NY a menos de US$ 150? Sim, você pode

SETH KUGUEL / NOVA YORK , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2012 | 03h13

Dá para conseguir um quarto de hotel decente em Manhattan por uma diária de menos de US$ 150? Na maior parte das cidades o visitante teria muitas opções nessa faixa de preço. Basta entrar em sites como o booking.com ou hotels.com e olhar para os infinitos resultados.

Se você fizer a mesma busca em Nova York, só encontrará apartamentos de US$ 129 em grandes cadeias hoteleiras perto dos aeroportos Kennedy e La Guardia, no Queens, e motéis do outro lado do Rio Hudson, em New Jersey. Em Manhattan, no entanto, essas ofertas raramente aparecem. Mas saiba que existem alguns poucos, mesmo que não surjam de cara nas buscas.

Em setembro, passei sete noites vagando por Manhattan e posso afirmar que alguns desses estabelecimentos low cost são, em geral, limpos, decentes e ocasionalmente deliciosos. No entanto, tive de fazer alguns sacrifícios, algumas vezes tolerando o que a indústria da hospitalidade chama de "acomodações em estilo europeu". Isso significa que tive de dividir banheiro.

Dos sete lugares que eu testei, dois foram bem "estilo hotel", três eram do tipo Bed&Breakfast e um era um quarto individual no bom e velho YMCA (ACM, no Brasil). Para a sétima noite, reservei um hotel no Priceline, que acabou ficando em US$ 157 com taxas. Todos os preços incluem taxas e impostos - nem sempre mencionados nos sites, mas anunciados no check-out - e são para os quartos mais básicos dos estabelecimentos.

COM ALGUMAS REGALIAS

O Larchmont Hotel (larchmonthotel.com) fica num local fantástico pelo preço: uma rua com árvores frondosas em Greenwich Village, perto da New York University e da Union Square. Ele opera como um hotel e tem até carregador de malas para levar a bagagem por uma gorjeta que deixa a hospedagem mais cara desnecessariamente.

Com 66 quartos esculpidos no que deveriam ser grandes apartamentos, não é precisamente acolhedor (as diárias variam de US$ 107 o quarto single a US$ 140 o duplo, sendo que eu paguei US$ 129). Mas é muito Nova York, o que me fez lembrar de cada apartamento em Manhattan que já tinha alugado.

O Larchmont merece crédito por tornar mais agradável a experiência no banheiro compartilhado, dando roupões e chinelos aos hóspedes, além de xampu e sabonete - o que ameniza as idas e vindas até o quarto. As chaves têm uma pulseira elástica para pendurar no braço e usar durante o banho.

O café da manhã gratuito é oferecido em um estreito, mas agradável, porão.

COMO NA CASA DA AVÓ

A extraordinária pousada de Anne Edris na Avenida C não tem nenhum sinal exterior, a não ser as coloridas, porém discretas, pastilhas na calçada que formam as iniciais do East Village Bed & Café (bedandcoffee.com). Dentro, o lugar é um pouco loft (pé direito alto, tijolos expostos), um pouco garagem (ferramentas e bicicletas) e um pouco galeria de arte (a decoração tem um mural feito com páginas de diários de viagem da avó da proprietária).

Cada quarto (US$ 120 o single e US$ 145 o duplo) tem um tema diferente - há, por exemplo, os holandeses e afegãos. Fiquei no observatório, que dava para a rua, mas com janelas antirruído, para manter distância do barulho da cidade, uma boa sacada.

Os caprichos não param por aí. Cozinhas bem equipadas, salas onde dá para se sentir em casa e até protetores auriculares grátis. Uma espécie de enciclopédia de menus de restaurantes delivery está disposta pela mesa. Eu pedi um banquete Dumpling Man (dumplingman.com) por US$ 12. Há bicicletas livres (com capacetes), bastante úteis, já que o metrô mais próximo fica a 15 minutos de carro. Os banheiros de uso comum são limpos e cheios de amenities.

Mas o melhor é Mango, o cão de Edris, resgatado em uma rua de Porto Rico, que agora vive sua segunda encarnação como um amável e bem-comportado vira-lata do East Village, disponível para quantidades ilimitadas de carinho.

VIZINHANÇA VALORIZADA

O Harlem Bed & Breakfast (harlembedandbreakfast.com) está a quatro quadras das paradas 2 e 3 dos trens expressos na 116th Street, perto de restaurantes soul food como o Amy Ruth e de africanos como o Le Baobab. Em outras palavras, bem no meio da área recém- valorizada do Central Harlem.

Não que você vá precisar de restaurantes. Os quartos, com camas que já viram dias melhores, têm pequenas cozinhas e o generoso café da manhã tem bons croissants, rosquinhas e muffins, disponíveis o dia inteiro, assim como máquinas de café e chá.

O quarto single custa a partir de US$ 101 e o duplo, US$ 141, reservando por sites como BedandBreakfast.com. Meu quarto era escuro, mas não dá para reclamar de falta de luz num primeiro andar em Manhattan. Além disso, um hóspede deve ter deixado a porta da frente aberta e uma pessoa bateu à minha porta à 1h30, pedindo para ligar para o dono e pedir sua chave. Mais um motivo para ficar em um andar mais alto.

PARA QUEM NÃO FEZ 20

Se você é jovem, até que é divertido se hospedar no YMCA (ymcanyc.org, quarto single a US$ 102 e duplo, US$ 109). Eu era um dos únicos do 12º andar com mais de 20 anos entre mulheres (e alguns homens) da Europa e Ásia na noite em que estive lá. Na verdade, havia também uma turma pequena, e um pouco mais velha, procurando uma pechincha. Será que acharam?

Pelo preço é difícil dizer que não. É fato que os quartos eram minúsculos, com luzes e um ar-condicionado que pareciam estar lá desde quando a eletricidade e os refrigeradores foram inventados. Além disso, os banheiros compartilhados eram velhos e esquisitos.

Apesar do tamanho, minha cama até que se mostrou confortável. E melhor: o lugar funcionava como uma colmeia de atividades. A equipe sempre simpática, a academia disponível era excelente e a hospedagem fica próxima ao Central Park e a algumas quadras do Lincoln Center e do Columbus Circle. Não é para mim. Mas não é terrível.

ÓTIMO POR FORA, NEM TANTO POR DENTRO

Cento e trinta dólares por um quarto a um quarteirão do Central Park? E ainda com banheiro privativo? Parece muito bom para ser verdade. E, de fato, é verdade. Mas isso não quer dizer que seja bom.

Não há nada de particularmente errado com o Park Savoy Hotel (parksavoyhotel.com), exceto que ele é apertado, deprimente e sem estilo. Ah, e que a única janela no meu quarto era voltada para um beco estreito que tinha uma janela escura e suja em um prédio que parecia igualmente deprimente. E não há lobby para conversar, só uma cabine de recepção. Além disso, o Park Savoy é o único hotel nesta lista que não tem Wi-Fi gratuito. E a colcha era de uma desprezível cor castanho- amarelado que parecia esconder anos de manchas.

O lugar era relativamente limpo e parecia seguro. Mas, se eu fosse de fora da cidade, confirmaria a suspeita de que Nova York era um lugar isolado e anônimo, onde os seres humanos ficavam em celas sombrias e viviam atormentados.

Bom, isso é por dentro. Lá fora, você apenas cruza a 58th Street, anda um pouquinho - isso inclui passar pelo J.W. Marriott Essex House, com diárias que começam em US$ 633, com taxas - e logo está olhando para o Central Park.

CLIMA RESIDENCIAL

Errei nas contas para essa hospedagem, mas decidi reservá-la de toda forma – e estou satisfeito. Situada num predinho italiano de 1892, em um tranquilo quarteirão residencial na West 20th Street, o Chelsea Lodge (chelsealodge.com, quarto single a US$ 157 e duplo, US$ 169) tem um aconchegante interior de madeira decorado com velhos globos, pôsteres de barcos a vapor e badulaques comprados pelo dono, Paul Weisenfeld, num mercado de pulgas.

Não há café da manhã, apenas café. Mas há um lado bom: a Murray’s Bagles, uma das melhores lojas de rosquinhas old school da cidade, fica a três quadras, perto dos trens C e E.

Fiquei encantado a ponto de perguntar a um funcionário por que esse lugar é tão barato. "Nós não temos o melhor Wi-Fi", ele disse, adicionando outras irrelevâncias como a falta de TV a cabo. Os banheiros compartilhados, é claro, são a maior razão. Mas, surpresa: cada dormitório tem seu box com chuveiro e banheira. Também preciso destacar que os quartos não são muito silenciosos. Dava para ouvir as conversas das pessoas fazendo check-in e também na calçada ao lado da minha janela. Adoro escutar atrás de portas, então, isso não foi um problema. Mas talvez você queira pedir um quarto mais alto.

ESCOLHA FEITA POR LANCE

Além das opções de hospedagem apresentadas, há outras que saem por menos de US$ 150 em Manhattan, incluindo albergues e ocasionais pechinchas no aluguel de apartamentos no Airbnb.com. Mas, se você quer algo mais luxuoso, os sites Priceline e Hotwire são bons lugares para começar.

No Priceline, você pode dar lances em quartos, especificando bairros e níveis de qualidade. Mas ele o força a fechar negócio antes de descobrir o hotel onde vai passar a noite. O Hotwire tem o mesmo esquema, mas dá o preço da hospedagem misteriosa antes de pedir o seu lance.

Eu uso os dois sites juntos, checando o melhor lance no Hotwire antes de oferecer um pouco menos no Priceline; se minha oferta falha, eu volto e fico com o quarto no Hotwire. O sistema me reservou um hotel quatro estrelas em TriBeCa, disponível no Hotwire por US$ 108 (ou US$ 139 com taxas e impostos) e pelo qual eu ofereci US$ 102 (ou US$ 131, no total) no Priceline.

Meu lance foi aceito e logo fui para um quarto no Sheraton Tribeca (foto), na 370 Canal St., por US$ 100 a menos do que conseguiria no site do hotel. Já que Priceline e Hotwire ofereceram uma pechincha no mesmo bairro, suspeitei que ambos tentavam me mandar para o mesmo Sheraton. (A hospedagem era para domingo; em outros dias, os sites podem pedir que você reduza a qualidade do local para conseguir uma tarifa similar.)

O Sheraton Tribeca não tem nada demais para um viajante a negócios, mas, para um turista econômico, os luxuosos travesseiros e as TVs de tela plana eram impressionantes. Porém, eu não tomaria por hábito me hospedar nesse tipo de lugar. Redes hoteleiras quase sempre parecem genéricas e no Sheraton Tribeca o mini Starbucks e os grandes anúncios de Coca Cola Diet me deixaram enjoado. Eu abriria mão dos travesseiros.

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