Roberta Vassallo
Roberta Vassallo

O Brexit muda algo na viagem dos brasileiros?

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a embaixada britânica assegura que nada muda para os turistas -- pelo menos durante o período de implementação das regras que definirão o divórcio do bloco

Talita Marchao, Especial para o Estado

31 de janeiro de 2020 | 05h00

Com o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), que ocorre hoje, muita gente está em dúvida sobre o impacto na entrada de turistas brasileiros no país. Segundo a embaixada britânica no Brasil, os viajantes podem ficar despreocupados: nada mudará para quem entra com passaporte brasileiro.

As regras seguem as mesmas, ao menos durante o período de implementação da saída do bloco, 31 de dezembro de 2020 – o governo britânico e a UE seguem em negociações para definir as regras de rompimento. Brasileiros com dupla cidadania, que usam passaporte ou carteira de identificação da UE para entrar no Reino Unido, também não devem enfrentar mudanças na imigração inglesa nos próximos meses, já que o livre trânsito entre cidadãos britânicos e europeus está mantido, ao menos por enquanto.

Nem mesmo a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) espera algum impacto. "Até agora, nenhum associado relatou uma queda de procura do destino por causa do Brexit. Uma mudança que poderia afetar seria se os britânicos mudassem a moeda, por exemplo, ou as regras de entrada de brasileiros. Sem qualquer alteração, como está, nada nos preocupa", afirmou Magda Nassar, presidente da Abav

O visto de entrada para brasileiros tem duração de 6 meses e é concedido em solo britânico no desembarque mediante apresentação de documentos. Na imigração, é feita ainda uma entrevista --se você tiver todos os documentos corretos e não mentir, os riscos de ter a entrada barrada são pequenos. Se você tiver uma carta-convite de alguém que mora no país, por exemplo, podem fazer perguntas para saber como você conhece o seu anfitrião; podem perguntar ainda mais detalhes do seu roteiro de visitação no país, pedir suas reservas de hospedagem e até mesmo para ver sua passagem de volta ao Brasil ou para o seu próximo destino partindo do Reino Unido.

A lista de documentos exigidos está no site do governo britânico. Está disponível ainda um teste online para que você avalie se é preciso pedir o visto de forma antecipada ainda no Brasil ou somente no aeroporto no Reino Unido -- o visto é necessário para quem estuda por mais de 6 meses, por exemplo. 

Além do seu passaporte com validade durante o período da viagem, o governo britânico aconselha que você apresente passaportes antigos com registros de viagens anteriores (se você tiver). Assim, é possível ver se você permaneceu ilegalmente em algum país do mundo. 

Leve ainda documentos financeiros mostrando que você tem dinheiro suficiente para se manter no Reino Unido durante a viagem, como extratos bancários, carta do empregador confirmando seu vínculo com a empresa; no caso de profissionais autônomos, documentos que comprovem o funcionamento da empresa, como o registro comercial, por exemplo. Se você está viajando como convidado de alguém que vive no Reino Unido, é preciso apresentar documentos que comprovem que seu anfitrião (que assume a responsabilidade pelos seus gastos) tem meios de custear a sua viagem.

Todos os documentos devem ser originais. No caso de declarações, devem estar em inglês. O seguro-viagem não é obrigatório, mas é desaconselhável viajar sem a contratação --os custos com socorro médico podem ser caríssimos e acabar completamente fora do seu orçamento para a viagem.

"Mesmo com dados parciais de 2019, é possível perceber que o turismo entre o Brasil e o Reino Unido  aumentou, se comparado ao ano anterior. Entre janeiro e setembro de 2019, 232 mil brasileiros fizeram viagens de turismo ao Reino Unido, 23% acima do mesmo período no ano anterior. Os brasileiros gastaram mais de 214 milhões de libras em suas viagens neste período, 16% a mais que em 2018", diz a embaixada britânica no Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.