Mônica Nobrega/Estadão
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Passeios em Vancouver: 7 lugares para ver o indispensável

Cercada de água e cheia de espaços de lazer ao ar livre, Vancouver fica mais interessante ensolarada. Nosso roteiro expresso lista sete maneiras de aproveitar

Mônica Nobrega, Estadão

15 Setembro 2015 | 03h00

Habitantes de Vancouver acham que a vida é curta. Pelo menos é isso que o comércio local dá a entender. Na entrada do café descoladinho, na loja de calçados diferentões, placas afirmam que “life is too short to…” (“a vida é muito curta para…”). E completam: beber café ruim, usar sapatos entediantes. Para não ter graça nem sabor, concluo, por minha conta e risco.

Vancouver, cidade de 600 mil habitantes na costa oeste (2,5 milhões na região metropolitana) é um dos principais expoentes turísticos do Canadá. Em agosto, época da minha visita, vive o auge do verão e das férias escolares, até a primeira semana de setembro. Com calor e tempo seco, as atrações estão ao ar livre. Vizinhança renovada em nome do esporte, mercadão, arte na rua, bairro boêmio com mesas nas calçadas e, especialmente, ocupação de qualquer gramado, píer e deque. Seja para cochilar, ler ou fazer piquenique.

A juventude que chega a Vancouver para fazer intercâmbio, como muitos brasileiros, é a mesma que garante atendimento multilíngue em lojas e restaurantes e movimenta eventos como o Anime Revolution, convenção de fãs das animações em estilo japonês que coloriu as ruas com fantasias de super-heróis, perucas e vestidos de boneca enquanto eu estava lá. 

É expressiva a presença de pessoas de origem asiática, especialmente chinesa, vivendo em Vancouver: somam 43% da população da região metropolitana, segundo a Statistics Canada, empresa que produz estudos estatísticos para o governo do país. Com reflexos na cultura e no modo de vida local. A cidade abriga a terceira maior Chinatown do mundo, atrás de São Francisco e Nova York, e recebe, todo mês de junho, um dos maiores festivais de barcos-dragões fora da Ásia. 

De bicicleta ou táxi aquático, moradores e turistas zanzam em busca de um lugar ao sol enquanto ele está lá – porque de outubro em diante chove bastante. E faz frio, não as duras temperaturas negativas do resto do Canadá, mas o suficiente para mandar todo mundo de volta para dentro, algo entre 0 e 5 graus. Para só esquentar de novo lá para junho do ano seguinte.

Sobre a vida, nada se pode afirmar. Já o verão no Canadá, esse é curto, com certeza. Curto era também o tempo que eu tinha em Vancouver. Assim, fiz um roteiro expresso, certeiro para uma primeira olhada. Acompanhe a seguir, em sete passos.

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Chinatown de Vancouver, a terceira maior do mundo

A vitrine da loja de chás Treasure Green expõe delicadas porcelanas, caixas e sachês. Poucos passos adiante, são as bancas do mercado Cheung Sing Herbal & Birds (536, Mains St.) que, esparramadas na calçada, oferecem bolotas, pedaços, fiapos e infinitos pacotinhos de conteúdo comestível indecifrável a olhos ocidentais. Pequenos restaurantes vendem tigelas de arroz temperado. E tanta mistura torna a Chinatown de Vancouver um passeio literalmente delicioso. 

Mônica Nobrega, Estadão

15 Setembro 2015 | 00h01

A região tem seus monumentos, como o portal e o painel-mosaico representando o zodíaco e, no verão, festivais de comida, moda e cultura na rua. Mais: vancouver-chinatown.com

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Compras e um waffle para se fartar no centro de Vancouver

Sempre tem fila na porta do Café Medina. O motivo é um waffle do diâmetro de um punho fechado, que pode ser acompanhado de calda de chocolate, geleias de frutas, compotas alcoólicas ou um inesquecível doce de leite com toque de sal. Daria para comer meia dúzia – mas as outras tentações do cardápio não deixarão você fazer isso. 

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 00h01

Antes de conhecê-las, um rápido perfil. O Café Medina é um lugar moderninho, de luminárias industriais, piso de cimento queimado e jovens intercambistas compondo o staff. Serve exclusivamente brunch – daí seu horário de funcionamento, só até as 15 horas. Contra a fila, chegue antes de a fome ficar insuportável, coloque nome na lista, receba a previsão de atendimento e saia para dar uma volta em Downtown.

Logo na esquina está a Robson Street, via de grifes medianas e lojas de departamento de sempre: Armani Exchange, Guess, Tommy Hilfiger, Zara. Para se surpreender, entre pelas portas giratórias do supermercado coreano H-Mart (no número 590). Desista de procurar uma lógica conhecida de organização: sacos de papel com batata doce quentinha, assada agora mesmo, estão ao lado de meias coloridas, maquiagens e máscaras nutritivas para a pele, para passar desenhando um panda no rosto.Outra opção interessante de consumo, a Lululemon é uma grife local de roupas confortáveis, inspiradas na ioga. 

Ao norte está o píer de cruzeiros e o Harbour Green Park, ambos diante da Baía de Vancouver. Fica por ali o Cactus Club Café, com boa comida e clima de balada. É ótimo para o pôr do sol, especialmente se você reservar uma mesa com vista para a baía.

Leia mais: Como usar bem suas milhas

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Parques para pedalar, caminhar e curtir a natureza de Vancouver

O parque urbano mais querido de Vancouver é uma península verde, recoberta de floresta e ligada à área de Downtown por um rabicho estreito de terra, o que faz do Stanley Park quase uma ilha. Tal situação geográfica garante vistas incríveis de praticamente qualquer ponto. Ao sul, admira-se a linha de prédios do centro; rumo ao norte partem hidroaviões que fazem passeios por ilhas do entorno. A oeste vê-se a Baía Inglesa, onde há uma praia urbana. 

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 00h01

O Stanley Park tem 4 quilômetros quadrados de área total – para comparação, o Ibirapuera paulistano soma 1,58 quilômetro quadrado – e uma ciclovia que acompanha a estrada e dá a volta completa ao seu perímetro, com quase 9 quilômetros de extensão. 

Patinadores, skatistas e pedestres são igualmente bem recebidos. Quadras de tênis, playgrounds, trilhas, praça de totens dos indígenas (First Nations, como dizem lá), mais parque aquático infantil e piscina pública (abertos de junho a setembro) e o Aquário de Vancouver fazem do Stanley um lugar para ficar muito tempo.

Já a vista do alto mais bonita está no florido Queen Elizabeth Park, a 15 minutos de carro distante do centro. No mirante, a escultura Photo Session, do artista Seward Johnson, mostra três figuras humanas de costas para a paisagem e uma quarta, máquina fotográfica em punho, pedindo uma licencinha com a mão. Exatamente o que os turistas não cansam de fazer ali. 

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Bairro histórico de Gastown: moda, design e um relógio a vapor

Bairro histórico onde nasceu Vancouver, Gastown tem sabor misto de história e modernidade. Conserva sua rua principal, a Water Street, de paralelepípedos, e nela, na esquina com a Cambie Street, um relógio a vapor que, apesar da aparência antiga, tem apenas 38 anos – ele apita e solta fumaça a cada quarto de hora. Há uma estátua que representa Gassy Jack, o barman que fundou o bairro. 

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 00h01

Mas os bem conservados predinhos vitorianos hoje abrigam restaurantes, cafés, galerias de arte, lojas que apostam suas fichas em design exclusivo. A Kit&Ace vende lindos cashmeres artesanais – o modelo Blanket Wrap, aberto na frente e com comprimento abaixo dos joelhos, custa 368 dólares canadenses (R$ 1.060). 

John Fluevog é o designer de calçados canadense que acha que ninguém deveria usar sapatos entediantes. Diz e prova: na loja que leva seu nome, no número 65, botas masculinas ganham costuras que lembram chifres de carneiro, e sapatos femininos do tipo boneca têm saltos em forma de pedestal de taça. Espere gastar desde 250 dólares por par (R$ 719). Veja o catálogo (e resista, se puder) em fluevog.com.

O pub Lamplighter (no número 92) é especialista em eventos diferentes. Abriga o encontro semanal da Sociedade da Cerveja de Gastown (quartas-feiras, às 18 horas) e acaba de hospedar um campeonato de pinball. 

Leia mais: Como tirar passaporte?

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Esqui e passeios em Vancouver: a Grouse Mountain

No inverno, pistas cobertas de neve permitem esquiar bem perto do centro de Vancouver (passes válidos para a próxima temporada inteira estão à venda por 499 dólares canadenses, R$ 1.437). O tempo quente enche a Grouse Mountain, autodenominada “o pico de Vancouver”, de passeios para curtir a natureza verdejante. 

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 00h01

Tem trilhas variadas, tirolesa, observação de pássaros, tours de helicóptero. Chegar lá já é um passeio panorâmico: a subida é feita na gôndola Skyride (43,95 dólares, R$ 127, ida e volta). 

Uma experiência interessante é o “café da manhã com os ursos” (64,95 dólares, R$ 187), que inclui acompanhar o desjejum dos animais e uma caprichada refeição nas alturas. 

Leia mais: Dicas básicas para iniciantes no esqui

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Na ilha da diversão de Vancouver, grafite dos brasileiros OsGemeos

Haja comida boa e bonita – não necessariamente barata. São caixas de cerejas frescas brilhantes de tão maduras (5 dólares canadenses, R$ 14), lascas de salmão defumado (24,90 dólares o quilo, R$ 71), pães frescos, saladas em embalagens individuais, sushis, yakissobas, sucos, vinhos. É comprar sua refeição nas bancas do Mercado Público de Granville Island e, do lado de fora, escolher um banco no deque para sentar e comer calmamente, observando o vaivém de barcos. 

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 00h01

Granville é uma península no False Creek que fica literalmente debaixo da ponte, uma imponente ponte metálica construída em 1951 com 27 metros de altura. Nos últimos anos, a área ganhou fôlego como empreendimento de lazer e passou a receber investimentos de toda sorte de gente criativa, como artistas, cozinheiros, designers. Turistas, claro, chegaram junto. 

Domingo é um dia festivo, com muitos forasteiros e moradores interessados na variada oferta gastronômica, nos estúdios, em moda, galerias de arte e oficinas de bicicleta. Há até estacionamento para as magrelas. E parada do Aquabus, para chegar nos barcos-táxis. 

O Mercado Marítimo é o lugar para apaixonados por barcos. Além da marina, há lojas especializadas e outras que vendem souvenirs, artesanato, joias. 

A trinca de mercados de Granville Island fica completa com o Kids Market, instalado em um prédio industrial construído quase um século atrás, em 1917. Quem está com crianças só deve entrar ali com fôlego para gastar: são 25 lojas e a oferta é variada. Roupas e fantasias, brinquedos modernos e vintage, livros e kits de mágica fazem até adultos caírem em tentação. 

A fábrica de cervejas Granville Island Brewing também faz cair em tentação. São cinco tours diários, por 9,75 dólares canadenses (R$ 28), com degustação de três tipos de cerveja. 

Antes ou depois, curta uma atração que nós, brasileiros, podemos dizer que é de casa. Os grafiteiros OsGemeos pintaram em Granville Island um mural composto por seis silos de 21 metros de altura cada. Vai dizer que não dá uma sensação de familiaridade ver os personagens gigantes da dupla? A vida, afinal, é muito curta para não se sentir em casa. 

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