Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Canelones: bate-volta desde Montevidéu para visitar vinícolas

Canelones, departamento vizinho ao de Montevidéu, tem vinícolas que podem ser visitadas em um dia

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 04h40

PIZZORNO

Cem anos de cultivo

Foi nesta vinícola de 109 anos, sob o comando da mesma família desde a fundação, que nossa aventura pelo mundo dos vinhos começou. Francisco, o mais novo entre os Pizzorno, deu as boas-vindas e passou a bola para Lucio Afonso, que nos guiou por toda parte interna da propriedade – infelizmente, uma chuva forte na noite anterior havia estragado parte da plantação, impedindo nosso acesso. 

São 21 hectares com 11 tipos de uvas, sendo a tannat o carro-chefe. A colheita é manual, fertilizantes não são utilizados e toda sua produção – 180 mil garrafas por ano – é de vinhos finos. Entre os rótulos, o Pizzorno Tannat Reserva (US$ 25) foi um dos meus favoritos de toda a viagem.

O tour com degustação é diário e dá direito a provar de quatro a cinco vinhos, com empanadas deliciosas de acompanhamento (desde US$ 30). Também é possível ir além do básico, fazendo a prova num almoço (US$ 55) ou num voo de helicóptero (US$ 350). 

Apesar de centenária, faz apenas cinco anos que a vinícola recebe turistas – e 85% do público é brasileiro. Há seis meses, abriu para hospedagem: quatro quartos com varanda praticamente dentro do parreiral. Eles dividem parede numa casa térrea, onde sala e cozinha são compartilhadas. Diárias desde US$ 110, com café – reservas pelo Booking.com. Site: pizzornowines.com.

 

JUANICÓ

Delícias da vindima

Não passava das 11 horas da manhã quando saímos da Pizzorno, alegres pelos vinhos provados, e chegamos à vinícola Juanicó para uma experiência única: participar de uma vindima uruguaia.

Demos sorte: ali, a festa da colheita da uva ocorre apenas uma vez ao ano, entre fevereiro e março (época da colheita da uva em toda a região). Com petiscos e vinhos rosé, branco e tinto à vontade, demos continuidade ao modo bebedores iniciado horas antes.

Logo chegou o momento mais aguardado: a ida aos parreirais, com alicates e caixotes em mãos para tirar o maior número de cachos de uvas possíveis. Dispensei essa parte trabalhosa – preferi devorar um saboroso cacho da casta cabernet na sombra.

Depois da colheita, o trabalho/diversão foi separar as cascas das sementes e, por fim, arrancar os sapatos para entrar dentro de um enorme caixote e se esbaldar na pisa da uva – se você nunca fez, saiba que a antiga técnica (hoje feita por diversão) é um tanto quanto relaxante.

A festa, que ainda contou com grupo de dança italiana levando senhoras e senhores para o meio da pista, terminou num grande salão onde foram servidos um almoço simples e ainda mais vinho.

Com história que remonta à época jesuítica, a área foi transformada em vinícola em 1979 pela família Deicas. É dali que sai o vinho Don Pascual, o mais popular do país segundo os uruguaios, também exportado ao Brasil.

Além da vindima (1.500 pesos, R$ 170 por pessoa), há dois tipos de degustação (desde US$ 30) e duas experiências que incluem almoço e harmonização (a partir de US$ 65). Reserve.  Site: juanico.com

 

DE VOLTA A MONTEVIDÉU

Saiba onde continuar seu roteiro enogastronômico

1. García 

É a casa do bom churrasco uruguaio, na ativa desde 1967. O chef Eduardo Parodi prepara asado de tira (corte invertido da costela bovina; 480 pesos, R$ 55) que harmoniza muito bem com um vinho tannat (1.250 pesos, R$ 142); garcia.com.uy.

 

2. Mercado Ferrando

Pintxos (tapas bascas), parrillas e churros são algumas opções deste mercado gastronômico no bairro de Cordón. Ex-fábrica de móveis, foi reformado e inaugurado em 2017. Na casa Mundano pedi pintxo de camarão (95 pesos, R$ 11); mercadoferrando.com.

 

3. Tribu 

Espaço cultural, restaurante, café e loja no tradicional bairro de Palermo, o Tribu quer atrair um público diversificado, oferecendo exposições, literatura, música (do jazz ao tango) e um cardápio baseado em ingredientes locais; bit.ly/tribusuy.  

 

4. Jacinto

Na Cidade Velha, é o segundo restaurante da chef Lucía Soría. Conta com pequena padaria e menu sazonal. Segui uma das sugestões do dia: filé de corvina com legumes (630 pesos, R$ 72) e vinho (220 pesos a taça, R$ 25); jacinto.com.uy.

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