Yesenia Papile/Divulgação
Yesenia Papile/Divulgação

Nova York: a nova Downtown e outros passeios

Como a região de Lower Manhattan, uma das mais antigas da cidade, está se reinventando e atraindo turistas 15 anos depois do 11 de setembro

Letícia Sorg / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2016 | 05h25

Mesmo para estreantes, Nova York desperta uma curiosa sensação de familiaridade misturada com a empolgação da novidade. As avenidas, os arranha-céus, as luzes da Broadway, o Central Park - é só começar a andar pela cidade que se sentir em alguma série, filme, reportagem.

Outono em Nova York (2000) aumentou o charme das folhas amareladas no parque. King Kong (1933) ressaltou a imponência do Empire State Building. A série Seinfeld (1989-1998) eternizou um clássico dinner no Upper West Side. Já as imagens da região de Lower Manhattan que mais recentemente ficaram na memória coletiva - a das Torres Gêmeas do antigo World Trade Center despencando depois de serem atingidas em cheio por aviões, do caos, das pessoas se atirando lá do alto em desespero -, já não fazem justiça a esta que é uma das regiões mais antigas da cidade.

O atentado de 11 de setembro de 2011 completou 15 anos, mas sua lembrança continua forte no imaginário mundial. 

O principal símbolo desse renascimento é o One World Trade Center. É impressionante a torre, com 541 metros de altura - ou 1776 pés, numa referência ao ano de independência dos Estados Unidos. Considerada um dos prédios mais seguros do mundo, demorou 7 anos para ficar pronta e custou incríveis US$ 4 bilhões. É um monumento ao poder dos Estados Unidos.

Isso não quer dizer, contudo, que os americanos se esqueceram da história. O arranha-céu fica bem ao lado das impressionantes crateras das Torres Gêmeas, hoje transformadas em monumento à memória das vítimas, e do Museu do 11 de Setembro. Completa a paisagem o Oculus, inaugurado em março. O projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava - o mesmo que assina o Museu do Amanhã, no Rio - é mais do que uma estação de metrô e um shopping center. Com sua estrutura geométrica branquíssima, lembra uma pomba da paz.

O Battery Park, estrela de filmes do diretor Woody Allen e que ultimamente andava um pouco caído, está em processo de revitalização. Ganhou o carrossel SeaGlass no ano passado. Mais um bom motivo para ir descobrir essa nova Downtown. 

Veja os passeios que não se deve perder.

One World Observatory 

oneworldobservatory.com; US$ 34

A diversão começa diante do mapa-múndi que registra a origem de todos visitantes que passam pelo local. São quase 3 milhões desde a abertura, em maio de 2015. O elevador não é panorâmico, mas exibe, em 46 segundos, a evolução da paisagem de Nova York desde o século 16. Tudo sob uma trilha sonora que prepara para o clímax: a vista desde o 102º andar. O pôr do sol é um dos horários mais disputados. Há bar e restaurante, pagos à parte, claro. A parte chata é enfrentar uma triagem de aeroporto. O prédio, considerado alvo potencial de terrorismo, tem forte esquema de segurança.

Museu e Memorial 11 de Setembro

911memorial.org; US$ 15

A única escada que restou do complexo onde ficavam as Torres Gêmeas, o carro de bombeiros que ajudou no resgate das vítimas, um pedaço do avião que se chocou contra um dos prédios: os objetos estão expostos neste misto de museu e memorial, quase todo construído sob a terra, sem janelas. Há um minuto a minuto do fatídico 11 de setembro de 2011; em fones, é possível escutar diálogos finais de desespero e despedida. Uma sala tem paredes e mais paredes recobertas com fotos das vítimas. Na saída, observe, na praça, a árvore cercada: foi a única sobrevivente dos atentados. É chamada de Survivor Tree.

Oculus

Foram sete anos e US$ 4 bilhões em dinheiro público para construir o polêmico Oculus, estrutura branquíssima em forma de pomba que abriga um shopping de luxo, o Westfield World Trade Center. O projeto inicial do arquiteto Santiago Calatrava era que as asas da pomba se movessem. Atrasos e o alto custo levaram à desistência. Dentro há três andares de lojas, inclusive uma filial do mercado gastronômico Eataly. E também uma estação de metrô, que recebe os trens que vêm de Nova Jersey. 

Battery Park

www.thebattery.org

No extremo sul da ilha de Manhattan fica o Battery Park. A vista para Nova Jersey é linda e, dependendo da temperatura, o lugar vira um movimentado calçadão, com muitas pessoas correndo ou passeando com o cachorro. Caminhe até chegar ao SeaGlass Carousel. Inaugurado em setembro do ano passado, é uma maneira mais criativa de iluminar o parque e atrair visitantes. O prédio, que lembra uma concha, abriga um carrossel de figuras marítimas que levam crianças - e adultos - a passear num mar de luzes e de sons do mar. O passeio custa US$ 5.   

NO UPPER EAST SIDE

The Met Breuer

metmuseum.org/visit/met-breuer; US$ 25

No Upper East Side, o The Met Breuer foi aberto ao público em março. As exposições de arte contemporânea são temporárias; a exposição de mais de 100 imagens da provocativa fotógrafa americana Diane Arbus fica em cartaz até domingo (dia 27). A mostra dos trabalhos do também americano Kerry James Marshall vai até 27 de janeiro. O valor do ingresso, US$ 25, é sugerido, ou seja, o visitante paga quanto achar justo. 

NO BROOKLYN

Tour chocólatra

asliceofbrooklyn.com

“Nós não apenas mostramos a você o Brooklyn, nós somos o Brooklyn”, diz o slogan da A Slice of Brooklyn, fundada em 2005 com a proposta de mostrar “fatias” (slices) da região mais populosa de Nova York aos turistas. O tour de pizzas (US$ 80), que inclui Grimaldi’s e L&B Spumoni Garden, foi o pioneiro entre as quatro opções – entre elas, um passeio de luzes de Natal. 

Embarcamos no recém-lançado tour de chocolates (US$ 50), que dura cerca de 4 horas entre degustação, compras e traslado. 

O guia lembra um Buddy Valastro (o Cake Boss), e entretém o grupo contando curiosidades do bairro. São quatro paradas em chocolaterias bem diferentes entre si. 

A Jacques Torres é uma loja gourmet com um ótimo chocolate branco com macadâmia. Na Chocolate Room, especializada em sobremesas, provamos bolo de chocolate com um delicioso chocolate quente. A fábrica Li-Lac abriu em 1923 e tem as opções mais tradicionais. E, no galpão da Raaka, provamos chocolate feito a partir de grãos sem torrar, com sabor intenso de cacau – foi inevitável comprar três barras (US$ 7,95 cada). Na volta ao ônibus, o guia distribui bem-vindas garrafinhas d’água. 

Feitos à mão

madeinbrooklyntours.com

A Made in Brooklyn Tours aposta no artesanato local como fio condutor dos turistas. Uma opção de passeio, a pé, mostra artesãos de Williamsburg, a área mais valorizada do Brooklyn – uma outra forma de conhecer a terra dos hipsters e do movimento maker.

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