Marcos Müeller/Estadão
Marcos Müeller/Estadão

O câmbio e o ritmo certo de uma viagem

Nosso intrépido viajante tem recebido vasta correspondência associada ao tema valorização do dólar. Muitos de seus leitores se mostram assustados com a rápida pulverização do valor do real e perguntam se é prudente adiar viagens longamente planejadas. Mr. Miles alerta que não é exatamente um consultor para assuntos econômicos e lembra que ele mesmo torrou toda a fortuna herdada de uma contraparente sem qualquer responsabilidade.

O Estado de S.Paulo

25 Junho 2013 | 02h18

"However, my friends, para tudo há um preço a pagar. No caso de um roteiro de US$ 3 mil, for instance, a diferença do câmbio representa, por enquanto, menos que o custo dos bancos de couro que muitos pagam para equipar um automóvel. Eu, of course, ficaria satisfeito com os assentos originais, porque acho mais importante cuidar bem de minha cabeça do que de minhas nádegas.

Anyway, prudência e observação do cenário geral não podem ser desprezadas. Os ventos que elevaram o valor das divisas estrangeiras podem soprar do lado oposto. Ou não. Se você acredita que o real vai voltar a subir, espere um pouco mais. Se pensa o contrário, então feche o negócio já!

A seguir, a pergunta da semana:

Querido mr. Miles: qual é o ritmo certo para se adotar em uma viagem de turismo?

Jacqueline Benevides, por e-mail

"Well, my dear, a sua pergunta é interessante e pertinente. Eu, for instance, gosto de viagens que se arrastam como um bolero romântico. A pressa não é a melhor parceira dos viajantes porque, in my poor opinion, não importa o quanto você conheça de um lugar interessante: sempre será pouco e, believe me, quanto mais você conhecer, maior será a sua sensação de que é preciso voltar e explorar de novo, com mais afinco.

Nem todos, however, têm a oportunidade de despender tempo à vontade nos lugares pelos quais se sentem atraídos e, nesse caso, preferem um twist ou um boogie-woogie. Tenho uma querida amiga brasileira - my dear Cristina - que, quando está em casa, costuma dormir até o meio da manhã. Certa vez estive com ela em New York e fui acordado por um telefonema em meu quarto de hotel às 6 da manhã. Um tanto grogue - devo confessar -, atendi ao chamado, observando a neve que aderia às janelas. 'Wake up, Miles. Espero você no saguão em 15 minutos!', ouvi, astonished. 'But darling, são 6 horas da manhã, você não acha que poderíamos dormir um pouco mais?', ainda perguntei, esperançoso.

'Claro que não, Miles. Estamos nos Estados Unidos. Dormir em dólares custa uma fortuna', encerrou ela, para iniciar uma jornada que incluiu três museus, vinte e cinco lojas, quatro double espressos em diferentes Starbucks, almoço, uma apresentação de La Bohème no Lincoln Center, jantar no Village e, oh, my God, uma balada no Meatpacking District.

Já no extremo oposto, my dear Jacqueline, situa-se o cunhado de minha prima, um estranho tipo chamado Stew. Stew é workaholic. Moureja o ano todo e apenas tira férias por insistência de Megham.

Quando relaxa, however, gosta de fazer as coisas em seu ritmo. Já foi a Veneza e, para mantê-lo, não chegou a conhecer a Piazza San Marco; não viu a Notre Dame, em Paris e, quando esteve no Cairo, recusou-se a ir até as pirâmides porque o passeio começava cedo demais. O mais interessante, Jackie, é que Stew é, however, um ótimo viajante. Enquanto os demais turistas cumprem a agenda padrão, ele gosta de flanar à espera do que as cidades lhe oferecem. E sempre volta com ótimos detalhes e histórias delicadas.

Os dois casos acima, as you see, falam de ritmos distintos de viagem. Cristina percorre os lugares no compasso do boogie-woogie. Stew vai suave como Chopin. Viaje em seu próprio ritmo. Mas aproveite o baile até o fim."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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