Gabriela Marçal Estadão
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O acento italiano de Lugano

A proximidade geográfica, a língua e os dias ensolarados de verão dão ao cantão suíço de Ticino um incontestável ar de Itália. Trata-se de um concorrido destino de férias. Lugano, a maior cidade da região, é uma estância de veraneio festejada por seu lago homônimo e famosa pelos cafés e restaurantes nas margens emolduradas por montanhas.

Gabriela Marçal, Felipe Mortara, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2015 | 05h01

Das grandes vantagens de aproveitar Lugano com temperaturas altas, curtir o Parque Ciani completamente verde e florido é sem dúvida uma das principais. A imensa área verde é a queridinha dos moradores e dos visitantes, que se espalham por seus gramados à beira do lago. Não hesite em ficar algumas horas ali vendo a incrível paisagem ao redor. À noite, vale pela impagável vista da cidade toda iluminada e refletida nas águas calmas.

Além de ser a montanha mais próxima de Lugano, o Monte Brè é considerado o mais ensolarado da Suíça. Há funicular até lá, o de Cassarate, nos arredores de Lugano (25 francos suíços ou R$ 80; montebre.ch). Do alto, o panorama se sobrepõe à cidade, ao lago e às montanhas, se estendendo sobre a fronteira com a Itália. A pequenina vila localizada no topo abriga a pitoresca Osteria Monti Brè, típico restaurante italiano de galetos e massas. O museu Wilhelm Schmid, também lá no alto, funciona na casa onde o filósofo alemão viveu. Ali também é possível alugar mountain bikes e percorrer trilhas locais (24 francos suíços ou R$ 77, por 6 horas).

Apelidado “Pão de Açúcar” da cidade pela semelhança com o ponto turístico carioca, o Monte San Salvatore tem funicular até o topo, onde há um belo restaurante panorâmico (subida a 30 francos suíços ou R$ 97; montesansalvatore.ch/en/home). Este ano, a operação do clássico bondinho completa 125 anos.

Acervos. Lugano ostenta um passado vigoroso em seus monumentos. Erguida em 1529, a Igreja de Santa Maria degli Angioli abriga afrescos de Bernardino Luini. Na Catedral de San Lorenzo, registros em telas do século 16 e bustos de Davi e do rei Salomão.

A história também está registrada no impressionante Museu de Culturas Não Europeias (lugano.ch/museoculture), prestigioso acervo de relíquias que o colecionador Sergio Brignoni reuniu entre 1930 e 1985. Há cerca de 600 objetos étnicos da Ásia, África e Oceania. Já o Museo Cantonale d’Arte (museo-cantonale-arte.ch) exibe uma coleção de artes que vai do Renascimento ao contemporâneo.

Lugano se destaca ainda, comme no?, por suas massas e sanduíches de salame ou presunto cru, provas gastronômicas de que o cantão de Ticino não se apropriou apenas do idioma oficial do país vizinho. A Via Pessina é o endereço certo para degustar pastas e paninis e comprar ingredientes típicos como queijos suíços. Comece ou encerre seus dias em Lugano vendo a vida passar na Piazza della Riforma, a principal da cidade, que abriga a prefeitura e gostosos cafés e bares.

Bate-voltas para ver arte ou se sentir James Bond

Lugano tem a vantagem da localização estratégica. A poucos quilômetros da Itália, é cercada de possibilidades de passeios de um dia. Separamos as melhores opções.

Locarno. Com charme latino, a vida da pequenina Locarno orbita em torno da famosa Piazza Grande. A cidade, a 43 quilômetros de Lugano, se aproveita do clima ameno para sediar seu Festival Internacional de Filmes (pardolive.ch/en), entre 5 e 15 de agosto. As projeções ocorrem há 67 anos na própria Piazza Grande, com um imenso telão instalado e mais de 8 mil cadeiras espalhadas por toda a praça. Nos limites do centro histórico, o Castello Visconteo remonta ao século 12.

Museu Hermann Hesse. Com tiragem total de mais de 100 milhões de exemplares, Hermann Hesse (1877-1962) é um dos autores mais lidos nos países de língua germânica. Na simpática Montagnola, a 6 quilômetros de Lugano, a casa em que o escritor ganhador do Prêmio Nobel de Literatura viveu por 43 anos se transformou num badalado museu gerenciado por sua neta, Eva Hesse. Traduzidas em 62 idiomas, obras como Sidarta (1922) e O Lobo da Estepe (1927), exercem até hoje fascínio em leitores pelo mundo (8,5 francos suíços, R$ 27; hessemontagnola.ch).

Bellinzona. Situada num vale a 35 quilômetros de Lugano, Bellinzona é vigiada por Castelgrande, Montebello e Sassocorbaro, três castelos que desde o século 13 conservam sua estrutura original. No Castelgrande há dois museus, o de arte e o arqueológico. As muralhas que cercavam a cidade não resistiram inteiras, mas seus vestígios se espalham por todo o entorno. Mais em oesta.do/viabellinzona.

Bungee jumping. Encarnando a figura do agente secreto mais famoso do cinema, o ator Pierce Brosnan deu fama à impressionante barragem de Verzasca, 37 quilômetros ao norte de Lugano. Foi no filme 007 Contra Goldeneye que James Bond se atirou pelos 220 metros de altura de um bungee jumping diante da imensa estrutura de concreto. Batizada de 007 Jump, a atração permite que os visitantes reproduzam a cena e tenham seus segundos de super-heróis. Dizem ser uma experiência viciante, daí a “promoção”: o primeiro salto custa 255 francos suíços (R$ 823) e o segundo sai por 125 francos (R$ 403) em trekking.ch/en/.

Milão. A exposição universal que ocorre a cada cinco anos desde 1851 desembarca em Milão neste ano de 2015 (expo2015.org). Até 31 de outubro os visitantes poderão ver estandes de 140 países e compreender a relação deles com a alimentação – tema da festa – e como se preparam para o crescimento populacional. Além, claro, de poder apreciar o belíssimo Duomo, a catedral milanesa, e a imponente Galeria Vittorio Emanuele. A viagem de trem entre Lugano e Milão leva 1h09 e custa ¤ 23 (R$ 77) em raileurope-world.com. 

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