O amado e odiado circuito Rodin

Em vez de percorrer novamente a 'rota Evita', vá em busca das obras do mestre francês

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2009 | 03h12

A cabeça da estátua foi considerada "pequena e simiesca" e o nariz, definido como "pequeno e ondulado". Não pareciam retratar um intelectual e, mais que isso, um dos heróis do país. Feita por Auguste Rodin (1840- 1917), sob encomenda, a imagem do presidente Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888) foi um retumbante fracasso de popularidade na época de sua inauguração, em 1900. O que provavelmente explica o fato de inúmeros portenhos nem saberem que ela existe.  Veja também:Especial para habitués: segredos de uma Buenos Aires desconhecidaRaridades e itens curiosos à vendaCinco dicas gastronômicas para fugir do bife de chorizoTango com alma nas tradicionais milongas Por justiça, comece por ela a percorrer o roteiro Rodin na cidade, fruto de anos em que dinheiro não faltava na Argentina. Nem admiração por tudo o que viesse da França (única exceção feita à malfadada estátua). Rodin começou a escultura em 1896, usando como fontes de inspiração fotos e quadros de Sarmiento. Por contrato, o francês podia desprezar qualquer exigência artística das autoridades argentinas. Fotos: Alberto Haliasz/AENa lista: O Pensador (à esquerda) e a polêmica estátua de Sarmiento Quatro anos depois, a obra chegou a Buenos Aires. No dia 25 de maio de 1900, data da festa dos 90 anos da Revolução de Maio, que deu início ao processo de independência do país, mais de 70 mil pessoas se acotovelaram para ver a escultura. À medida que o pano caía, no entanto, os aplausos foram escasseando. Segundos depois, o silêncio era total. A obra havia sido ousada demais. Passaram-se meses até a indignação popular diminuir e as autoridades poderem dar descanso aos guardas que ficavam de vigília para evitar ataques à estátua. Obra-primaO episódio parece não ter abalado a adoração por Rodin. Tanto é que, em 1906, Eduardo Schiaffino, então diretor do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), foi a Paris adquirir estátuas para instalar em vários pontos de Buenos Aires. Schiaffino encomendou a Rodin um original de O Pensador, entregue em 1907. A peça - trata-se de um dos oito originais realizados pelo artista - foi colocada na Plaza Lorea, na frente do Congresso Nacional. De brinde, Rodin deu a Schiaffino a emblemática escultura O Beijo. Está longe de ser a única obra do francês no acervo - o museu tem outras 28 esculturas de Rodin em exposição e 9 em sua reserva técnica. A poucos quarteirões dali, no Museu Nacional de Arte Decorativo, está uma maquete de uma chaminé encomendada pela família Errazúriz. A escultura nunca foi realizada, pois Rodin se excedeu no orçamento. Outra obra comprada pelos aristocratas, cuja mansão hoje abriga o museu, foi A Eterna Primavera. MNBA: Avenida Libertador, 1.473; www.mnba.org.arMuseu de Arte Decorativo: Avenida Libertador, 1.902; www.mnad.org.ar

Mais conteúdo sobre:
ArgentinaO PensadorRodin

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.