FABIO MOTTA | ESTADÃO CONTEUDO
FABIO MOTTA | ESTADÃO CONTEUDO
PUBLICIDADE
Imagem Ricardo Freire
Colunista
Ricardo Freire
Turista profissional
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Novidades de ouro

Envie sua pergunta para viagem.estado@estadao.com

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2016 | 07h08

Há pouco menos de dois meses, escrevi uma coluna intitulada Ouro para o turista, em que eu discordava do pessimismo dominante a respeito do chamado legado olímpico. Pois bem: bastou a Olimpíada começar, e os últimos tapumes serem desmontados, para que as obras dissessem ao que vieram. Surpresa! O padrão de acabamento não é o da ciclovia que desabou.

Até os cariocas, justamente indignados com a situação falimentar dos serviços públicos, começam a perceber as virtudes do que foi feito. Quem já teve a oportunidade de ir de Ipanema à Barra da Tijuca pela Linha 4 do metrô (por enquanto exclusiva dos espectadores dos Jogos) percebe a diferença que vai fazer na vida da cidade.

No Centro, a abertura do último trecho da Orla Conde – à altura da Candelária, onde foi instalada a Pira Olímpica – revelou enfim a magnitude do projeto do Porto Maravilha. Para além de reconciliar o Rio com a sua orla central, a obra criou um novo corredor, bonito e seguro, para visitar atrações de primeira grandeza.

Venha de metrô da zona sul e salte na estação Cinelândia. Ali você embarca no VLT e vai em segurança – mesmo no mais ermo dos domingos – até o Porto Maravilha, onde pode saltar na estação Utopia/Aquário para passar em revista os grafites dos armazéns (culminando com o mural Etnias, do Kobra, que se tornou instantaneamente o mais novo cartão-postal do Rio e entrou para o Guinness Book). Dali até a Praça XV são tantas as possibilidades de paradas e desvios – os Jardins do Valongo, o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu do Amanhã, a Pira, a Igreja da Candelária, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a Casa França-Brasil, o Centro Cultural dos Correios, a Ilha Fiscal, as barcas para Niterói – que vai ser impossível dar conta de tudo numa visita só. Enquanto o VLT não chega à Praça XV, embarque de volta na estação Candelária.

A experiência olímpica pode deixar também um outro legado. Pela primeira vez no Brasil a massa de visitantes foi estimulada a usar o transporte público para se movimentar por uma cidade inteira. Para isso, os visitantes puderam comprar um cartão especial de transporte e receberam orientação intensiva nas estações e pela internet.

Não é preciso sediar Jogos Olímpicos para criar essa estrutura. Um passe de transportes (que inclua também atrações!) é o básico do básico para qualquer destino que queira competir a sério por mais turistas. E não só pelos gringos: muitíssimos brasileiros deixam de viajar pelo Brasil por não encontrarem aqui essas facilidades. Vamos nos preparar para chegar ao pódio, Brasil?

Encontrou algum erro? Entre em contato

PUBLICIDADE

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.