Novo e colorido lifestyle berlinense

Poucos resquícios do leste sobreviveram à revitalização urbana do hoje supervalorizado Prenzlauer Berg

Bruna Tiussu, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2009 | 01h42

Se a intenção for conhecer a Berlim pós-guerra, você vai se desapontar. Depois da queda do Muro, a cidade começou a ser restaurada - e continua sendo até hoje. E o que se vê é uma capital descolada, que faz questão de exibir suas modernidades e só deixa entrever, aqui e ali, as marcas de seu passado.

 

MODERNO - Nas vitrines, um mix que inclui de brechós a lojas de grife e de novos estilistas

O desenvolvimento urbano foi mais acelerado em bairros como Prenzlauer Berg e Kreuzberg. Antigamente ocupados por imigrantes e operários, passaram a atrair jovens e artistas por causa dos aluguéis baratos. E viraram símbolo máximo do lifestyle berlinense.

 

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Em Prenzlauer Berg, ao norte do Mitte, apenas alguns poucos prédios quadrados lembram os tempos de Alemanha Oriental, quando o bairro chegou a ser palco de movimentos de oposição ao governo socialista. O cenário atual é dominado por construções modernas, parques e muitas cores. O ambiente e a fama tiveram impacto nos aluguéis, que hoje estão mais altos que a Torre da TV.

A rua principal é a Schönhauser Alle, repleta de cafés e vitrines, que vão de grifes internacionais a lojas de novos estilistas e brechós. Dali você não anda muito até o Mauerpark, que conserva resquícios do Muro. A área é menos arborizada do que o nome sugere, mas compensa a falta de uma beleza ostensiva com as barraquinhas do divertido Flohmarket. O mercado de pulgas ocorre sempre aos domingos e é perfeito para garimpar livros, CDs e resquícios da subcultura oriental. E procure não demonstrar espanto se, de repente, você começar a ouvir as notas mais desafinadas de toda a história da humanidade. É alguém arriscando a própria reputação e os tímpanos alheios no karaokê, no meio da feira.

Ao sul do parque, perto da Estação Bernauer Strasse do U-Bahn (metrô), estão três ou quatro locais muito frequentados pelos jovens de Berlim -- e ainda fora do roteiro turístico convencional. Chamados de Weinerei - casa de vinhos -, esses espaços são uma mescla de bar e restaurante. Até aí, normal. A novidade é que em um Weinerei o cliente paga o quanto quiser pelo que consumiu.

O Perlim (na Griebenowstrasse), um dos mais antigos, abriu as portas há 12 anos. Conta com apenas seis mesas e um telão para exibir filmes antigos. A entrada custa 1 e garante uma taça. Depois, help yourself: em um balcão ficam sete opções de vinho e cada um se serve à vontade. Antes de sair, você deposita em uma caixa o valor que acha justo pela noitada.

Perto dali está um dos monumentos que resistiram ao tempo, o Wasserturm (Torre de Água), na esquina da Knaackstrasse com a Rykestrasse. Na época de Hitler, o prédio foi um campo de concentração improvisado. Depois da guerra, passou a abrigar flats e até uma creche. Falando em crianças, é incrível a quantidade de mães empurrando carrinhos de bebê. São aquelas jovens que fizeram a fama de Prenzlauer Berg e, agora, já com seus 30, 40 anos, estão formando família.

Viagem feita a convite da Rail Europe e da TAM

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