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Recentes inaugurações do Italo, com seus vagões vermelho-Ferrari, e do Rhin-Rhône reforçam o gosto europeu - e dos turistas que visitam o continente - pelos trens-bala

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2012 | 15h18

Acomode-se na poltrona, escolha um programa de TV ou um filme. Se preferir, simplesmente relaxe e brinque de tentar apreciar a paisagem que passa pela janela. Passa não, corre. Inaugurado na Itália em 28 de abril, o novíssimo Italo, que viaja a até 300 quilômetros por hora (mas tem capacidade para 360), é a mais recente novidade a confirmar a tendência europeia de investir em trens super-rápidos. Que podem, dependendo do trecho e da antecedência da compra do bilhete, ser mais vantajosos que as viagens de avião.

 

O trem-bala italiano chega cheio de predicados sob medida para conquistar turistas. O projeto tem o dedo da Ferrari: o presidente Luca di Montezemolo é um dos acionistas da Nuovo Transporto Viaggiatori, empresa privada que opera o Italo. O que ajuda a explicar o design moderno e os vagões vermelhos, que contam com Wi-Fi gratuito. Os trechos cobertos incluem Nápoles, Roma, Florença e Milão.

 

O modelo recém-inaugurado tem 11 vagões e capacidade para 460 pessoas. Os planos divulgados pela empresa são de chegar a 50 viagens por dia até 2014. Já a expectativa dos passageiros é de concorrência com a Trenitalia, a rede estatal de trens, e queda de preços. A briga tarifária, pelo jeito, já começou: para um mesmo sábado de junho, daqui a um mês, o trecho Milão–Roma custa de 39 a 69 euros na Trenitalia e a viagem é feita em cerca de 6h30. No Italo, bilhetes variam de  45 a 65 euros e o trajeto demora por volta de 3 horas.

 

Outro trem bala foi inaugurado em dezembro entre França, Suíça e Alemanha. Com base na França, o Rhin-Rhône parte de Paris, atravessa a Borgonha e os Alpes, passa por Zurique e chega em Frankfurt em pouco menos de 4 horas.

 

Velhos conhecidos. Os trens rápidos têm muita responsabilidade na percepção geral de que viajar sobre trilhos é uma opção tipicamente europeia. Além dos recém-lançados, há pelo menos mais uma dúzia de opções pelo continente. E muitos estão consagrados entre os turistas. A Espanha, por exemplo, conta com uma rede muito bem distribuída que chega às principais cidades. Em seu trajeto mais famoso, o AVE viaja a 300 quilômetros por hora e faz o percurso de 600 quilômetros entre Madri a Barcelona em pouco menos de 3 horas.

 

A partir de Estocolmo, na Suécia, é possível chegar a Copenhague, na Dinamarca, nos vagões do SJ, que se movem a 200 quilômetros por hora. Em um dos momentos mais bonitos da viagem, a composição cruza a Ponte Oresund, a maior travessia ferroviária da Europa, com quase 8 quilômetros de extensão.

 

Tempo e dinheiro. Se o tempo for fator determinante na hora de escolher o meio de transporte para se deslocar pelo continente europeu, a conta é simples: para ir a qualquer destino a até quatro ou cinco horas de distância, o trem vale a pena.

 

Ao aeroporto, quase sempre longe do centro, você é obrigado a chegar com pelo menos uma hora de antecedência. No desembarque, leva mais algum tempo para pegar as malas e precisa encontrar um jeito de chegar à cidade. Já as estações ferroviárias, em geral, estão a poucos passos dos principais pontos turísticos e, certamente, do seu hotel.

 

Os preços devem ser analisados – e comparados – com um pouco mais de cuidado. Os famosos passes, cujo nome soava como passaporte da alegria até algum tempo atrás, já não são mais sinônimo de economia certa. Antes de comprar um deles, uma boa dica é orçar os mesmos trechos de forma independente nos sites das empresas ferroviárias e comparar o valor total com o do passe combinado. Não é raro sair mais em conta.

 

Passes precisam ser comprados antecipadamente – no Brasil, a Rail Europe e a Eurail são as principais vendedoras, com sites em português. Permitem viajar em um único país ou combinar destinos. Mas cobram taxa extra para reservas nos trens rápidos. Para conseguir lugar no Thalys, que liga Amsterdã, Bruxelas e Paris, por exemplo, você terá de pagar entre  32 a  50 euros. A exceção é o ICE, da Alemanha, sem cobrança extra.

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