No pedal, a trilha da antiga muralha

Trajeto de 15 quilômetros passa pelos principais pontos turísticos e revela as transformações da metrópole

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2009 | 01h41

Faz lembrar a brincadeira infantil de ligar pontos. Você pedala alguns minutos e está de frente para o Memorial do Muro. Alguns quilômetros depois encontra o Portão de Brandemburgo e o Memorial do Holocausto. E, em seguida, Potsdamer Platz. O caminho está praticamente todo assinalado pela trilha do Muro, uma fileira de tijolos no chão que marca a localização exata do antigo paredão.

 

SEM ESFORÇO - Geografia plana favorece roteiro; no caminho, pedaços ainda intactos do paredão

O passeio de bike é, antes de tudo, muito didático. Batizado Tour do Muro, seus 15 quilômetros de extensão - traçados na página anterior - ajudam o turista a desenhar na cabeça o mapa da cidade. E a compreender a que exatamente os berlinenses se referem quando usam as expressões "lado de cá (ocidental)" e "lado de lá (oriental)", meio démodés, mas ainda ouvidas. Informação útil para aproveitar o melhor da cidade.

 

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Em tempo: quem não tem disposição para pedalar pode visitar os mesmos lugares de metrô ou de trem. Mas perde a oportunidade de montar o quebra-cabeça do que restou do Muro, entre lembranças e pedaços deixados intactos. Além de não aproveitar a excelente rede de ciclovias e a geografia plana de Berlim, onde a bike é mais comum que o carro e, mesmo nas calçadas, tem mais espaço até que os pedestres.

O tour guiado parte da Kulturbrauerei, ou Cervejaria Cultural, antiga fábrica transformada em centro de artes e baladas em Prenzlauer Berg. A bicicleta pode ser alugada ali mesmo. O turista escolhe entre seis opções de idiomas (português, inclusive) e parte com o grupo em direção à primeira parada, o Memorial do Muro, na Bernauer Strasse.

Pela localização, os highlights estão quase todos no roteiro. Caso do Parlamento, a poucos metros do trecho do Muro que passava atrás do Portão de Brandemburgo. O monumento, a propósito, pertencia ao lado ocidental.

Apesar de ser um dos lugares mais manjados de Berlim, a Potsdamer Platz é também um dos mais interessantes. Era um terreno baldio enquanto o Muro estava de pé, "equipada" com uma plataforma duvidosa onde os turistas dos bairros ocidentais subiam para espiar o lado de lá.

A praça tem hoje prédios moderníssimos como o gigante Sony Center e coisas curiosas, como o restaurante Vapiano, que fica, literalmente, em cima do muro. Tanto que o traçado de tijolinhos passa por entre as mesas na calçada e continua pelo salão adentro.

PASSAGEM

Eis que surge o Checkpoint Charlie. O tour de bike ilustra como nenhum outro o motivo pelo qual a guarita da Rua Friedrichstrasse, hoje uma séria concorrente da parisiense Champs Elisées, foi a principal passagem entre as duas Berlins. A localização é perfeita: bem no centro do mapa da cidade.

Para terminar, Alexanderplatz e a East Side Gallery. Na galeria ao ar livre - onde está o maior trecho preservado do Muro -, artistas grafitaram cenas contundentes, emocionantes, duras, divertidas, ousadas. Mais uma forma de a cidade mostrar que aquele passado triste ficou, mesmo, para trás.

linkBerlin On Bike: www.berlinonbike.de. Passeio de 4 horas por a partir de € 14,50 (R$ 37,50). Inclui a bike

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