Chip East/Reuters
Chip East/Reuters

NY: o autêntico lado vintage

Curiosidades e histórias de uma das décadas mais animadas da megalópole

Natália Zonta, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2009 | 02h40

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e a vista do Empire State Building enfeita há anos o porta retrato da sala e o seu cartão de crédito já circulou pela santíssima trindade do consumo - Macy's, Saks e Bloomingdale's -, o básico de Nova York você deve conhecer. É chegada, então, a hora de desvendar outras facetas dessa metrópole inesgotável. Como o seu lado vintage, por exemplo. Até porque antigos bairros industriais, brechós de luxo e baladas flash-back viraram os novos velhos hits da Big Apple.

O próprio apelido da cidade é um autêntico vintage. Ele apareceu pela primeira vez em 1921, na coluna que o jornalista John J. Fitzgerald assinava no extinto New York Morning Telegraph. O nome que passou a ser ouvido aqui e ali ganhou fama internacional 50 anos depois, quando o New York Convention Bureau decidiu adotá-lo em seus slogans de divulgação.

 

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Muito tempo antes dessa famosa campanha publicitária, porém, a prefeitura publicou e distribuiu aos turistas, em 1920, o imperdível Valentine's City of New York, considerado o primeiro guia da moderna metrópole. Hoje, suas páginas podem ser folheadas virtualmente e rendem boas risadas.

Isso porque a publicação faz bem mais que apontar as atrações turísticas. O livreto dá dicas de comportamento e tenta evitar que os visitantes caiam em golpes. Vale lembrar que a cidade crescia a olhos vistos, atraindo a malandragem do mundo inteiro. "Não compre o Woolworth Building, a Brooklyn Bridge, a Metropolitan Tower, o City Hall ou qualquer monumento", explica o guia. "Algum estranho vai tentar vendê-los a você por algumas centenas de dólares."

Outra dica provavelmente ajudou a desenvolver a cultura de gorjetas que existe na Big Apple. "Não se esqueça de dar gratificações. Faça isso assim que chega. E várias outras vezes." Quem já foi a Nova York sabe. Deixar 15% de gorjeta é o mínimo, quando o serviço foi nada mais que regular. Isso vale para garçons, taxistas, camareiras...

Para fechar o livreto, a máxima: "Nova York é como a sua cidade natal, apenas maior, e a grande parte de sua população é decente. Mas também há gente de outro tipo."

Maior, com certeza. Em 1920, a população somava mais de 6 milhões, recebendo 100 mil novos habitantes a cada ano. Os navios deixavam o porto com intervalos de, no máximo, 48 minutos e um prédio era construído a cada 51 minutos.

Esses arranha-céus são testemunhas do desenvolvimento da cidade. O lendário Chrysler Building, que ilustra esta página, começou a ser erguido em 1929. O Empire State e o Rockefeller Center por muito pouco - ou por causa da Grande Depressão que pôs fim ao período áureo da Big Apple - não foram feitos na mesma década.

ÚLTIMA GOTA

Quer saber outro clássico da época? Entre 1920 e 1933, a Lei Seca obrigou os bares e restaurantes da cidade a servir pouco mais que leite, como forma de reduzir a violência. Mas o álcool rolava solto nos mais de 32 mil estabelecimentos clandestinos instalados nos subterrâneos de Nova York. A turma que comandava tais locais, no entanto, não era das melhores. Basta falar um nome: Al Capone.

Quem passa hoje pela fachada distinta do 21 Club, em Midtown, não imagina que a polícia fazia rondas constantes por ali, para tentar pegar em flagrante os sócios Jack e Charlie, que escondiam as bebidas para não ser presos. Você pode recuperar um pouco dessa atmosfera jantando no restaurante do 21 Club. O menu degustação custa US$ 90 (R$ 195), sem os vinhos.

Quando as conversas não exigiam álcool, a intelectualidade vintage se reunia no Hotel Algonquin, bem perto da Time Square, onde ficavam as sedes de vários jornais e revistas. Nesses encontros, personalidades como a poeta Dorothy Parker e o lendário editor Herald Ross definiram preceitos literários e criaram publicações de peso. Caso da New Yorker (1925), fundada por Ross. E o Algonquin viveu seu apogeu.

Curiosamente, sua principal hóspede apareceu junto com a crise que espantou os turistas. Foi em 1929 que uma gata entrou pela porta da frente e acabou sendo adotada pelo dono do hotel, Frank Case, ansioso por mostrar que o local estava aberto a todos. A vira-lata ganhou o nome de Matilda, em homenagem a Shakespeare. E os mascotes se revezam até hoje. Quando o escolhido é macho, vira Hamlet.

Por US$ 229 (R$ 498, para casal), você passa a noite no hotel que funciona há mais tempo ininterruptamente na cidade. Outra curiosidade: o Oak Room, bar do Algonquin, vende um martini de US$ 10 mil, com anel de diamante na taça.

REVIVAL

Um parêntesis. Antes de seguir com a reportagem, convém dizer que o termo vintage foi expandido e não se refere mais apenas a itens da década de 1920. Ele agora é usado para designar todos os clássicos de outras épocas. E, convenhamos, os sucessos do passado estão mais in do que nunca.

Nada mais vintage que recuperar bairros históricos, transformando-os na ultimate experience da metrópole. Caso do Meatpacking e de Williamsburg (leia ao lado). Agora, junte-se aos viajantes que morrem de saudades dos velhos tempos e descubra como as últimas décadas fizeram bem a Nova York.

linkHotel Algonquin: 59 W 44th St.; http://www.algonquinhotel.com/

linkValentine's City of NY: www.archive.org/details/valentinescityof00browa

link21 Club: 21 W 52nd St.; http://www.21club.com/

COMO IR

linkPASSAGEM AÉREA

O trecho SP- Nova York -SP custa a partir de R$ 1.675 na TAM (4002- 5700), R$ 1.730 na American (4502- 4000), R$ 1.836 na Continental (0--11- 2122-7500) e R$ 2.104 na Delta (4003-2121). Voos diretos

linkPACOTES*

linkUS$ 1.199: 4 noites. Top Brasil (0--11-3926-8000; www.topbrasiltur.com.br)

linkUS$ 1.229: 4 noites. Apex (0--11-3722-3000; www.apextravel.com.br)

linkUS$ 1.247: 7 noites. Riviera (0--11-5533-6889; www.rivieraoperadora.com.br)

linkUS$ 1.293: 5 noites. Inside (0--11-4508-8010; www.insideviagens.com.br)

linkU$S 1.390: 4 noites. Sem Fronteiras (0--11-3853-4401; www.semfronteiras.tur.br)

linkUS$ 1.399: 4 noites. Soft Travel (0--11-3017-9999; www.softtravel.com.br)

linkUS$ 1.423: 5 noites. Taks Tour (0--11-2821-8804; www.takstour.com.br)

linkUS$ 1.443: 4 noites. Turismo10 (0--11-3253-7300; www.turismo10.com)

linkUS$ 1.465: 4 noites. Intravel (0--11-3206-9000; www.intravel.com.br)

linkUS$ 1.475: 4 noites e tour. Visual (0--11-3235-2000; www.visualturismo.com.br)

linkUS$ 1.507: 5 noites. New Age (0--11-3138-4888; www.newage.tur.br)

linkUS$ 1.543: 8 noites. Café e City Pass. CI (0--11-3677-3600; www.ci.com.br)

linkUS$ 1.555: 5 noites. Monark (0--11-3235-4322; www.monark.tur.br)

linkUS$ 1.569: 4 noites. ADVtour (0--11-2167-0677; www.advtour.com.br)

linkUS$ 1.624: 4 noites e tour. Maktour (0--11-3818-2222; www.maktour.com.br)

linkUS$ 1.648: 4 noites. Interpoint (0--11-3087-9400; www.interpoint.com.br)

linkUS$ 1.795: 4 noites e tour. CIT (0--11-3138-3535; www.citviagens.com.br)

linkUS$ 1.978: 5 noites. Café e tour. Climb (0--11-5052-6305; www.climb.tur.br)

linkUS$ 2.168: 7 noites e tour. Com a CVC (0--11-2191-8911; www.cvc.com.br)

linkUS$ 2.263: 6 noites e tour. RCA (0--11-3017-8700; www.rcatours.com.br)

linkUS$ 2.661: 4 noites e tour. Tereza Ferrari (0--11-3021-1699; www.terezaferrariviagens.com.br)

linkUS$ 2.767: 5 noites e City Pass. Designer (0--11-2181-2900; www.designertours.com.br)

*Preços por pessoa, com aéreo

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