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O hotel beagle e outras bizarrices

Dormir numa lápide de gelo? Elevar o apartamento com alavancas? Mr. Miles está fora disso

Mr. Miles, o homem mais viajado do mundo - miles@estado.com.br, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2009 | 02h27

O advento do novo tipo de gripe fez nosso grande viajante receber um sem-número de correspondências, entre cartas e e-mails, instando-o a posicionar-se sobre os conselhos que daria aos viajantes em uma situação como essa.

Mr. Miles manda dizer aos consulentes que, em ocasiões como a atual, é preciso agir com bom senso e evitar as regiões atingidas pelo pânico, "porque o pânico, indeed, faz mais estragos em qualquer viagem que uma gripe".

Lembra, entretanto, que o mundo é muito grande e o prazer de viajar, segundo estudos da Universidade Oxford, aumenta consideravelmente a quantidade de anticorpos na circulação sanguínea. "So keep traveling, friends. And enjoy."

A seguir, ele responde à pergunta da semana:

Querido mr. Miles: já ouvi falar em hotéis em cavernas, hotéis submarinos e, até, hotéis-cápsulas, no Japão. O que o senhor acha dessas invenções e qual foi o hotel mais estranho em que já se hospedou?

Breno Hideo Sensini, por e-mail

"Well, my friend: a criatividade humana não tem limites. O que, unfortunately, quase sempre resulta em desastres. Don't you agree? Hotéis e similares são, historicamente, lugares preparados para dar hospedagem aos viajantes. Podem fazê-lo discretamente, podem oferecer mais ou menos conforto, podem ser bem ou mal localizados. Quando, however, decidem fazer da estada uma 'experiência' - palavra, aliás, muito em voga no setor -, aproximam-se, dangerously, da tortuosa estrada do ridículo.

Fato que, frequentemente, não abala suas finanças porque, for sure, há sempre uma quantidade grande de hóspedes igualmente desprovida de limites para o bom senso. Veja o caso dos hotéis de gelo, fellow. Eu não poderia acreditar, mas o fato é que há milhares de pessoas capazes de trocar o conforto de uma cama pelo incômodo prazer de pagar para dormir sobre uma lápide de gelo, em quartos - sem banheiros, of course - com temperatura inferior aos cinco graus negativos.

Isn't it amazing?

Tenho uma velha amiga que se tornou gerente de um hotel-guindaste no bairro de Harlingen, em Amsterdã. A crane hotel! Os hóspedes pagam nada menos que US$ 500 para dormir na cabine da geringonça, com direito a acionar as alavancas que podem elevar o 'apartamento' a até 49 metros de altura. E, believe me, é indispensável fazer reserva com enorme antecedência!

De minha parte, já dormi em cavernas na Capadócia, que, entretanto, eram confortáveis como hotéis de alto padrão e reservavam vistas maravilhosas daquela estupenda maravilha geológica. Pernoitei, também, em tendas de beduínos na Jordânia, o que me fez sentir como uma espécie de Lawrence das Arábias falsificado.

Mas, confesso, jamais me senti tão ridículo quanto em Cottonwood, no Estado de Idaho, nos Estados Unidos, para onde minha mascote Trashie insistiu que fôssemos há algum tempo, motivada por uma foto que viu na internet.

Trata-se do único apartamento em todo o planeta construído no, digamos, interior de um beagle gigante, ligeiramente assemelhado ao célebre Cavalo de Troia. O estabelecimento chama-se Dog Bark Park Inn e, of course, é decorado com pinturas e esculturas de beagles e outros cães.

Trashie, vaidosíssima, fez questão de que eu colasse uma foto dela na parede. Foi verdadeiramente disgusting. A única boa notícia foi que, exatamente ao contrário de toda as expectativas, o hotel, thank God, não latiu a noite inteira."

*Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. Ele já esteve em 132 países e 7 territórios ultramarinos

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