escocês que se apaixonou por uma francesa administradora do Museu Carnavalet de Paris. Alan trocou o uísque pelo vinho, e a neblina pelo sol, e Laurence restaurou o castelo que mereceu o grande prêmio de restauro do país em 1998. O casal organiza no verão apresentações de quartetos, recitais, trios de flauta, sonatas ou cantatas no jardim.

Em seguida, Cordes-sur-ciel é recheada de boas histórias. Para o escritor argelino Albert Camus, “tudo ali é belo, mesmo a tristeza”. Construída sobre uma colina de pedra, quando vista à distância no amanhecer enevoado, parece estar suspensa no céu. Legendária, seus muros e fortificações bem preservados datam de 1222; ainda conserva os duplos portões de ferro e madeira. Ao passar por eles é impossível não escorregar no clichê: volta-se em segundos no tempo.

Na rua principal, a fachada de pedra das casas ostenta esculturas de dragões e de estranhos personagens, ao lado de grossos ganchos de ferro para pendurar os enormes tapetes vindos dos mais diferentes locais do mundo. Eram símbolos de prestígio e cultura dos moradores viajantes. Renomadas também eram as bordadeiras de Cordes. Para expandir os negócios, criaram em 1914 uma indústria de bordados à máquina, embora já na década de 1960 seus últimos trabalhos tenham se limitado aos crocodilos da marca Lacoste.

Ainda em Cordes-sur-ciel, não deixe de provar como sobremesa o gratin de morangos do bosque com limão.

Premiado. Mas, sobretudo, não se pode perder o Jardin des Paradis, que recobre uma das laterais da colina. Este local encantador recebeu em 2004 o selo Jardin Remarcable, espécie de estrela Michelin concedida a jardins.

Em meio às plantas emergem esculturas com um toque de humor, elaboradas a partir de velhas ferramentas de jardinagem, e miniplacas que explicam sobre os pequenos seres que vivem nas plantas e flores, como os elfos e as borboletas. Os criadores gostam de definir o lugar como um adorável playground para as aves e para o vento e por isso criaram mobiles feitos de sementes gigantes. Há cascatas de baldes, cachoeira de regadores que produzem som agradável, vegetais inventados só para confundir os insetos, cortinas translúcidas que separam canteiros de ervas afrodisíacas, butique de sementes, livros de jardinagem, de paisagismo. E casas para passarinhos.

Já nos arredores de Penne deve-se passar uma noite em claro. É para curtir um passeio pra lá de especial e ouvir berros de amor. Soa malicioso? O percurso noturno é feito entre setembro e outubro no interior de um bosque escuro onde ninguém pode usar nenhum tipo de perfume. E deve-se caminhar em silêncio total para ouvir o impressionante som gutural dos cervos machos que convidam as fêmeas para o acasalamento.

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