Arquivo/Estadão
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Nos passos da rainha: Elizabeth II, a mais viajada monarca

Antes de consolidar seu reinado como o mais longo da história, ela já é recordista em idas ao exterior: fez 265 viagens a 119 países

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2015 | 00h00

Hoje, 9 de setembro, a rainha Elizabeth II se torna a ocupante mais longeva do trono britânico, superando a marca de 63 anos, sete meses e dois dias da rainha Victoria (1819-1901; seu reinado começou em 1937). Mas esse não será o único recorde em seu currículo. Elizabeth II é campeã em idas ao exterior entre os monarcas do Reino Unido: fez 265 viagens e esteve em 119 países. Victoria nunca saiu da Europa.

A depender de Sua Majestade, e apesar dos eventos que já tomam conta da Grã-Bretanha e dos outros países integrantes da Comunidade Britânica, a efeméride será discretamente lembrada. Ela não quer alarde. Por outro lado, sua faceta viajante estará em plena atividade. A rainha vai à Escócia inaugurar, nesta quarta, a via férrea Borders Railway. Deve seguir depois para o Castelo de Balmoral, sua residência escocesa. A questão é que por lá também são esperados seu neto William, a mulher dele, Kate e, claro, os dois filhos pequenos do casal. Pelo menos uma festinha íntima deverá ser inevitável – a imprensa britânica acredita firmemente nisso.

As viagens marcam a trajetória de Elizabeth II desde antes de ela ser a titular da coroa. Quando foi informada da morte de seu pai, o rei George VI (1895-1952), estava de férias no Quênia. Com o marido, o príncipe Philip, descansava e aproveitava as aventuras de um lodge na selva, o Treetops (leia abaixo). 

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A primeira viagem oficial foi feita poucos meses depois da coroação, em junho de 1953. Bermuda, uma ilhota no Atlântico Norte, foi a primeira localidade no planeta a receber a nova monarca, em novembro do mesmo ano.

Aos 89 anos, Elizabeth II vem reduzindo as viagens longas, mas não dá sinal de que pretenda ficar em casa. Em novembro, vai a Malta participar do encontro bianual de líderes dos países integrantes da Comunidade Britânica. Nada mal para quem não tem sequer um passaporte. Explica-se: em terras britânicas, o documento é emitido em nome de Sua Majestade, o que tornaria sem sentido a rainha conceder um passaporte a si mesma.

Como são remotas as chances de Elizabeth II ser confundida com qualquer outro viajante no planeta, os demais países aceitam o fato. E a rainha, embora não possa colecionar carimbos, serve de inspiração, com conhecimento de causa, para roteiros e passeios.

QUÊNIA: onde tudo começou

Os visitantes de hoje encontram idêntica fachada e o mesmo visual externo que, em fevereiro de 1952, receberam a então princesa Elizabeth e o príncipe Philip no lodge Treetops. O interior da hospedagem, no entanto, foi todo renovado em uma reforma que durou seis meses. 

Localizado no montanhoso Parque Nacional Aberdare, 180 quilômetros ao norte da capital queniana, Nairóbi, o Treetops tem 33 quartos e 3 suítes, mais restaurante, bar e deque de observação. É um desses lugares que não permitem que os hóspedes andem sozinhos pelo terreno, tal é a proximidade da vida selvagem. Rinocerontes, leões, elefantes, antílopes e cerca de 250 espécies de pássaros circulam livremente. Relatos dão conta de que Elizabeth teria passado a tarde anterior à notícia da morte de seu pai sentada no deque com um filmadora portátil, registrando o movimento dos animais. 

Diárias começam em US$ 130 por pessoa. Estrangeiros pagam taxa diária de US$ 65 ao parque.

A rainha Elizabeth II e o príncipe Philip estiveram no Quênia em outra ocasião, desta vez em visita oficial, em novembro de 1983. Foram ao Sagana Lodge, uma espécie de fazenda do governo que também fica no Parque Aberdare, mas não é aberto aos turistas.

Para pernoitar em outro endereço marcante para a realeza inglesa, reserve um dos chalés do Rutundu Log Cabins, o exclusivíssimo endereço que William escolheu para pedir Kate Middleton em casamento. A hospedagem fica no Parque Nacional Monte Quênia e só é acessível por pequenos aviões ou a cavalo. Diárias custam desde US$ 570, para até 4 pessoas – e os hóspedes precisam levar a própria comida. 

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BRASIL: turistagem típica

Em visita oficial ao Brasil com duração de dez dias, em novembro de 1968, a rainha Elizabeth II mostrou que fez a lição de casa antes de embarcar (ou foi bem assessorada). A monarca escolheu pontos turísticos importantes do País para ver durante sua passagem.

Com seu marido Philip, começou a visita em Salvador, depois de desembarcar em Recife e seguir viagem no iate real Britannia – hoje ancorado em Edimburgo e aberto a visitas, por 14 libras (R$ 79). 

Na capital baiana, a rainha seguiu em carro aberto para o Mercado Modelo. Apesar de não ser um desfile de trio elétrico, teve corda para manter o povo à distância (não há registro de venda de abadás). E, no mercado, a monarca ganhou presentes típicos. 

Em Brasília, parada seguinte, Elizabeth subiu a rampa do Palácio do Planalto, com a Esplanada dos Ministérios ao fundo. Dali para São Paulo, onde participou da inauguração do icônico edifício de pilares vermelhos do Masp, na Avenida Paulista, e ainda foi ao Museu do Ipiranga.

A última escala da rainha no Brasil foi o Rio de Janeiro, com direito a uma partida de futebol em sua homenagem no Maracanã (tours desde R$ 24) disputada entre Paulistas x Cariocas. Os donos da casa perderam por 3 a 2, e Pelé em pessoa recebeu um troféu das mãos da monarca. 

CARIBE: várias paradas

Jamaica e Barbados receberam seis visitas cada um da rainha Elizabeth II nas últimas seis décadas. Até é possível lembrar que os dois países fazem parte da Comunidade Britânica – a Commonwealth –, hoje com 53 integrantes. Mas, a julgar pelas outras visitas à região, é de se supor que Sua Majestade goste bastante do mar transparente do Caribe. 

No grande roteiro que fez por ali em 1966, Elizabeth II literalmente pulou de ilha em ilha durante um mês, de 1.º de fevereiro a 3 de março. Foram 13 paradas, começando em Trinidad e Tobago e seguindo ao norte por São Vicente e Granadinas, Barbados, Santa Lúcia, Ilhas Virgens Britânicas e outras, até chegar às Bahamas. Quase duas décadas depois, em 1985, o roteiro foi bem parecido, mas incluiu Inagua, arquipélago selvagem, de natureza preservada, que pertence às Bahamas e é visitado principalmente por barcos de passeio e iates de luxo. 

Na Jamaica, um refúgio da família real é o resort Half Moon (desde US$ 290), em Montego Bay. Além da própria rainha, o príncipe Charles já se hospedou no hotel. 

REINO UNIDO: perto de casa

Um passeio cheio de castelos aguarda quem gosta de seguir os passos da realeza em seus próprios domínios. A monarquia britânica perdura desde o século 10 – é tempo de sobra para construir palácios pelo território afora, com usos diversos. 

Residência principal dos reis e rainhas desde 1837, o Palácio de Buckingham é um dos monumentos incontornáveis de Londres e fica aberto aos turistas no verão inglês. Nesta temporada, visitantes acessam o palácio pela entrada principal, a mesma usada pelos convidados da rainha. Ingressos desde 20,50 libras (R$ 116). Também na capital da Inglaterra, o Palácio de Kensington é o lar oficial de William e Kate – e de Diana, no passado. Cobra 17,50 libras (R$ 99) pela visita. Na Clarence House vivem o príncipe Charles e seu filho Harry (entrada a 9,80 libras ou R$ 55).

Há ainda Hampton Court (em Surrey), o Castelo de Windsor, maior e mais antigo castelo em funcionamento no mundo (em Berkshire), e o famoso Balmoral, na Escócia, queridíssimo de Sua Majestade e o endereço de sua provável festinha particular amanhã. Compre ingressos para visitar os castelos da família real no site royalcollection.org.uk.

Quer navegar como a família real? Elizabeth II e seus parentes já passaram férias duas vezes no Hebridean, uma pequena embarcação que faz cruzeiros all-inclusive pela costa do Reino Unido a partir de 2 mil libras (R$ 11.354) por pessoa.

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CANADÁ, AUSTRÁLIA E NOVA ZELÂNDIA: mais visitados

Um andar inteiro do elegante e tradicional Fairmont Royal York, inaugurado em 1929, é dedicado à comitiva da rainha Elizabeth II a cada vez que ela vai a Toronto (diárias desde 339 dólares canadenses ou R$ 950). E não são poucas: o Canadá, membro da Comunidade Britânica, foi o país mais visitado pela monarca ao longo de seu reinado. 

Foram 24 vezes, a mais recente em 2010. Em nove dias, a rainha esteve também em Halifax, Ottawa, Waterloo e Winnipeg. Nessa última, foi ao Museu Canadense dos Direitos Humanos (15 dólares canadenses ou R$ 42).

Na lista dos países mais visitados pela rainha, a Austrália ocupa o segundo lugar, com 16 viagens. E, exatamente como boa parte de nós, viajantes comuns, Elizabeth II acostumou-se a aproveitar que foi tão longe para esticar até a Nova Zelândia, onde esteve dez vezes durante seu reinado. A última viagem conjunta ocorreu em 2002, por ocasião de seu 50.º aniversário como titular da coroa britânica. Houve cerimônia religiosa oficial celebrada na Catedral de Wellington, na capital neozelandesa. 

A rainha ainda esteve na Austrália em 2011, quando a cidade de Perth foi sede do encontro de líderes dos países da Comunidade Britânica. Na ocasião, viajou por Camberra, Brisbane e Melbourne. Mas, segundo o site oficial da monarquia britânica, a rainha já pisou em cada um dos nove Estados e territórios da Austrália. 

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