O dom de saber receber

Nosso imprevisível viajante confirma - de acordo com o perguntado pelos leitores - que, sim, esteve em Washington por ocasião da reabertura da Embaixada de Cuba naquele país. Mas esclarece: “Yes, my friends, eu estava mesmo na capital de nossos antigos colonos. Mas apenas para uma palestra sobre pássaros na National Audubon Society”. A seguir, a pergunta da semana: 

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2015 | 00h00

Prezado mr. Miles: o que o senhor diria da atitude do estalajadeiro de Monte Verde que ameaçou uma hóspede insatisfeita com seus serviços? - Rogério Lima, por e-mail.

“Well, my friend: muito apreciável seu uso do termo estalajadeiro, tão esquecido no vocabulário brasileiro. Nada agradável, however, a atitude do proprietário da pousada que, probably, além de ter prestado um serviço inadequado, ainda agiu como um troglodita vingativo.

Alguém já deve ter ouvido dizer que o hóspede sempre tem razão - mesmo que não a tenha. A arte de receber não é um dom que todos possuam. Mas quem tem um negócio cuja finalidade é receber hóspedes, ou tem o talento ou contrata alguém que o tenha. Do you know what I mean?

 Eis porque o mérito da questão não está em julgamento. Hóspedes podem ser desagradáveis, podem ser intolerantes ou, em termos mais simples, chatos de verdade. Há um antigo dito português que fala sobre isso: ‘Hóspedes sempre dão alegria. Seja quando vêm, seja quando vão’. Nevermind: assim como um bom médico atende pacientes hipocondríacos com solicitude, um anfitrião profissional deve fazê-lo com a mesma elegância e cortesia.

Pessoalmente, com minha humilde experiência de viajante, ouso afirmar que adoro ser bem recebido em qualquer tipo de hospedaria. O melhor que pode ocorrer é ser tratado com familiaridade. Com cumprimentos francos, atitude positiva e verdadeiro talento. Conheço muitos estalajadeiros, nowadays, que chegam a aproximar-se da intimidade de seus futuros hóspedes - consultando a internet sobre seus hábitos e preferências - para recebê-los com mais personalismo. Não se trata, as I see, de invasão, visto que o cidadão tornou públicos os seus gostos.

Confesso, therefore, que fico muito feliz quando o recepcionista pergunta a mim que whisky deve trazer para Trashie (minha raposa das estepes siberianas), quando ela me acompanha.

Sorrisos, unfortunately, não bastam. Conheço cerca de 237 tipos de sorrisos falsos como uma nota de 4 pounds. Eles costumam ser treinados à exaustão, mas o máximo que oferecem é uma grande quantidade de dentes.

Besides, há a questão de que qualquer negócio na área de hospedagem não pode prescindir de hóspedes. Parece comezinha, mas é fundamental. Como me disse, certa feita, mr. Kleber Isaac, antigo proprietário de um hotel que acolhia com carinho, na mais honesta das frases: ‘Mr. Miles, estou seguro de que um hóspede bem tratado vale mais do que dez mil dólares em propaganda.’ Consideração muito razoável, isn’t it?

my dear Claudia Fialho, por tantos anos brilhante public relations do Copacabana Palace, brindou-me com outra afirmação brilhante. ‘A qualidade da hospedagem é lembrada muito tempo depois que o preço já foi esquecido.’ Uma máxima aprovada, of course, pela atual gerente geral do mítico hotel, my dear Andrea Natal. 

 Sobre o estalajadeiro que ameaçou o hóspede, desconfio de que ele terá de transformar sua pousada em um grupo de cocheiras. O que, by the way, só vai funcionar se os cavalos forem muito bem tratados...”

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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