O caso do gato peruano

Ainda não está confirmado, mas existem rumores que dão conta de que, após uma passagem por Buenos Aires, mr. Miles estaria entre nós. Pede-se a qualquer leitor que tenha a sorte de encontrar com nosso incansável viajante que entre em contato com a redação, que ainda não teve o prazer de conhecê-lo pessoalmente. Mr. Miles teria vindo ao Brasil para agradecer aos incontáveis fãs que sua página facebook.com/milesestadao tem angariado. Você também pode ser um deles. A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 02h17

Caro mr. Miles, após, a leitura (sempre a primeira) de seu texto, na edição de 20 de agosto, fui à página D6. Não sei por que as pessoas viajam com seus animais. O animal marca e defende seu território, onde vive satisfeito. Outros territórios não interessam. Os irracionais viajantes, na minha opinião, são apenas um tipo de antropomorfismo.

Fausto Ferraz Filho, por e-mail

"Well, my friend, não sei se concordo com o seu raciocínio, embora ele seja bastante lógico. Eu mesmo costumo levar Trashie, minha raposinha das estepes siberianas, para quase todas os lugares aonde vou. Trashie, however, não tem qualquer território para demarcar. Errante como seu companheiro, ela não tem endereço fixo ou conhecido desde que a encontrei em uma noite terrivelmente fria na cidade de Irkutsk, na Sibéria. Muito ao contrário de outros cães, ela faz uma enorme festa a cada vez que eu reúno minha bagagem. Sua motivação, as you know, é ficar junto comigo e, claro, poder beber seu single malt.

Sei, of course, que se trata de uma relação singular. No mais das vezes, viajantes frequentes que deixam o mascote em casa são brindados com um xixi territorial em suas malas. É claro que não estão pensando em viajar junto com seus donos, mas a inevitável vendetta resulta da insatisfação que a sua ausência lhes trará.

Poor animals! Sempre disponíveis para oferecer afeto, mas nunca informados sobre as idas e vindas de seus proprietários. However, dear Fausto, julgo que é preciso analisar cada caso a seu modo.

Há uma infinidade de gente, nesse mundo afora, que vive sem a companhia de seres humanos. Grande parte dessas pessoas utiliza-se de cachorros, gatos, furões e outras espécies como seus parceiros mais próximos. Julgo normal que, ao viajar, essa gente faça toda a força possível para levar seus mascotes a tiracolo, ao invés de confiná-los no cativeiro de uma pensão para animais. Confesso, porém, que fico incomodado quando os animais não sabem se comportar (como Trashie, que é uma lady) ou seus donos são excessivamente, digamos, liberais.

Certa feita, ao embarcar em um voo entre Lima e Paris, vi que havia um lindo gato persa no colo de um peruano já paramentado para cantar El Condor Pasa na primeira praça que encontrasse.

Quando o avião ganhou velocidade para a decolagem, o felino desgarrou-se do dono e pôs-se a pular, com as garras em riste, pelas paredes e poltronas da aeronave. Uma passageira acabou tão arranhada que o comandante decidiu retornar a Lima. A pobre foi encaminhada para um pronto-socorro. O passageiro foi autorizado a reembarcar. Não sei que fim deram ao gato.

Vale lembrar, by the way, que nem todos os países são receptivos a animais domésticos. Enquanto em muitos deles os mascotes são bem recebidos em hotéis e restaurantes, no mundo islâmico os cães são vistos como animais impuros e é melhor não esperar complacência das autoridades.

Outros animais que muitos possuem in your beautiful country, como papagaios, maritacas ou arapongas só podem ser levados para férias na praia com a família inteira (inclusive a sogra). Se você ousar transportá-los para o exterior, ainda que seja porque não pode viver sem o som que emitem, é provável, unfortunately, que ambos (o animal e yourself) acabem enjaulados por tráfico de espécies ameaçadas. Seria muito desagradável, don't you agree?"

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