Eddie Keogh/Reuters
Estação King's Cross, em Londres, ganhou uma plataforma 9 3/4 para fãs de Harry Potter Eddie Keogh/Reuters

Estação King's Cross, em Londres, ganhou uma plataforma 9 3/4 para fãs de Harry Potter

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O 'mapa do maroto' de Harry Potter no Reino Unido

Cenários de gravações e pontos que influenciaram J.K. Rowling na criação da saga do bruxo: confira nosso roteiro temático em Londres e Edimburgo

Flavia Alemi , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Estação King's Cross, em Londres, ganhou uma plataforma 9 3/4 para fãs de Harry Potter

Eddie Keogh/Reuters

Quando tinha nove anos, descobri a história de um menino que havia sobrevivido a um ataque do maior bruxo das trevas da história, ocorrido a milhares de quilômetros da minha morada brasileira. Ao sobrevivente em questão foi revelado no seu aniversário de 11 anos que, assim como seu algoz, ele também possuía poderes mágicos, os quais deveria aprender a controlar e aprimorar ao longo de sete anos numa escola especializada em bruxaria escondida em algum lugar do Reino Unido

Minha vasta imaginação infantil construiu cenários e personagens por três livros, até que a história de Harry Potter chegou aos cinemas em 2001, fazendo brotar em mim uma curiosidade incessante pelo modo de vida britânico e o idioma inglês. Foram necessários quase 20 anos para que eu realizasse o sonho de ver os locais que inspiraram J.K. Rowling, mas o timing não poderia ser melhor: de Edimburgo a Londres, a magia está em toda parte.

A começar por Edimburgo, que não costuma ser muito associada a um roteiro inspirado no bruxo, mas é parada obrigatória para todo pottermaníaco que se preze. Dos monumentos em New Town às construções que remetem à Idade Antiga, a cidade exala história e dá sentido ao universo mágico criado pela autora. 

Velhos conhecidos

Perambulando pelas ruas de paralelepípedos e sempre tendo o Castelo de Edimburgo como ponto de referência, em algum momento você irá passar pela escola George Heriot’s, famosa pelos uniformes tradicionais de seus estudantes e por dividi-los em quatro casas diferentes (soa familiar?). Logo ao lado, está o cemitério Greyfriars Kirkyard, cujas lápides mostram alguns nomes conhecidos: McGonagall, Scrymgeour, Moodie e uma certa família Riddell. 

A cinco minutos do cemitério, o verdadeiro Beco Diagonal ganha vida na Victoria Street, onde lojas e restaurantes de fachadas coloridas agradam os olhos de quem passa. A via é uma das mais fotografadas de Edimburgo e possui ao menos dois estabelecimentos dedicados exclusivamente a bugigangas potterianas. Ela desemboca no viaduto George IV, que tem, à esquerda, a antiga sede do Banco da Escócia, inspiração para Gringotes, e, à direita, um dos cafés mais famosos da cidade, o The Elephant House, que se autoproclama o “local de nascimento” de Harry Potter.

Apesar de ter servido de inspiração para J.K. Rowling, Edimburgo nunca apareceu nas adaptações da saga para o cinema, ao contrário de Londres, que faz pontas desde o primeiro longa. A icônica cena na qual o primo mimado de Harry, Duda Dursley, cai dentro do tanque de uma píton (no livro, jiboia) foi filmada no Zoológico de Londres, o mais antigo zoo científico do mundo. Já o Caldeirão Furado, que esconde em seu interior a entrada para o Beco Diagonal, é a fachada de uma loja no Leadenhall Market.

Embarque para Hogwarts

A estação de metrô King’s Cross, onde os jovens bruxos tomam o Expresso de Hogwarts, virou outro ponto de peregrinação potteriana, principalmente a partir de 2012, quando foi aberta a primeira loja especializada na saga fora de uma atração temática. Do lado de fora, adultos, jovens e crianças formam fila para tirar fotos em frente a um carrinho de bagagens que parece estar entrando na parede de tijolos para chegar à Plataforma 9 ¾.

Mas a principal atração de Harry Potter em Londres está, na verdade, fora da cidade, em Leavesden, zona residencial do condado de Hertfordshire. Não se preocupe, pois dá para fazer a maior parte do trajeto de metrô. Trata-se dos estúdios da Warner Bros., onde foi filmada a maioria das cenas. Lá, a imersão é quase total, com cenários completos, figurinos, perucas e outros objetos mágicos. É impossível segurar a nostalgia que chega pelos dutos lacrimais (ao menos para mim) quando as portas do Grande Salão são abertas. 

Delicie-se a seguir com nosso “mapa do maroto” repleto de detalhes mágicos dessas duas cidades. Malfeito feito!

ANTES DE IR

Como viajar

Para ir de trem de Londres a Edimburgo (cerca de 4h30), as tarifas começam em 73 libras (R$ 349) na  National Rail. Para quem vai estender a viagem para outras cidades do Reino Unido vale a pena o BritRail Pass, que permite viagens ilimitadas dentro de um determinado período. Os preços começam em US$ 120. Também é possível voar entre as capitais.

ONDE FICAMOS

Kimpton Fitzroy London

Inaugurado em outubro do ano passado, fica no bairro de Bloomsbury. O edifício, do século 19, tem fachada preservada com estética vitoriana. Do lado de dentro, porém, o hotel é moderno e elegante, sem opulência. O café da manhã com itens tradicionais do English Breakfast, como tomates e cogumelos, é boa pedida. A partir de £ 299 (R$ 1.444).

The Bentley London

Membro da coleção L.V.X. da Preferred Hotels & Resorts, grupo de hotéis independentes de luxo, fica em South Kensington e é perfeito para quem não abre mão dos mimos que só um local cinco estrelas oferece. A partir de £ 239 (R$ 1.154).

Kimpton Charlotte Square

Recém-inaugurado em Edimburgo, preza pelo conforto e aconchego nos quartos e áreas comuns. O café da manhã é servido no solário (The Garden), com móveis de jardim e horta. Moderno, seu interior contrasta com a quadra georgiana onde está. Desde £ 230 (R$ 1.102).

 

The Balmoral (Edimburgo)

É uma atração turística por si. Localizado ao lado da estação de trem Edinburgh Waverley, é famoso por seu relógio da fachada, insistentemente adiantado em três minutos. J.K. Rowling terminou de escrever o último livro de Harry Potter em um dos quartos. Para celebrar, deixou uma mensagem num busto da suíte. Desde £ 450 (R$ 2.173).

 

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Por dentro do mundo bruxo nos estúdios de gravação

A 40 minutos de Londres, complexo onde foram gravados os filmes da saga leva a uma imersão no universo de Harry Potter

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 04h40

A magia por trás do mundo de Harry Potter é revelada a nós, mortais (ou trouxas, na gíria bruxa) no Estúdio Leavesden. Ali estão os cenários cuidadosamente trabalhados para os filmes e toda a arte envolvida nas criações. Dos truques ópticos de profundidade e escala à flâmula do time de quadribol favorito de Ronald Weasley, é notório o apreço pelos detalhes. Para vê-los, a organização diz que o tempo ideal de visitação é de 4 horas, mas tem um pessoal maluco que fica quase o dobro disso. Eu, por exemplo.

Ao entrar no Salão Principal, o primeiro ambiente cenográfico, duas longas mesas ladeiam o espaço, com pratos, talheres e jarras prontos para mais um dia letivo em Hogwarts. Cobras, águias, texugos e leões de pedra, os animais-símbolo das casas, seguram pequenas piras com fogo falso nas paredes, enquanto manequins vestidos com trajes de estudantes e professores se espalham pelo salão. Ao fundo, o púlpito do diretor Alvo Dumbledore, a mesa dos professores, e, atrás dele, um grande vitral.

A cada 15 minutos entra um lote novo de visitantes e os organizadores pedem que os fãs mais meticulosos que ainda não terminaram de explorar a sala avancem para a próxima fase. Mas dá pra voltar quantas vezes quiser. Fiquei paralisada e boquiaberta com os detalhes, por isso fui e voltei duas vezes. 

Depois do salão, surge um corredor com vários elementos da saga e vídeos dos diretores, produtores e atores contando curiosidades sobre a rotina das gravações. Alguns ambientes, como o Salão Comunal da Grifinória, o dormitório dos meninos e a cabana de Hagrid são apenas expositivos, mas igualmente minuciosos. Na seção onde eles estão, há também uma espécie de gaiola gigante onde estão guardadas centenas de adereços mágicos.

Nem tudo é estático. A magia está presente na n’A Toca, a residência dos Weasley, onde objetos se mexem sozinhos (como a faca cortando legumes em cima da mesa ou as agulhas de tricô). Também pude montar em uma vassoura para receber um vídeo no qual eu voava sobre Londres (cafona? talvez, mas divertido). Gostei mais das fotos ilustrando o cartaz de “procurado” pelo Ministério da Magia. Custam de £ 14 a £ 50 (R$ 67 a R$ 240).

Vilões e batalhas

A partir daqui, o tour assume um tom mais sombrio. Há máscaras dos Comensais da Morte e a exposição de uma cena marcante do último filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte, quando Voldemort e seus asseclas estão reunidos na casa dos Malfoy. Na ocasião, a professora de Estudos dos Trouxas, Caridade Burbage, levita sobre a mesa e é morta por Nagini, a cobra de estimação do vilão. 

Na Floresta Proibida, o jogo de iluminação e o efeito de névoa garantem o ar de mistério. Centauros e hipogrifos dão as caras, além das aranhas. Se tiver uma aracnofobia muito forte, pode ser melhor pegar a saída em vez de adentrar na floresta. É sério.

E é aí que surge a primeira lojinha do tour, com itens temáticos da floresta, como Aragogues, Caninos, Bichentos e Edwiges de pelúcia. Não gaste seus galeões agora: tudo está disponível também na loja ao fim do tour. 

O apito do trem avisa o que está na próxima sala. A Plataforma 9 ¾ se materializa num espaço amplo - a locomotiva vermelha com a inscrição “Hogwarts Express” fez meu coração disparar. É nessa seção que fica a segunda loja do tour, a Railway Shop - e aqui sim há itens que não estão disponíveis nas outras, como uma caneca vermelha de cerveja, tapeçarias, bonés, camisetas e pirulitos temáticos.

A hora do descanso fica a cargo do Backlot Café, onde é possível se deliciar com um copo de cerveja amanteigada (£ 4 ou R$ 19) e comprar algo para comer. Se preferir, utilize as mesas à disposição para fazer um piquenique com os lanches que você trouxe. 

Novo cenário

Daí começa a segunda metade do tour, que passa pelos truques de maquiagem e animais mecânicos, além das máscaras dos duendes de Gringotes e o próprio banco, cujo cenário foi inaugurado em abril deste ano. 

Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, a cena de Harry entrando com Hagrid pela primeira vez no banco dos bruxos foi gravada na Australia House, em Londres. Mas, para as cenas de Relíquias da Morte, que envolvem a destruição do local por um dragão cego, o ambiente da Australia House foi replicado em Leavesden. 

Foi o ambiente mais bonito e preciso do tour inteiro. O mármore das colunas é só pintura, e envolve uma técnica engenhosa de mergulhar folhas de papel em água com tinta. Já os lustres foram feitos com plástico imitando cristal. Nos balcões, detalhes como balanças e pilhas de galeões, sicles e nuques enfeitam o ambiente enquanto duendes trabalham.

Atrás do saguão perfeito de Gringotes está a versão toda destruída, e também uma surpresa feita com efeitos especiais (não vou dar spoilers para não estragar sua experiência). 

Uma das últimas atrações é a maquete do Castelo de Hogwarts, considerada a joia da coroa do Departamento de Arte. Criado em escala de 1:24, o modelo foi utilizado nas tomadas externas do castelo, para mostrar alguma passagem de tempo ou mudança de ambiente. Todos os mínimos detalhes foram feitos à mão - um jeito de fazer parecer mais realista foi replicar torres e pátios do Castelo de Alnwick e da Catedral de Durham, que serviram de locação para cenas de A Pedra Filosofal.

Na sala fica tocando a conhecida trilha sonora dos filmes e a iluminação muda lentamente de cores quentes para cores frias. 

O tour se encerra na loja principal dos estúdios, cuja principal mágica é fazer seu dinheiro desaparecer. Você foi avisado.

COMO CHEGAR

Pegue o metrô em Londres até a estação Watford Junction. Siga até o terminal de ônibus, onde estará estacionado o veículo que leva até os estúdios. O bilhete custa £ 2,50 (R$ 12) e deve ser pago em dinheiro. Há ônibus a cada 20 minutos. Já o ingresso deve ser comprado com antecedência pelo site .Ingresso adulto a £ 45 (R$ 217).

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Em Londres, referências estão espalhadas por toda parte

Sobram tours que levam os visitantes para os pontos de gravação ou inspiração na capital inglesa - o mais disputado é a estação King's Cross

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 04h40

Foi enquanto viajava de trem pelo Reino Unido que J.K. Rowling teve a inspiração para criar a história do bruxo adolescente. E é de trem que eu recomendo que você vá de Londres a Edimburgo, ou vice-versa. As paisagens bucólicas permitem devaneios profundos e causam agradável surpresa quando se transformam em campos de flores coloridas no início da primavera.

Quem vem da Escócia desembarca na estação King’s Cross, uma das mais importantes de Londres - e também da saga. Afinal, é dela que parte o Expresso de Hogwarts, a locomotiva vermelha que leva os alunos até a escola de magia todo 1.º de setembro para um novo ano letivo. 

A julgar pela quantidade de adultos e crianças usando cachecóis temáticos das casas de Hogwarts, o acesso ao Expresso poderia muito bem ser por ali. Isso porque, com a procura dos fãs pela Plataforma 9 ¾, alguém teve a ideia de dedicar um pedaço da estação a essa entrada para o mundo mágico de J.K. Rowling - e ganhar muito dinheiro com isso. Além da fila para tirar foto com o carrinho de bagagens que entra na parede, há fila também para entrar na loja Platform 9 ¾. Peguei ambas e exibi meu cachecol da Lufa-Lufa com o orgulho que ela merece.

Ao lado de King’s Cross está outra estação conhecida, mas dos filmes, a St. Pancras International. É ela que aparece em Harry Potter e a Câmara Secreta, quando os Weasley levam seus filhos e Harry no Ford Anglia azul até a estação.

De lá até o Soho dá para ir a pé e curtir um pouco mais de Londres em uma caminhada de uns 40 minutos. Se preferir, pode pegar o metrô e descer na Tottenham Court Road, que aparece no sétimo livro quando Harry, Rony e Hermione fogem do casamento de Fleur Delacour e Gui Weasley.

Perambular pelo Soho é quase uma experiência antropológica. Ali estão teatros, cinemas e a vida noturna alternativa de Londres - e uma porção de referências a Harry Potter. Numa segunda-feira chuvosa, uni o tradicional chá das 5 à magia no Cutter & Squidge (leia mais abaixo), que oferece uma “aula de poções” cheia de comes e bebes (saí me sentindo como Rony após o banquete de Natal de Hogwarts).

Pertinho dali, o Palace Theatre exibe desde 2016 a peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, uma continuação que se passa 19 anos depois do último livro e tem como protagonistas um dos filhos de Harry e de Draco Malfoy. Para garantir, compre os ingressos com pelo menos um mês de antecedência.

Você pode ainda optar por um tour temático. Uma das experiências do Airbnb, A Londres de Harry Potter para Trouxas, leva a uma imersão nas locações do bruxo - e o valor pago vai inteiramente para um projeto social na África. É possível também fazer tudo a pé, por conta própria - confira o roteiro no site do Visit Britain.

Outras histórias

Além de atrações específicas ligadas ao universo de Harry Potter, dá para perambular por Londres e encontrar cenários familiares a outros ícones britânicos. Na Baker Street, escolhida por Arthur Conan Doyle para ser a residência de Sherlock Holmes, encontramos não só o museu do detetive mais famoso do mundo, mas também lojas dedicadas a itens de Beatles, Rolling Stones, The Who e outras bandas.

Explorar Londres por completo exige mais de uma semana. Portanto, se for sua primeira visita, otimizar o tempo é lei, já que não temos um Vira-Tempo. 

PREPARE SUAS POÇÕES

Cutter & Squidge

A casa é uma das várias confeitarias de Londres e preza por bolos tanto deslumbrantes quanto deliciosos. A aula de poções fica escondida no porão, decorado com cores escuras e iluminação indireta para parecer as masmorras onde o professor Severo Snape leciona. Apesar de não fazer menção explícita a Harry Potter por uma questão de direitos de marca, a inspiração do local é bastante óbvia.  Ao longo da aula, além de preparar bebidas, os visitantes são servidos com bolos, doces, pequenos sanduíches, scones e bules de chá de sua preferência. Quando achar que não cabe mais nada no estômago, pense se Vicente Crabbe deixaria algo no prato e faça um esforço. A partir de £ 39,50 ou R$ 190 (criança) e £ 49,50 ou R$ 239 (adulto). 

The Cauldron 

O que começou como um projeto de crowdfunding se transformou em uma das atrações mais interessantes para os fãs de magia que visitam Londres. No pub The Cauldron, os convidados utilizam varinhas interativas para fazer “poções mágicas” aplicando mixologia molecular. A brincadeira utiliza tecnologia e alguns truques para simular magia, como o clássico gelo seco. Como se trata de coquetéis com álcool, a experiência é exclusiva para quem tem mais de 18 anos. Há unidades do The Cauldron também em Edimburgo, Nova York e Dublin. Em maio, os donos inauguraram o The Blind Phoenix, um speakeasy inspirado em fantasia que não está formalmente associado a nenhuma série específica. “Somos apenas geeks”, diz o aviso do bar. A partir de £ 29,99 (R$ 144).

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Do cemitério às lojas pitorescas, um tour pela inspiradora Edimburgo

J.K. Rowling escreveu a história de Harry Potter no tempo que viveu na capital escocesa. E não é difícil reconhecer suas referências

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 04h40

Edimburgo se diferencia de outras metrópoles europeias não só por sua arquitetura singular, mas também porque a cidade carrega um ar natural de magia. Trombei com vários ilusionistas fazendo performances gratuitas no meio da rua, além de bruxas “flutuando” aqui e ali em Old Town, no centro histórico. Foi enquanto morava na capital escocesa que J.K. Rowling se concentrou em escrever a história que mudaria sua vida.

Ela gostava de se aconchegar em alguns dos muitos cafés que se espalham pela cidade, mas tinha uma predileção pelo extinto Spoon. O local pertencia ao seu cunhado e lá J.K. Rowling podia ficar com sua bebê, Jessica, enquanto ganhava cafés com leite de cortesia. Após Harry Potter ganhar fama e o Spoon fechar, esse traço do processo criativo de Rowling fez alguns estabelecimentos disputarem entre si o título de café preferido da autora.

Foi The Elephant House que saiu na frente, instalando uma placa na fachada na qual eles literalmente se intitulavam o local de nascimento de Harry Potter após Rowling conceder uma entrevista para a televisão em suas dependências. Algumas disputas judiciais depois, The Elephant House agora coloca sua nomeação entre aspas e recebe muitos turistas que prestam “homenagem” a Rowling e à saga rabiscando mensagens e desenhos nas paredes do banheiro.

O café fica no viaduto George IV e, a poucos metros dali, está o ponto de encontro do tour a pé (e gratuito) The Potter Trail, em frente à estátua do cãozinho Greyfriars Bobby. Os guias eram tão ou mais fãs do que eu e sabiam contar vários detalhes incluídos neste texto. Os grupos saem duas vezes por dia, entre abril e agosto, ao meio-dia e às 16h. De setembro a março, há apenas um passeio diário, às 14h.

Na mesma rua está uma das entradas do cemitério Greyfriars Kirkyard, onde dá para passar o tempo procurando nomes conhecidos do universo pottteriano nas lápides. O poeta William McGonagall, por exemplo, tem o mesmo sobrenome da professora de Transfiguração, Minerva McGonagall, mas, diferentemente de sua “parente”, ele era considerado péssimo no que fazia. 

Mas é a família Riddell que ganha maior dedicação dos turistas. O túmulo de Thomas Riddell e seu filho, de mesmo nome, é tido como inspiração para o nome “de trouxa” de Lord Voldemort, Tom Riddle, e seu pai.

Conta-se que Rowling teria feito a modificação na escrita para preservar a identidade da família Riddell, mas aparentemente não adiantou: essa é a lápide mais fotografada do cemitério e, no Halloween, pessoas fantasiadas de Comensais da Morte (os seguidores de Voldemort) costumam simular duelos bruxos em frente ao local. Deve ser esquisito.

Hogsmeade e Beco Diagonal

Perto do cemitério, o Grassmarket convida a degustar um pint aos pés do Castelo de Edimburgo, num cenário que poderia ser Hogsmeade se houvesse cerveja amanteigada no menu. Dá para experimentar também (por sua conta e risco) o típico haggis - um cozido feito de coração, fígado e pulmão de ovelha. Não tive coragem. 

Repleto de pubs e restaurantes, o Grassmarket foi outrora um espaço para execuções públicas e passou recentemente por um processo de gentrificação impulsionado pelo turismo, que o transformou em parada obrigatória dos viajantes. 

A rua do Grassmarket chega até a Victoria Street, onde a inspiração para o Beco Diagonal serve de chamariz turístico. Lá não tem só lojinhas pitorescas de temáticas bruxescas, mas também uma espécie de mezanino repleto de restaurantes e bares. Consegui até revisitar minha imaginação anterior aos filmes e lembrar de como era o Beco Diagonal da minha imaginação. 

“Havia lojas que vendiam vestes, lojas que vendiam telescópios e estranhos instrumentos de prata que Harry nunca vira antes, janelas com pilhas de barris contendo baços de morcegos e olhos de enguias, pilhas mal equilibradas de livros de feitiços, penas de aves para escrever e rolos de pergaminhos, vidros de poções…”. À exceção dos órgãos de animais, a descrição do Beco Diagonal em Harry Potter e a Pedra Filosofal parece se encaixar perfeitamente na Victoria Street. 

Atrações além de Hogwarts

Há muito mais que Harry Potter em Edimburgo. Saindo do mezanino da Victoria Street pelo Fishers Close, um dos muitos becos da cidade, chega-se a Lawnmarket, uma das vias que compõem a Royal Mile, que liga o Palácio de Holyroodhouse, à direita, ao Castelo de Edimburgo, à esquerda. O trajeto soma uma milha escocesa (1,814 quilômetro), daí o nome. Ao longo do passeio, escoceses vestindo kilts e tocando gaita de fole fazem a trilha sonora de quem se aventura pelas lojinhas de souvenirs. 

Caminhando pela estreita Castlehill, o Castelo de Edimburgo (£ 17,50 ou R$ 84) vai tomando forma. Instalado no topo de uma rocha vulcânica, o forte tem áreas que datam do século 12 e se assemelham aos cenários de Game of Thrones. Os muros de pedra cinza e âmbar fazem as vezes de Vira-Tempo e garantem uma viagem à Idade Média.

Para fugir um pouco de Old Town, os ônibus turísticos circulares levam a pontos mais afastados. O Majestic Tour, por exemplo, custa £ 16 (R$ 77) e passa pelo Jardim Botânico Real e pelo iate Britannia, que serviu de palácio flutuante para a família real por mais de 40 anos.

Em dois dias você visita o básico de Edimburgo, mas aproveite para ver mais da Escócia. Na Rabbie’s há vários itinerários de um ou mais dias para conhecer o Lago Ness, a Ilha de Skye ou as Terras Altas. 

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Compras irresistíveis para fãs de Harry Potter

Produtos licenciados têm preços semelhantes e há muitos lugares para comprar souvenirs. Veja as nossas lojas favoritas

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 04h40

Todos os locais que vendem mercadoria oficial de Harry Potter têm preços semelhantes, mas os produtos nem sempre são os mesmos. Confira as melhores lojas.

 

EDIMBURGO

The Boy Wizard  

(1 Victoria Street)

A localização não poderia ser mais apropriada: o Beco Diagonal da vida real. Dentre as muitas lojinhas pitorescas, uma fachada vermelha com detalhes dourados atrai curiosos. Dentro dela, há cachecóis de todas as casas de Hogwarts (de £ 25 a £ 40 - R$ 120 a R$ 193) e lembrancinhas menores. A loja é a principal da rede, mas há várias na cidade.

Museum Context  

(40 Victoria Street) 

A poucos metros da The Boy Wizard, exibe um Ford Anglia azul claro estacionado na entrada aos domingos. Mais apertada, a loja dá a impressão do que seria entrar na casa da família Weasley, com uma diversidade imensa de produtos empoleirados em prateleiras. Os donos capricharam na decoração, que conta até com a cabeça de um basilisco no último andar, ao lado de um espelho onde se lê o aviso de que a Câmara Secreta foi aberta. Cheia de produtos diferentões - entregam no mundo inteiro.

LONDRES  

House of Minalima

(26 Greek Street)

Mais que uma loja, House of MinaLima é uma exposição das artes criadas para os filmes da saga Harry Potter. Ali há souvenirs mais sofisticados, como impressões da árvore genealógica da família Black. Também há panos de prato com estampas das capas do Profeta Diário e toda uma coleção de itens de Animais Fantásticos e Onde Habitam, saga ligada ao mundo da magia criado por Rowling. Os donos são os designers Miraphora Mina e Eduardo Lima, responsáveis por todo o estilo gráfico dos filmes. Ah, e se você pensou que Eduardo Lima soa brasileiro demais, acertou.

Platform 9 3/4 

Estação Kings Cross

Uma das lojas mais movimentadas do universo Potter em Londres, chega a ter fila para entrar. Isso sem contar a outra espera, para tirar foto no carrinho de bagagem que “entra na parede” e costuma demorar, no mínimo, 15 minutos. Tirando a loja de presentes dos Estúdios Warner Bros, essa é a loja mais completa em termos de variedade, com uniformes de Hogwarts, chaveiros, canetas, baralhos, quadros, joias e bijuterias, mochilas, canecas, etc. 

 

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