O desafio do clima úmido e instável

Frio, neve e vento podem surpreender turistas em qualquer período do ano e até alagar o trajeto

Robert D. Hershey Jr., The New York Times

03 Março 2009 | 02h18

Se há algo com o que o aventureiro não precisa se preocupar é com a possibilidade de encontrar animais selvagens na Milford Track: não há mamíferos ameaçadores nem cobras. O maior risco talvez seja um kea - espécie de papagaio gigante - aparecer e tentar tirar uma casquinha do seu almoço.

 

Morro abaixo: chuvas fortes favorecem formação de numerosas cachoeiras em meio à floresta

Você terá, contudo, de lidar com o clima, um dos mais úmidos do planeta. Nosso passeio foi quase todo ensolarado, mas eu e os outros do grupo nos flagramos pensando em como nos sentiríamos mal se fôssemos surpreendidos pelo frio, pela chuva e pelas inundações para os quais havíamos sido preparados. Frio, neve, vento e chuva podem acontecer em qualquer período do ano, informa o Departamento de Conservação.

 

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Uma minoria chegou a expressar desapontamento pela falta de dificuldades meteorológicas. São os que gostariam de ter visto ao menos um dia chuvoso - mais adequado para apreciar a exuberante floresta tropical. Picos de montanhas estariam menos visíveis, mas as quedas d''água seriam mais espetaculares e numerosas.

Nas tempestades pesadas, a trilha fica coberta de água até a altura do joelho e os caminhantes precisam buscar pontos elevados ou ser resgatados de helicóptero. ''Se o tempo está muito molhado, não tente desviar pelas bordas das poças d''água e das áreas alagadas'', advertia o panfleto que orientava nossa caminhada. Exatamente ao contrário do que nossas mães diriam. ''Isso apenas adia o inevitável momento de molhar os pés.''

Mais adiante, tive de me habituar a uma trilha mais salpicada de pedras e raízes do que havia imaginado, o que tornou a descida de mais de mil metros na área da Mackinnon Pass difícil o suficiente para ocupar metade de um dia. O trecho é o mais complicado, mas também o mais belo.

Os joelhos são bastante exigidos. Antes dessa caminhada eu nunca havia usado botas de trekking. Minha amiga Anne insistiu para eu alugar um par - o que, sem dúvida, me salvou de vários tombos. Depois desse trecho ruim veio o momento de ver as Cataratas Sutherland, que estão entre as mais altas do mundo, com 580 metros.

Nosso grupo passou pela experiência sem acidentes. Os guias destacaram o crescente sentimento de camaradagem e de aventura entre nós naquele pedaço selvagem da Nova Zelândia. O único irritante toque de modernidade foi o eventual barulho de um avião ou helicóptero. Um pequeno preço a ser pago pela maravilhosa experiência, segundo alguns.

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