Anelise Zanoni
Anelise Zanoni

O guia da selfie perfeita

Você não precisa levar fotógrafo para ter imagens incríveis dos seus passeios: com um celular e muita criatividade para apoiá-lo, você vai tirar boas fotos

Talita Marchao, Especial para o Estado

11 de fevereiro de 2020 | 06h00

Quem nunca viajou sozinho (ou até mesmo acompanhado) e, quando pediu para alguém tirar uma foto, o registro sai péssimo? Cabeças cortadas, sem foco ou até mesmo com aquele sorriso artificial posado? Ou fez aquela selfie sem enquadramento da paisagem?

Para ajudar a melhorar a qualidade das suas fotos de viagem (e do dia a dia, por que não?), conversamos com três blogueiras que trabalham viajando sozinhas e fazem fotos que você vai jurar que são feitas por fotógrafos (mas não são!). O fotógrafo do Estadão Tiago Queiroz também deu dicas profissionais valiosas que podem ser aproveitadas por qualquer amador. E os truques são simples --o principal é usar a sua criatividade para apoiar o celular e escolher o que você quer enquadrar na imagem.

Em comum, o telefone é o favorito para fazer fotos, já que a qualidade dos aparelhos mais modernos deixam pouco a desejar em comparação às câmeras fotográficas profissionais. A GoPro, aquela câmera de ação pequena, mas que acaba sendo usada para tudo, também é uma opção bacana principalmente para imagens mais amplas. 

Aja naturalmente

Uma dica dada por todas as blogueiras deve virar um mantra na sua viagem: nada de fazer pose para as fotos. O segredo é agir naturalmente, de maneira espontânea, sem congelar o sorriso para a fotografia. O temporizador do celular (aquela função “timer”, que programa o disparo em alguns segundos e tira várias fotos), será a sua maior aliada. O esquema é enquadrar, programar a função e correr para a foto: seja no parque, na praia ou na banheira do hotel.

O tripé flexível é um coringa --e não precisa ser um equipamento caro, pode comprar aquele baratinho que vende por aí. A ideia é aproveitar a mobilidade do tripé para prender o celular em cercas, árvores, apoiar em pedras ou no próprio chão. Esqueça o pau de selfie, que até é proibido em algumas atrações.

Encontre um apoio

Mas nem todo mundo usa o tripé para as fotos. A blogueira Mari Campos, que escreve o Sala Vip no Estadão , apenas apoia o aparelho - no máximo, aproveita o suporte de mão que ela acoplou na capa do próprio aparelho (aquela argola para prender o dedo), e improvisa como pode. 

“Tem que ter o olho ligado para achar o melhor lugar para apoiar. Pode ser um galho de árvore, um degrau, uma mureta, ou um lugar em que eu consiga pendurar a argolinha, o que é raríssimo, mas dá certo”, diz Mari. “Mas as minhas fotos são extremamente básicas. Só apoio o celular, programo o ‘timer’, dou uma corridinha e a foto vai disparar em 10 segundos”, conta a jornalista.

Camila Castanheira, do blog Acordei, Quero Viajar, conta que já apoiou celular em cima de móveis, muros, pia de banheiro, em monte de areia no deserto e até mesmo em cima do lixo. “Em Ayutthaya, na Tailândia, eu precisava de uma altura certa para tirar a foto, e o lixo era o melhor caminho. Apoiei o tripé nele e deu certo”, diz.

Para quem quer investir um pouco mais, um controle remoto com bluetooth ajuda a evitar a corridinha para fazer a foto. A dica é da blogueira e jornalista Anelise Zanoni, do Travel Terapia. “Acho muito melhor apoiar o celular no tripé e ter um controle remoto pequeno. E aí o segredo é posicionar bem o tripé e tentar fazer várias fotos. Uma delas estará boa”, sugere Anelise.

Outro relato em comum é o malabarismo pela altura ideal para foto: ninguém mostra que, nos bastidores de uma imagem incrível, a mesa de apoio do quarto de hotel está sobre a cadeira, a garrafa de água está segurando o tripé na rua ou os objetos de banheiro apoiam o celular na pia.

Cuidado com furtos

Elas também não fazem fotos com tripé em espaços com muita gente. Dessa forma, evitam o risco de serem roubadas. A dica de Mari Campos é madrugar para fazer fotos sozinha em lugares com grande movimentação de turistas. 

“Em lugares mais cheios e famosos, tento escolher o horário mais cedo possível para fazer as selfies. Tirei uma foto em Veneza, na Itália, em que fui sozinha para a Praça de São Marcos às 6h30 da manhã. Se você quer uma foto sozinha na frente da torre Eiffel, em Paris, vá para o Trocadero (que tem o melhor ângulo para as fotos ali) bem cedinho”, diz Mari.

Camila dá outra sugestão ousada: se pedir para outra pessoa fazer a foto, como se fazia antigamente, mostre o enquadramento que você quer e dê as orientações para a foto (e aqui, vale até mímica no caso de estar em um país em que você não domina o idioma). “Em lugares muito turísticos, eu peço para alguém. Mas posiciono o celular e mostro para a pessoa como que eu gostaria. Ninguém nunca reclamou. E nem assim eu olho para a câmera, olho para qualquer outro lado e tento permanecer natural”, conta.

As dicas do profissional

Para quem é adepto da selfie da forma mais tradicional possível --aquela em que você faz a foto com as próprias mãos mesmo, só com o rosto enquadrado, a dica do fotógrafo Tiago Queiroz é: tire do alto, assim os rostos ficam menos arredondados (e te deixará com a impressão de que está mais magro). "O ângulo de cima para baixo dá uma afinada na pessoa, e isso é bem interessante", diz. Outro detalhe para estar atento é com a sombra do próprio celular no rosto quando for fazer a selfie com as mãos. 

Para os retratos, a dica de Tiago é aplicar a chamada regra dos terços. Ele explica que a ideia é dividir a tela em três porções verticalmente e horizontalmente, formando nove retângulos. A partir daí, a dica é posicionar-se mais ou menos nas laterais, mais próximo dos pontos de cruzamento das linhas imaginárias. O temporizador também é a chave para a foto, caso você esteja viajando sozinho: corra para a área mais próxima destas linhas.

Tiago também lembra algo importante: "Às vezes, a gente vê a pessoa fazendo tantas fotos, tantas selfies, que ela não curte o lugar, a paisagem e o passeio e nem dá conta de editar, escolher as melhores mais tarde. Tire fotos só nos lugares mais relevantes e aproveite a viagem!"

Os mandamentos da selfie profissional (sem um profissional)

- Use um tripé flexível para apoiar o celular e prendê-lo em qualquer lugar

- Tenha o olhar treinado para identificar lugares bons para apoiar o celular e bons ângulos para fotos: vale buscar referências de outras pessoas que estiveram no local, até mesmo fotógrafos profissionais

- Use a cidade a seu favor na hora de apoiar o celular: vale janela, árvore, arbusto, muro, banco de praça, degrau de escada --só não danifique nada

- Acione o temporizador e corra - ou tenha um controle remoto de bluetooth para acionar o disparo à distância

- Tire várias fotos, e não só uma. Alguma imagem (acredite) terá dado certo

- Se usar tripé, busque lugares seguros; não o posicione em áreas com muita gente para não correr o risco de roubarem seu celular

- Lembre-se da regra dos terços: faça a divisão imaginária da foto e posicione-se mais próximo dos pontos de cruzamento, nas laterais

- Madrugue para fazer as fotos sozinha em áreas turísticas

- Dê movimento à imagem: não faça poses. Caminhe, olhe para os lados, sorria sem congelar o rosto.

- Procure lugares abertos, com bastante cor, e tente captar você e a paisagem na imagem

- Lembre-se de não fazer fotos contra a luz

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