Edison Veiga|Estadão
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Noruega

Uma viagem de trem entre Oslo e Bergen

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2016 | 04h30

Fã de Thomas e Seus Amigos (o simpático trenzinho dos desenhos), Chico estava animado já na estação. Afinal, ele iria viajar de trem. Trem, ele repetia. Ainda quando comprávamos os tíquetes entre Oslo e Bergen, três meses antes, já sabíamos que a viagem seria incrível para ele. Isso porque quando informamos que estaríamos com um “menor de 2 anos” a bordo – portanto, isento de tarifa –, um pop up pulou no site da companhia nos oferecendo, sem precisar pagar nada a mais por isso, acomodações em um vagão-família. Tratava-se, no caso, de um vagão com um divertido espaço para crianças: pufes, TV com desenhos animados, livros infantis, um túnel e nichos para escalada. 

Desnecessário dizer que as 7 horas do trajeto passaram rápido e sem sobressaltos. Não só por isso. A Bergensbanen, como é chamada essa viagem, é orgulho da companhia estatal Ferrovias Nacionais Norueguesas (NSB). Apontada pelo guia Lonely Planet como a “melhor viagem de trem do mundo”, reserva paisagens lindíssimas à janela. O trajeto atravessa Handargervidda, o planalto de montanhas de maior altitude na Europa; um painel visível dos assentos do trem informa, gradualmente, a altitude em relação ao nível do mar. 

Com seus cerca de 260 mil habitantes – contra os mais de 1,4 milhão da região metropolitana de Oslo –, Bergen é uma cidade tranquila, apesar de ser a segunda maior da Noruega. Sete montanhas a cercam, dando a ela uma paisagem interessante. Seu porto é ponto de partida para cruzeiros que levam turistas aos famosos fiordes. Na região do porto, um tradicional mercado de peixes tem iguarias como salmão e bacalhau frescos.

Também fica ali perto o conjunto de construções chamado de Bryggen (em português, Cais), reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Passear pelas pequenas e tortuosas vielas entre os prédios revela uma variedade de lojas, que vendem de peles a cachimbos – além, claro, de souvenirs.

Dois passeios são imprescindíveis. Reserve uma tarde para um minicruzeiro pelos fiordes. E outra para subir pelo Floibanen, o funicular que desde 1918 leva a população ao topo da montanha Floyen – a linha tem 850 metros e, do alto, é possível ter uma panorâmica de toda a cidade (90 coroas norueguesas ou R$ 39 o tíquete). 

Um adendo importante: Bergen tem o título de “cidade mais chuvosa da Europa” – são 202 dias de chuva por ano. Portanto, leve capa e guarda-chuva. Mas, principalmente, não se importe se ficar molhado. 

VEJA TAMBÉM: 10 dias nos fiordes da Noruega

MAIS DE OSLO

Se você tiver pouco tempo para Oslo, saiba que há três pontos imperdíveis a serem conhecidos na cidade: a orla no entorno à Prefeitura; a Avenida Karl Johan e arredores; e a culturalmente fabulosa península de Bygdoy. No verão, a orla começa a ficar movimentada a partir das 17 horas. São caminhadas, happy hours nos bares e restaurantes e gente que simplesmente para em alguma área verde, como no amplo parque Kontraskjæret, para admirar o entardecer.

Ali perto, ao lado de uma das plataformas de embarque e desembarque dos navios, a escola de dança Komogdans oferece amostras de seus cursos. Parece uma flash mob, um baile aberto em que pessoas que sabem (e, principalmente, que não sabem) dançar arriscam seus passos ao ar livre.

Nessa caminhada, obrigatoriamente você vai passar pelo Nobel Peace Center, um memorial que conta a história do prêmio anual da Paz – que não é oferecido em Estocolmo, como os outros, mas em Oslo. Basta olhar adiante e será possível ver a sede da Prefeitura local, chamada de Radhuset. É ali que ocorre a cerimônia de entrega do Nobel.

Estamos na Avenida Karl Johan, uma bela via cheia de prédios históricos: o Palácio Real, o Museu Histórico, a Universidade de Oslo, a Galeria Nacional de Arte, o Museu Ibsen, o Teatro Nacional. A avenida, em si, foi projetada pelo arquiteto Hans Linsktow (1787-1851), o mesmo autor do Palácio Real.

Dentre as dezenas de museus de Oslo, dois são fundamentais pela peculiaridade, ambos em Bygdoy. Inaugurado em 1936, o Frammuseet é um dos orgulhos noruegueses. Homenageia os três grandes exploradores polares da Noruega, Fridtjof Nansen, Otto Sverdrup e Roald Amundsen – dentro, o navio Fram, original, que operou entre 1892 e 1912. Outro que impressiona é o Viking Ship Museu, com barcos encontrados em sepulturas vikings e outros artefatos encontrados na região.

Uma vez em Bygdoy, faça como os locais: aproveite para curtir o verão nas áreas verdes entre os museus. Dali, é possível avistar o vaivém dos barcos e, ao fundo, do outro lado, o centro da cidade.

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