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'Nomadland' e os chamados da natureza

Para realizar o sonho de viajar de motorhome pelas estradas, como no filme que concorre ao Oscar, é preciso saber lidar com o próprio cocô

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2021 | 03h00

Forte concorrente ao Oscar do próximo domingo, o filme Nomadland conta a história de uma mulher que decide morar numa van, mudando de endereço continuamente. No caminho pelo oeste dos Estados Unidos, vai encontrando outras pessoas que, como ela, adotam um estilo de vida nômade.

Logo no começo do filme, uma dessas vizinhas temporárias dá à novata uma dica fundamental: para ser uma nômade, você precisa aprender a lidar com o seu cocô. Sim, leitora, leitor, este é um texto um tanto nojentinho.

Nomadland me lembrou que colocar a família dentro de um veículo-casa e cair na estrada para visitar paisagens naturais é um dos meus sonhos de consumo turísticos. Motorhome, sabe? Eles servem ao mesmo tempo como hospedagem e meio de transporte. Têm cozinha, camas e, claro, banheiro. Inclusive vaso sanitário e, portanto, reservatório de esgoto. E o reservatório de esgoto precisa ser esvaziado por quem aluga o motorhome. Tenso, né? Eu acho.

Fui perguntar a quem conhece como funciona esse processo, no mínimo desagradável, de lidar com os dejetos. Francisco Zaleski de Matos, da Motorhome Trips, aluga esse tipo de veículo no Brasil e no exterior e ajuda nos roteiros. Além disso, ele viaja de motorhome com sua filha de 7 anos, Olívia. Francisco conta que a maioria dos clientes tem dúvida sobre a caixa de esgoto. Que, na verdade, são duas: uma para a “água cinza”, da pia da cozinha, do chuveiro. E outra para a “água preta”, do vaso sanitário. 

Nos Estados Unidos, os motorhomes usam um mangueirão que despeja os dejetos em fossas instaladas em campings e parques. O uso da fossa pode ser gratuito ou cobrado, com um custo de até US$ 10.

Os motorhomes europeus usam um sistema que Francisco considera a solução perfeita: uma caixa de cerca de 20 litros, o que costuma ser suficiente para duas pessoas por até três dias. O recipiente tem uma vedação eficiente, não deixa escapar o mau cheiro e pode ser esvaziada em qualquer vaso sanitário, até num posto de combustíveis na estrada. E custa caro: importar uma dessas sai por cerca de R$ 10 mil. 

Nas estradas brasileiras, a infraestrutura para motorhomes vem crescendo depressa, mas era escassa até pouco tempo atrás. Por isso, os veículos-casa que rodam por aqui possuem caixas de esgoto de até 100 litros, que armazenam o conteúdo de até uma semana.

Uma aventura dessas, num motorhome, é uma opção de viagem sem aglomeração e de pouquíssimo contato social. Ótima, portanto, para quando viajar for um pouco menos arriscado. E então, assim como a personagem de Nomadland, teremos de aprender, em família, a lidar com as consequências dos chamados da natureza.

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