Reprodução clipe
Reprodução clipe 'Apes**t'

Nos passos de Beyoncé e Jay-Z pelo Louvre: obras-primas, aula de história e muitas selfies

Fomos visitar o tour criado pelo museu parisiense que passa pelas obras mostradas no clipe de 'Apes**t'

Nathalia Garcia, Especial para O Estado

10 Agosto 2018 | 20h33

Beyoncé e Jay-Z lançaram em junho o clipe da música Apes**t, totalmente ambientada no Louvre. Não demorou muito para o museu disponibilizar o percurso temático "Jay-Z e Beyoncé no Louvre", um tour de 1h30 que passa por 17 criações artísticas do famoso museu em Paris. O itinerário está disponível no site, para o visitante percorrer por conta própria, e conta com paradas em pontos clássicos, como a Mona Lisa e a Vênus de Milo. Ou seja, vale a pena seguir o percurso seja esta sua primeira ou vigésima visita ao Louvre.

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Ficou interessado? Percorremos os passos do casal de astros da música pelos corredores do museu. Nos encontraremos sob a controversa pirâmide de vidro, nosso ponto de partida. Mas alertamos: atenção para não se perder pelo caminho, afinal, não teremos a sorte nem o luxo de ter o museu fechado só para nós.

 

 

1 – Boas-vindas

O Louvre é dividido em três alas: Richelieu, Sully e Denon. É no último pavilhão onde se encontra a Vitória de Samotrácia, nossa primeira parada. Provavelmente destruída por um terremoto, a estátua em mármore (190 a.C.) foi encontrada em fragmentos em 1863, na ilha de Samotrácia, a nordeste do mar Egeu. Note que a asa direita é uma cópia em gesso da asa esquerda, a única conservada. Segundo os pesquisadores, a mulher alada seria uma oferenda aos deuses para agradecer uma vitória naval. No topo da escadaria, a deusa da vitória – Niké (em grego) - dá boas-vindas aos visitantes. Além de observá-la a seus pés, vá até o patamar seguinte para uma visão mais ampla de sua beleza.

 

2 – Perdidos na imensidão

As duas próximas atrações estão diluídas no grande volume de obras de arte da Grande Galeria e são praticamente ignoradas no vai e vem dos turistas. Reserve alguns minutos para admirar a A Virgem com a Almofada Verde e a ternura nas pinceladas de Solario ao representar a Virgem amamentando Jesus. O quadro encontrava-se no convento dos Cordeliers de Blois no início do século 17. Sua história anterior, contudo, é desconhecida. Um pouco adiante, veja também Pietà, de Rosso Fiorentino. A pintura, encomendada por Anne de Montmorency, foi recuperada no palácio de Écouen durante a Revolução Francesa. Volte alguns passos e vá até a sala dos Estados (711-1 Denon).

3 – A saga

Ao entrar no aposento, a aglomeração já dá uma pista do que está por vir. E não demora muito para avistarmos a obra de arte mais cobiçada do museu do Louvre: a Mona Lisa. Mas ficar frente a frente com o pequeno quadro (77 cm de altura x 53 cm de largura) é uma saga – especialmente para os baixinhos, como eu. Os celulares e as câmeras fotográficas substituem os olhos da multidão, e tirar uma selfie – sem o auxílio do pau de selfie (proibido) - é a obsessão de muitos. Recomendo uma dose de paciência. Vencida a “batalha”, concentre-se na primorosa técnica de Leonardo da Vinci, que utilizou o “sfumato” ao brincar com luz e sombra no retrato de sua modelo, até hoje desconhecida. Teorias não faltam sobre o enigmático sorriso de Mona Lisa. Vale também destacar que sua notoriedade atingiu o ápice no século 20, depois de a pintura ter sido roubada em 1911. 

 

 

4- Esplendor

É só dar as costas para Mona Lisa para encontrar nosso próximo ponto de visitação. O contraste é marcante. A obra de Veronese, chamada O Casamento em Caná, causa grande impacto por sua imensidão – 6,77 m de altura e 9,94 m de largura -, deixando o visitante boquiaberto. Na tela, o pintor italiano transpõe o episódio bíblico do primeiro milagre de Cristo – a transformação de água em vinho - para a suntuosa Veneza do século 16. O quadro, de 1563, ornamentava o refeitório do monastério de San Giorgio Maggiore, na Itália.

 

5- "Salas Vermelhas"

Rumo às “salas vermelhas”, chegamos na Mollien (700-1 Denon), consagrada ao Romantismo e aos mestres Théodore Géricault e Eugène Delacroix. A Balsa da Medusa gerou um escândalo no Salão de 1819 por conter uma crítica política. Pela primeira vez, um artista representou um evento da história contemporânea (um naufrágio ocorrido em 1816) com personagens anônimos no formato de uma pintura histórica. À direita, observe também As sombras de Francesca da Rimini e de Paolo Malatesta aparecem a Dante e a Virgílio, de Ary Scheffer. O drama retrata uma das passagens da trilogia A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Esse é o momento de dar uma “escapadinha” no roteiro e olhar para os quadros vizinhos. Apesar de A Liberdade Guiando o Povo não ilustrar a música de Jay-Z e Beyoncé, não perca a oportunidade de analisá-la. A pintura de Delacroix representa a insurreição popular de 28 de julho de 1830, em Paris, e configura um importante momento histórico. Após esse breve parêntese, olhe para a parede oposta e atente-se ao quadro Oficial de Caçadores a Cavalo durante a Carga, pintado por Géricault, aos 20 anos, para o Salão de 1812.

 

6 – Linha do tempo

Deixamos o Romantismo para trás e seguimos para o Neoclassicismo. Na Sala Daru (702-1 Denon), mergulhamos na produção artística de Jacques-Louis David. A obra mais emblemática é a Coroação de Napoleão, também conhecida como A Consagração de Napoleão I e a Coroação da Imperatriz Josefina. Três anos foram necessários para que o pintor terminasse a obra encomendada pelo imperador francês para imortalizar sua coroação, ocorrida em 2 de dezembro de 1804, na Catedral Notre-Dame de Paris. O curioso é que, por se tratar de uma obra de propaganda política, alguns elementos foram distorcidos da realidade. A mãe de Napoleão, por exemplo, aparece sentada no trono, no centro da pintura. No entanto, ela não estava presente no evento. Madame Récamier, O Juramento dos Horácios e As Sabinas são outras obras de David que aparecem no clipe de Beyoncé e Jay-Z.  

 

7 – Outro ângulo

Agora é o momento de encarar a visita por outro ângulo. Destruída em 1661 por um incêndio, a Galeria de Apolo (705-1 Denon) foi reconstruída pelo arquiteto Louis Le Vau. Mas o que nos interessa aqui é a decoração do teto, idealizada por Charles Le Brun. A pintura central, de autoria de Eugène Delacroix, representa uma cena da mitologia grega, na qual Apolo mata a serpente Píton. A suntuosidade do aposento revestido em dourado não passa despercebida.

 

 

8 – Beleza grega

Vamos entrar mais fundo na arte grega ao chegar aos pés da Vênus de Milo. Encontrada em 1820, a estátua representa Afrodite, a deusa grega do amor. Alguns detalhes permitem afirmar que essa escultura em mármore data de aproximadamente de 100 a.C. Sua silhueta alongada e sua nudez carnal correspondem às características das obras produzidas no período helenístico. Apesar de ser uma das principais peças do acervo do Louvre, é possível admirá-la com certa tranquilidade. Atravesse a sala (345-0 Sully) de esculturas e pare alguns minutos diante de Hermes atando as sandálias. A estátua em mármore é uma cópia romana de uma obra de Lísipo, realizada em bronze.

 

 

9 – Guardião egípcio

Apesar de a coleção de antiguidades egípcias ser uma das mais preciosas do museu do Louvre, vamos dar apenas uma pincelada nessa ala. A Grande Esfinge de Tânis foi o carro-chefe do departamento desde a sua criação, em 1826, pelo rei Carlos X. A escultura integra o corpo do leão, animal que também é um símbolo solar, e a cabeça do faraó. Não haveria melhor guardião para o pavilhão egípcio. A escultura (cerca de 2.600 a.C.) foi encontrada em 1825 entre as ruínas do templo de Amon-Rá, em Tânis.

 

10 – Último obstáculo

Se tudo correra bem pelo caminho até aqui, às vezes é preciso improvisar. Uma das escadas do nosso trajeto estava fechada (consulte o site do museu para verificar quais serão as salas indisponíveis para o público no dia da sua visita), mas buscamos uma rota alternativa para chegar até o Retrato de uma Negra (935-2 Sully). O olhar sério, a pose calma e o seio desnudo dão à modelo anônima um ar de nobreza. Especula-se que seja uma escrava recentemente alforriada. Atravesse as salas de pintura francesa até o Pavilhão do Relógio, pegue as escadas Henri II até o subsolo e dirija-se à saída. “I can’t believe we made it” (não acredito que conseguimos, em inglês), ecoa em minha cabeça na voz de Beyoncé. Não haveria verso mais conveniente para selar o fim do nosso passeio.

Uma última dica: o museu fica aberto até as 21h45 às quartas e sextas-feiras. No fim do dia, as salas estarão mais vazias e você terá mais tranquilidade para admirar os detalhes de cada obra de arte, especialmente as mais concorridas. De quebra, você ainda pode ver um belo pôr do sol na saída do museu pela pirâmide de vidro. 

Serviço

Preço:

15 euros (bilheteria)

17 euros (online).

Horários:

Segunda/Quinta/Sábado/Domingo: 9h – 18h

Quarta/Sexta: 9h – 21h45

Terça: Fechado

Tour temático:  "Jay-Z e Beyoncé no Louvre"

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