Novos horizontes para o paladar

Quando as primeiras folhas de jambu anestesiarem suavemente a língua, você vai ter certeza de que seu paladar chegou a um novo horizonte. Conhecido como agrião do Pará, o vegetal é indispensável na receita do tacacá, caldo fino preparado à base de tucupi, que por sua vez é feito da raiz da mandioca brava, que está na base da maniçoba, espécie de feijoada regional. É neste ritmo, um ingrediente levando a outro, que você vai descobrindo as nuances da culinária local.

BELÉM, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2011 | 06h09

Incontestavelmente o melhor lugar para essa introdução é o Mercado Ver-o-Peso, aberto em 1625, e que ganhou tal nome porque as embarcações ali paravam para conferir o peso da carga que levavam para a Europa, antes de serem cobrados os impostos para a coroa portuguesa.

De lá para cá, as mercadorias mudaram pouco, ainda bem. Na área das frutas destacam-se açaí, cupuaçu, bacuri, tucumã e o muruci. Dá para comprar em pequenas quantidades e provar de tudo um pouco, já que os vendedores sabem que você está só de passagem. A maior parte destes sabores também estão congelados em inesquecíveis sorvetes de massa da Cairu e da Ice Bode.

Outro destaque são os incríveis - e maravilhosos - peixes frescos e secos, tanto de rio quanto de mar, que não está longe dali. Se der sorte, você pode ver um imenso pirarucu sendo fatiado. Peixe que, por sinal, é o carro chefe do restaurante Remanso do Peixe, servido defumado numa caldeirada com banana da terra, ameixa seca, castanha do Pará e pimentão. Como entrada, peça uma porção de bolinhos de piracuí, que lembram - ou superam - os de bacalhau. E de sobremesa, um inesperado pudim com calda de cumaru e pérolas de tapioca.

Outro famoso prato local, o pato no tucupi pode ser provado no aconchegante Boteco das Onze, nos fundos da inacreditável Casa das Onze Janelas, coladinha ao Forte do Presépio. O restaurante da casa erguida no século 18 serve o prato em várias versões - o pastelzinho de forno é a mais inusitada. Não perca também o feijão de corda com carne seca e queijo gratinado. Tudo isso regado a cerveja Cerpa, de produção local, e ao vento que refresca o fim de tarde de Belém. / F.M.

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